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bastidores

Weintraub no Banco Mundial é derrota de Guedes

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, o ministro queria que o atual diretor executivo do FMI, Antônio Bevilaqua, acumulasse também a cadeira no Banco Mundial

(Brasília - DF, 04/02/2020) Abraham Weintraub, então Ministro de Estado da Educação. Foto: Marcos Corrêa/PR -

A indicação de Abraham Weintraub para o Banco Mundial atrapalhou os planos do ministro da Economia, Paulo Guedes, para o cargo e representa a segunda derrota dele no campo internacional nesta semana. O nome foi mal recebido por integrantes do banco e provocou reação no Brasil: uma carta contra a nomeação, com mais de 250 assinaturas de economistas, intelectuais, parlamentares e artistas foi encaminhada ao organismo internacional.

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Segundo o Estadão/Broadcast apurou, Guedes queria que o atual diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Antônio Bevilaqua, acumulasse também a cadeira no Banco Mundial. Isso estava sendo discutido no início do ano, mas a questão acabou sendo colocada em espera por conta da pandemia do coronavírus.

Na quarta-feira, o governo brasileiro teve de apoiar a indicação, dos Estados Unidos, de um nome para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O Brasil queria indicar um nome do País para o cargo e vinha tentando o apoio dos EUA para isso, o que não se concretizou.

Agora, a pressão foi doméstica e, apesar de a diretoria executiva do Banco Mundial ser de indicação do ministro da Economia, Guedes teve de aceitar o nome do presidente Jair Bolsonaro. Segundo integrantes da pasta, porém, isso foi acolhido pelo ministro "com tranquilidade".

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Reação

Quinze instituições e 257 pessoas assinam o documento contra a indicação de Weintraub, entre elas, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero e os economistas Octavio de Barros, José Roberto Afonso e Laura Carvalho. Também subscrevem o cantor Chico Buarque e a socióloga Maria Alice Setubal, além de parlamentares de oposição.

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A carta foi enviada para os embaixadores dos países no Brasil que são corepresentados e para a representação do Banco Mundial. O documento foi encaminhado para a representação do Banco Mundial em Brasília e para os embaixadores dos oito países que o Brasil representa no organismo.

"Enviamos essa carta para desaconselhar fortemente a indicação de Weintraub para essa importante posição e para informá-lo do potencial de causar danos irreparáveis à posição do seu País junto ao Banco Mundial", afirma o texto.

Para Ricupero, a indicação de Weintraub é altamente prejudicial aos interesses brasileiros. "O Banco Mundial tem uma agenda comprometida com o meio ambiente, tribos indígenas, têm uma pauta progressista. Não vejo como um sujeito como esse pode trabalhar nesse ambiente", afirmou. "Um homem que se autodefine como militante não vai representar o país imparcialmente".

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O ex-vice presidente do Banco Mundial Otaviano Canuto, que também ocupou o cargo de diretor executivo para o qual Weintraub foi indicado, disse ao Estadão que esse é um posto que exige "técnica e diplomacia". "Todas as pessoas que ocuparam esse cargo construíram uma reputação de respeito que permitiu ao Brasil influenciar o banco além dos 4% do capital que essa cadeira representa", afirmou.

Sem citar Weintraub, Canuto disse que o contrário também pode ocorrer: se o ocupante do cargo não for bem-sucedido, o Brasil pode perder influência e cair no ostracismo.

Desde a indicação, o Ministério da Economia vem ressaltando as experiências de Weintraub em bancos - ele foi economista-chefe do Banco Votorantim -, na academia e no setor público. A passagem de Weintraub pelo Votorantim gerou polêmica. Na quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que o ex-ministro da Educação "quebrou o banco", o que Weintraub logo negou nas redes sociais. Em 2009, quando o ex-ministro estava na instituição, o Banco do Brasil comprou 49% do banco da família Ermírio de Moraes, depois do Votorantim ser atingido fortemente pela crise financeira do ano anterior.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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