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Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
2020-02-26T18:51:54-03:00
Que Bolsa é essa?

Crash do Coronavírus: o que fazer com o seu dinheiro?

Epidemia não deve deixar marcas permanentes sobre os negócios de empresas como Itaú, Weg, Vale ou Petrobras, mas o fenômeno é grande e tem potencial para machucar bem o PIB brasileiro no primeiro semestre

27 de fevereiro de 2020
5:12 - atualizado às 18:51
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Imagem: Shutterstock

Estava tudo certinho – já tinha o “call” de compra para hoje devidamente encaminhado – entre uma cerveja e outra durante o Carnaval, fui compondo o texto mentalmente, deixando tudo engatilhado para chegar aqui na quarta-feira e colocar as ideias no papel.

Só faltou combinar com os russos, ou melhor, italianos.

Enquanto o brasileiro desfilava seminu pelos bloquinhos e camarotes, o mundo entrava em pânico porque a Itália resolveu diversificar o portfólio de exportações: carros, vinhos, massas e um pouquinho de gripe, capiti?

Com o epicentro do Coronavírus saindo da China e se instalando no meio da Europa, os mercados não resistiram e as Bolsas derreteram. Em dois dias, o principal índice da Bolsa de Nova York (S&P 500) entregou 6,2% e deixou todo mundo de cabelo em pé.

No meio desse caos, não tem como chegar aqui fazendo recomendação de compra – tem horas que a melhor coisa a fazer é simplesmente sentar e esperar. Se possível, esqueça de vez o seu homebroker, vá ao cinema, leia um livro (que não tenha nada a ver com finanças), jogue videogame com seu filho (ou sozinho) ou até chame a sogra (o sogro) para jantar.

Qualquer coisa é melhor do que ficar olhando para as luzes vermelhas na tela do computador.

Sobre o vírus em si e as consequências da doença, não há nada que me leve a crer que estamos flertando com o apocalipse zumbi ou o fim da civilização ocidental (até porque a brincadeira toda começou na Ásia).

Assim como uma gripe, a tal da Covid-19, é altamente contagiosa e é provável que uma parcela grande da população (grande mesmo, tipo 70% de todos os seres humaninhos) seja infectada ao longo do próximo ano.

Mas é justamente porque é uma doença pouco grave é que é difícil controla-la – boa parte dos infectados terão sintomas brandos (como um resfriado) ou mesmo nenhum sintoma. Quem ficar doente talvez nem seja diagnosticado e, ao ser tratado como um paciente de gripe “comum”, vai se recuperar sem grandes consequências.

O índice de letalidade é, de fato, bem maior do que a gripe tradicional, mas ainda é relativamente baixo (na casa de 2%) e costuma ser mais grave em pacientes com alguma doença respiratória crônica, algum tipo de imunodeficiência e tabagistas.

Se tomarmos como exemplo o caso da H5N1 (a gripe aviária), que foi detectada pela primeira vez em 1997 – até hoje foram 861 casos, mesmo que o diagnóstico e descoberta do vírus tenha demorado muito mais do que no caso da Covid-19. Isso porque o H5N1 é muito agressivo: a evolução é rápida, os sintomas são severos e a letalidade ultrapassa 50% dos casos.

Voltando à Covid-19, ainda não tivemos NENHUM caso de contágio ativo no Brasil (o único caso confirmado até o momento foi importado da Itália) e não motivo para pânico – o fato de estarmos no verão ajuda, dado que o vírus parece ser bem mais resistente em ambientes frios.

Isso não quer dizer, claro, que a gente deva sair por aí se esfregando em quem estiver tossindo: lavar as mãos, evitar grandes aglomerações e todo aquele protocolo tradicional para evitar epidemias certamente são recomendações sensatas. Afinal de contas, o Carnaval certamente não ajudou a controlar o contágio.

Também não quer dizer que novos dados e o desenrolar do quadro da doença não me façam mudar de ideia – a gente só vai saber de verdade o tamanho do estrago ao longo dos próximos meses.

Não há nenhuma justificativa para pânico, mas também não precisa ignorar os fatos por completo – não é hora de latir e acordar a vizinhança inteira, mas convém ficar de olho na porta, com as orelhas em pé.

Em termos práticos, não vejo efeitos de longo prazo: a epidemia não deve deixar marcas permanentes sobre os negócios de empresas como Itaú, Weg, Vale ou Petrobras. Porém, é de esperar algumas consequências sobre o curto prazo – será que o medo de aglomeração vai miar o Lollapalooza agora em abril? E a frequência em cinemas e shoppings?

O fenômeno é grande em termos globais – tem escola na Itália cancelando aula, cidades isoladas na Coreia do Sul e, bem, regiões da China entraram em modo de “lockdown” por vários dias. O “efeito China” sozinho já tem potencial para machucar bem o PIB brasileiro no primeiro semestre – a gente exporta um monte para os caras e boa parte de nossos produtos tem algum insumo e/ou componente fabricado por lá.

Mas isso não deveria “desaparecer” com a demanda por produtos – você ainda vai comprar o iPhone novo, só vai demorar umas semanas a mais.

Então, resumindo: lavem bem as mãos, evite muvucas, mas não vai sair por aí hostilizando italianos ou fazendo estoque de água e máscara cirúrgica.

Mas o que fazer, afinal?

Para não te deixar de mãos abanando, se você tiver uma grana “sobrando” e não sabe bem o que comprar, meu conselho é aplicar em Tesouro Selic 2025 (a famosa LFT) ou em algum fundo DI baratinho – o que eu mais gosto é o BTG Pactual Digital Tesouro Selic FI Renda Fixa Simples, que não cobra taxa de administração e o cadastro na plataforma do BTG Digital é bem prático.

Deixa o dinheiro ali por uns dias e, assim que o mercado estabilizar e tiver uns ativos interessantes dando sopa, a gente volta a conversar!

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