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Presidente disse que vai vetar o trecho do projeto de ajuda aos Estados que abre possibilidade de reajuste salarial para categorias de servidores públicos
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 7, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, detém 99% do poder de decisão sobre a pauta econômica do governo. Aquele 1% restante, no entanto, fica a cargo de Bolsonaro.
"Quase 10 milhões de brasileiros perderam carteira assinada, os informais já perderam 80% do poder aquisitivo, estão sobrevivendo com parcela R$ 600, que depois de dois meses acaba. E não tem essa de fabricar dinheiro, isso não existe, é inflação, caos e miséria", disse Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada.
Em seguida, um apoiador que acompanhava a fala disse que "o Paulo Guedes está de olho". "O Paulo Guedes é dono de 99% da pauta. Diria até para a imprensa ouvir ali", reagiu Bolsonaro.
Ontem, o Congresso atropelou medida desenhada por Guedes, de congelamento de salários dos servidores públicos, e reduziu em quase R$ 90 bilhões a economia nos gastos do governo federal, Estados e municípios com a folha de pagamento de pessoal até 2021. A decisão teve aval do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL), que relatou ter conversado com Bolsonaro.
Hoje, o presidente disse que vai vetar o trecho do projeto de ajuda aos Estados que abre possibilidade de reajuste salarial para categorias de servidores públicos, mesmo em meio à pandemia de coronavírus. "Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia. Se ele acha que deve vetar, assim será feito", disse o presidente.
Bolsonaro costuma deixar claro que dá liberdade para os ministros, mas que é ele quem dá a palavra final sobre as questões do governo e até nomeações. A postura foi evidenciada com a saída do ex-ministro Sergio Moro do governo, que afirmou ter sofrido pressão para trocar o comando da Polícia Federal.
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No último sábado, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou, no depoimento que prestou à Polícia Federal, que Bolsonaro disse em fevereiro, por mensagem de celular, que queria indicar um novo superintendente para a Polícia Federal no Rio de Janeiro, Estado no qual o presidente construiu a carreira política.
Segundo Moro, a mensagem tinha mais ou menos o seguinte teor: "Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro".
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