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propostas para a crise

Dez projetos no Congresso miram sistema financeiro em meio à pandemia

Propostas de senadores e deputados aparecem em meio a críticas de vários setores sobre dificuldades de acesso ao crédito para manter suas operações

28ª Sessão Deliberativa - Sessão Remota do Senado - Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Desde o início da crise deflagrada pela pandemia da covid-19, parlamentares já apresentaram ao menos 336 propostas de lei (entre projetos completos e emendas a outros textos) que têm como alvo o setor financeiro, mostra levantamento feito pelo Estadão/Broadcast.

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Embora de caráter temporário, essa "pauta bomba" - como os bancos se referem às iniciativas - inclui desde o tabelamento de juros em modalidades como o cheque especial e o cartão de crédito até o aumento de impostos para o segmento.

As propostas de senadores e deputados aparecem em meio a críticas de vários setores sobre dificuldades de acesso ao crédito para manter suas operações. Nesse sentido, praticamente metade das medidas (161) tratam dessa questão. Mais especificamente, impõem restrições a empréstimos já contratados. O principal alvo é o consignado, com desconto em folha. Outro tema em destaque é o tributário, com mais de 30 propostas de leis. Há ainda medidas que limitam a cobrança de tarifas por parte dos bancos, bem como as que embutem mudanças no processo de recuperação judicial por parte das empresas.

Um dos projetos mais polêmicos é o que estabelece um teto na cobrança de juros do cheque especial e do cartão, de autoria do senador Alvaro Dias (Podemos-PR). Também impede os bancos de mexerem nos limites de crédito dos clientes durante a crise. O tema estava para ser votado na sexta-feira passada, mas foi retirado da pauta, em meio à pressão dos bancos.

Efeitos

Para as instituições financeiras, o projeto pode causar "redução severa" na oferta de empréstimos, justamente em um momento de crise. O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou que as propostas de leis em andamento têm boas intenções sob a ótica dos tomadores de crédito, mas que há risco de "fragilizar" o sistema financeiro.

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"Essas medidas, para conceder crédito abaixo da remuneração adequada ao risco, podem trazer duas consequências: uma, o crédito desaparecer e, outra, fragilizar o balanço dos bancos e o sistema bancário", disse. "Temos uma crise de saúde, uma econômica e política. Certamente, não precisamos de uma crise no sistema financeiro."

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Os bancos dizem já ter desembolsado mais de R$ 540 bilhões em crédito novo, conforme dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O montante inclui contratações, renovações e suspensão de parcelas. "A liberação de recursos que a indústria bancária fez nos últimos 45 dias não foi vista nos últimos anos no Brasil", disse o diretor de empréstimos do Bradesco, Leandro Diniz.

O risco de avanço dessas pautas aproximou os bancos do Congresso. A interlocução tem no comando o ex-BC e presidente da Febraban, Isaac Sidney. Na cadeira desde janeiro, ele tem procurado senadores e deputados para falar sobre possíveis impactos das propostas de leis para o crédito.

A força-tarefa dos bancos tem se refletido no andamento das propostas. O projeto de lei que limita os juros, por exemplo, não só foi retirado da pauta como foi alterado. Conforme nova proposta do relator, o senador Lasier Costa Martins (Podemos-RS), o teto dos juros foi elevado de 20% para 30% ao ano. No caso das fintechs, o limite iria até 35%. "Ainda assim, a conta não fecha. Se uma medida dessa passa, os pequenos entrantes serão destruídos. O setor não é somente formado por cinco grandes bancos", diz Bruno Balduccinio, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados.

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Do lado tributário, os bancos tentam negociar uma elevação temporária na CSLL. Há um total de dez propostas de lei sobre o tema no Congresso. Uma delas é do vice-presidente do Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), que defende a elevação da alíquota de 20% para 50% como uma forma de extrair recursos dos bancos. Para evitar que o assunto ganhe corpo, as instituições negociam elevar a CSLL para 25%, como uma medida temporária durante a crise da covid-19.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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