Esse conteúdo é exclusivo para o
Seu Dinheiro Premium.
Seja Premium
Quero ser Premium Já sou Premium
O que você vai receber
Conteúdos exclusivos
Indicações de investimento
Convites para eventos
Os segredos da bolsa: o exterior dá as cartas para as ações, mas Brasília segue em destaque - Seu Dinheiro
Menu
2020-05-17T19:54:06-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
SD Premium

Os segredos da bolsa: o exterior dá as cartas para as ações, mas Brasília segue em destaque

Diversas incertezas continuam no radar dos mercados, tanto no Brasil quanto no exterior — o que pode mexer com os rumos da bolsa nesta semana

18 de maio de 2020
5:30 - atualizado às 19:54
segredos da bolsa
Imagem: Shutterstock

O clima não tem estado favorável para os ativos locais: na bolsa, o Ibovespa amargou perdas na semana passada e foi às mínimas desde 24 de abril; no câmbio, o dólar à vista continuou sob pressão, flertando com os R$ 6,00. Tudo por causa de um ambiente mais cauteloso no exterior e no Brasil — um cenário que tende a permanecer inalterado nos próximos dias.

Afinal, a falta de visibilidade em relação ao coronavírus, ao estado da economia global e aos desdobramentos do cenário político doméstico, em conjunto, acabam colocando os investidores na defensiva. E, ao longo do fim de semana, quase não houve alterações nessas variáveis.

Assim, o foco dos agentes financeiros permanecerá sobre as eventuais pistas e notícias que possam amenizar esse quadro de incerteza generalizada. E, no exterior, teremos alguns eventos que têm potencial para mexer com a percepção de risco dos mercados.

A começar pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell. Na semana passada, ele deu declarações que caíram como um balde de água fria sobre os investidores: descartou a adoção de juros negativos — uma hipótese que vinha ganhando o coração do mercado — e disse que o pior da recessão ainda estava por vir.

É claro que a fala azedou o humor dos investidores, provocando quedas nas bolsas globais e derrubando o Ibovespa por tabela. Dito isso, é preciso ficar atento às movimentações de Powell — e elas não serão poucas nessa semana.

Na noite de domingo, ele deu mais sinais pouco animadores: em entrevista à CBS, ele disse que o processo de recuperação da economia americana pode começar já no segundo semestre desse ano, mas ressaltou que esse processo pode se arrastar até o fim de 2021.

"Assumindo que não teremos uma segunda onda do coronavírus, eu acredito que a economia pode se recuperar de maneira mais firme no segundo semestre" — Jerome Powell, presidente do Fed, em entrevista à CBS

O problema, novamente, reside na incerteza: tudo depende da não ocorrência de uma segunda onda da Covid-19 nos EUA — e as informações disponíveis no momento não são muito animadoras nesse sentido, já que, na Ásia, começam a ser registrados novos casos da doença.

Ou seja: o modelo existente indica que os países que já passaram por uma primeira onda e reabriram suas economias podem estar sujeitos a uma nova fase de contaminações — uma leitura que eleva a cautela quanto ao processo de normalização atualmente em vigor na Europa e nos EUA. Será que esse fenômeno também se repetirá no Ocidente?

Os dados mais atualizados a respeito da pandemia também não servem para trazer alívio: segundo levantamento da universidade americana Johns Hopkins, mais de 4,7 milhões de pessoas já foram infectadas no mundo, com cerca de 315 mil mortes — somente nos EUA, já são quase 80 mil óbitos em função da doença.

Desta maneira, a tendência é de continuidade da cautela no exterior — um pano de fundo que exerce pressão negativa sobre a bolsa brasileira.

O novo normal

Por aqui, as tensões políticas permanecem lá no alto: com a saída de Nelson Teich do ministério da Saúde, ainda há uma espécie de vácuo quanto às diretrizes oficiais a serem tomadas no front do coronavírus — uma situação que apenas aumenta o estresse em Brasília.

O fato de o presidente Jair Bolsonaro ter novamente feito acenos aos protestos a seu favor — e que também pedem o fechamento da Câmara e do STF, diga-se — não contribui em nada para acalmar os ânimos e diminuir a percepção de que não há governabilidade.

É certo que Bolsonaro amenizou um pouco o tom em seus acenos aos manifestantes, não dando declarações de apoio explícito às pautas antidemocráticas. Ainda assim, a deterioração no cenário político é evidente, o que eleva a tensão dos investidores quanto a continuidade das reformas econômicas e ao cumprimento das metas fiscais.

Considerando a somatória de estresse doméstico com incerteza internacional, não seria surpreendente ver o dólar dando continuidade à tendência de alta e o Ibovespa se afastando cada vez mais dos 80 mil pontos.

Ainda há um segundo fator de nervosismo no radar dos investidores: a possibilidade de decretação de um lockdown em São Paulo, conforma já foi sinalizado pelas autoridades estaduais e municipais nos últimos dias.

Caso a medida seja de fato anunciada, os mercados terão um risco duplo para lidar: por um lado, há o natural impacto econômico — e com implicações negativas para as ações de diversas empresas da bolsa — e, por outro, há o atrito entre o governo paulista e o federal, já que Bolsonaro é contra as políticas de isolamento.

Em meio às disputas políticas, fato é que a curva de contágio do coronavírus no país continua aumentando: até sábado, já eram 233 mil contaminados no Brasil, com 15.633 mortes.

Agenda cheia

Em termos de agenda econômica, teremos uma semana particularmente agitada no exterior, com dados de inflação e atividade no mundo. Veja abaixo os destaques dos próximos dias:

  • Segunda-feira (18)
    • EUA: índice NAHB de confiança das construtoras em maio
  • Terça-feira (19)
    • EUA: Powell faz discurso em comitê do Senado americano
    • Alemanha: índice Zew de expectativa econômica em maio
  • Quarta-feira (20)
    • EUA: ata da última reunião do Fed
    • Zona do euro:
      • Inflação (CPI) em abril
      • Índice de confiança do consumidor (preliminar) em maio
    • Japão: PMI industrial e de serviços (preliminar) em maio
  • Quinta-feira (21)
    • EUA:
      • Novos pedidos de seguro-desemprego até 16/05
      • PMI industrial e de serviços (preliminar) em maio
      • Índice NAR de venda de moradias usadas em abril
      • Powell fala em evento do Fed sobre o coronavírus
    • Reino Unido: PMI industrial e de serviços (preliminar) em maio
  • Sexta-feira (22)
    • Alemanha: PMI industrial e de serviços (preliminar) em maio
    • Reino Unido: vendas no varejo em abril
    • Zona do euro: PMI industrial e de serviços (preliminar) em maio

Como eu disse no começo do texto, é preciso acompanhar de perto as declarações de Powell ao longo da semana: além da entrevista deste domingo, ele ainda fará outras duas aparições públicas. O destaque fica com o evento promovido pelo Fed, onde se espera que ele fará novas considerações a respeito do cenário econômico.

Chama a atenção, também, a ata da última reunião do BC americano. Por mais que a taxa de juros tenha permanecido inalterada na faixa de 0% a 0,25% ao ano, o mercado buscará eventuais pistas quanto à visão dos demais diretores da instituição para o cenário econômico em meio à pandemia.

Em termos de dados, vale ficar atento aos indicadores de atividade, tanto os PMIs quanto os índices de confiança — são termômetros importantes da economia real no mundo, mostrando quão aquecida está a economia e qual a perspectiva de melhora no curto prazo.

No Brasil, a semana será atipicamente tranquila em termos de agenda econômica. Há poucos dados programados para os próximos dias — o destaque fica com dois indicadores de inflação:

  • Segunda-feira (18): IGP-10 em maio
  • Quarta-feira (20): segunda prévia do IGP-M em maio

São dois dados que, em condições normais, não interferem muito no mercado. No entanto, considerando o atual quadro deflacionário e as perspectivas de cortes ainda mais profundos na Selic, esses indicadores podem mexer com as apostas dos investidores em relação ao futuro da política monetária no país.

Caso esses dados continuem mostrando que a inflação está bastante sob controle, os agentes financeiros tendem a aumentar as apostas em mais baixas da Selic — o que afeta a curva de juros e tende a pressionar ainda mais o dólar.

E, nesse cenário, é possível vermos efeitos secundários na bolsa, especialmente nas ações mais dependentes da cotação do dólar: ações de exportadoras se beneficiam com o câmbio mais alto, enquanto companhias com dívida e custos e dólar tendem a sofrer.

Mais alguns balanços

Por fim, fique atento à temporada de resultados do primeiro trimestre: após a agitação da semana passada, os próximos dias serão mais tranquilos — ainda assim, teremos diversas integrantes do Ibovespa reportando seus números:

  • Segunda-feira (18): Equatorial e Marfrig;
  • Quinta-feira (21): Lojas Renner;
  • Sexta-feira (22): Usiminas.

A minha colega Jasmine Olga preparou uma matéria especial com as projeções e principais pontos a serem observados nos balanços da Marfrig, Renner e Usiminas — é só clicar aqui.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

coronavírus no país

Covid-19: Brasil tem 1,2 mil novas mortes e 60 mil novos casos

Até o momento, 2.356.640 pessoas se recuperaram da doença

seu dinheiro na sua noite

A questão de Bolsonaro: ser ou não ser liberal

Ser ou não ser liberal. Eis a questão de Jair Bolsonaro. O presidente foi eleito com uma pauta de defesa das reformas, redução do tamanho do Estado e equilíbrio das contas públicas. O fiador desse discurso foi Paulo Guedes, que assumiu o comando da economia. O receituário foi seguido no primeiro ano de mandato, com […]

de olho nos números

Suzano, JBS, B3, Cyrela, Lojas Americanas, B2W, Hering: os balanços que vão mexer com o mercado nesta sexta

Balanços do segundo trimestre devem guiar os negócios no Ibovespa no último pregão da semana

Balanço

B3 tem lucro 28,9% maior no 2º trimestre e aumenta investimento para dar conta do volume da bolsa

A dona da bolsa brasileira registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,012 bilhão e pretende investir até R$ 425 milhões em sistemas e novos produtos para o mercado

confiança com capitalização

Para presidente da Eletrobras, saída de Mattar não prejudica privatização

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse nesta quinta-feira, 13, que a saída do secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, não irá prejudicar a capitalização da empresa prevista para o ano que vem, e que confia que após debates com o Congresso Nacional, o processo seja aprovado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements