Rede, PSB e PSL pedem impeachment de Bolsonaro por tentativa de interferência na PF
Ministro Sergio Moro fez acusações contra o presidente Jair Bolsonaro durante coletiva em que anunciou sua demissão

A Rede Sustentabilidade protocolou pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro por tentativa de ingerência política no comando da Polícia Federal. A peça foi elaborada após revelações do ex-ministro Sérgio Moro, que acusou o presidente de manifestar interesse em interferir na autonomia da corporação, substituindo o hoje ex-diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.
Na peça levada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a Rede acusa Bolsonaro de intervir na troca de comando da PF para obter "blindagem" a membros do círculo íntimo do presidente e garantir verdadeiros 'superpoderes' para cometerem crimes sem serem responsabilizados.
"Não bastasse isso, sobressai como mais grave, o fato de que o Presidente pretende, de todas as formas e maneiras, alterar os rumos de investigações criminais. Tais declarações representam derradeiro estopim para o devido processamento do Presidente", apontam os parlamentares da Rede.
O partido alega que o 'receio' do presidente sobre inquéritos no Supremo Tribunal Federal e investigações da Polícia Federal da abertura de apurações sobre as manifestações favoráveis a um golpe militar realizadas no domingo, 19. O caso foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal conduz as investigações.
"Além disso, são de responsabilidade da Polícia Federal também as investigações referentes ao inquérito sobre a disseminação de notícias falsas (fake news) do STF, que podem envolver Carlos e Eduardo, filhos do presidente", afirma a Rede. "Há, ainda, a preocupação de que a Polícia Federal avance nas investigações contra outro filho de Bolsonaro, o senador Flávio, suspeito de desviar recursos de seus antigos assessores na Assembleia Legislativa do Rio".
A Rede aponta que Bolsonaro 'não demonstra qualquer tipo de remorso ou timidez' em insinuar suposta interferência em instituições autônomas, relembrando que o presidente declarou, em novembro de 2019, que havia sido 'eleito para interferir mesmo' e, mais recentemente, ao declarar que ele era 'a Constituição'.
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"A Polícia Federal, enquanto instituição de Estado, não pode se vergar a uma nomeação caprichosa e mal intencionada, abrindo suas galerias a um capacho de ordens cuidadosamente recrutado por quem se julga o dono do poder", afirma a Rede.
Ao anunciar que estava deixando o cargo de ministro, Sérgio Moro declarou que Bolsonaro 'mais de uma vez' que queria ter um 'contato pessoal' dele no comando da Polícia Federal, para que ele 'pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência'.
O senador Randolfe Rodrigues, que assina o pedido de impeachment, afirma que a declaração do ex-ministro seria prova de tentativa de interferências de Bolsonaro no comando da PF. "Após a grave delação de Sérgio Moro durante seu pedido de demissão, fica claro que o objetivo de Bolsonaro era interferir na autonomia da Policia Federal. Não podemos e não deixaremos que essa situação seja varrida para debaixo do tapete. É inaceitável que a maior autoridade do país saia impune desses crimes", disse.
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) também informou, na tarde de hoje, que pedirá impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Segundo nota, a decisão foi tomada após denúncias feitas pelo agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro durante anúncio de sua demissão.
Durante pronunciamento, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter informações sigilosas. Ainda disse que não teria assinado a exoneração do diretor-geral da PF, embora o documento publicado no Diário Oficial tenha sua assinatura.
O partido também informou que deu início à criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para "investigar as práticas de crimes de obstrução de justiça, falsidade ideológica, prevaricação, tráfico de influência, entre outras condutas criminosas que possam ter sido cometidas por Bolsonaro".
Após passar a tarde na casa de Rodrigo Maia (DEM-RJ), a líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann (PSL-SP), protocolou um pedido de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta sexta, 24. O pedido será com base em crime de responsabilidade.
"Interferência direta de presidente na Polícia Federal, que investiga crime de seus filhos", disse. Ela disse também que conversou com juristas que participaram do processo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para formular seu pedido.
Joice disse que apenas comunicou Maia sobre o pedido e que o deputado "calou-se", sem fazer qualquer comentário. A deputada disse ainda que conversou com outras lideranças mas não especificou quais, e afirmou que não falou com a oposição.
"Até pelo bom andamento do trabalho legislativo, não cabe a mim fazer pressão ao presidente da Câmara", disse. Joice fez críticas a Bolsonaro e elogiou a postura de Sérgio Moro ao deixar o ministério da Justiça e Segurança Publica. "Não é verdade que ele estava negociando uma vaga no Supremo", disse, rebatendo afirmações de Bolsonaro.
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