‘Vamos subir em cadáveres para fazer palanque?’, perguntas Guedes
O ministro avisou que não se pode "deixar que se aproveitem de momento de fragilidade do País" para pedir aumentos salariais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a tentativa de governadores de conceder reajustes salariais e outros benefícios a servidores em meio à pandemia e voltou a defender o veto a um trecho do socorro a Estados e municípios que permite esses aumentos.
Em coletiva no Palácio do Planalto, o ministro comparou o lobby do funcionalismo por reajustes a uma tentativa de "saquear" o País em meio à pandemia e alertou que "a sociedade vai punir quem subir em cadáveres para fazer palanque".
Guedes também fez um aceno ao Centrão, bloco de partidos ao qual o Palácio do Planalto se aproximou em meio à crise política como forma de garantir sua governabilidade, ao refutar qualquer "toma lá dá cá" e dizer que se trata de um "centro democrático programático, não fisiológico".
Mas pediu ao Congresso Nacional que mantenha o veto prometido pelo presidente Jair Bolsonaro aos reajustes.
"O presidente disse 'conte comigo, nós vamos fazer esse veto'. Mas o presidente não quer que o veto se transforme em exploração política (com derrubada)", disse o ministro, solicitando "colaboração" do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nessa articulação.
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"O importante para o Brasil não é só a busca por popularidade", afirmou Guedes, acrescentando que Bolsonaro "é popular, não populista".
"O pedido que faço é que não transformem isso (veto) em ato inútil", disse o ministro.
O projeto de socorro a Estados e municípios foi aprovado no Congresso Nacional com um aval do próprio presidente para beneficiar o funcionalismo, principalmente da área de segurança, atropelando a orientação do ministro Guedes de garantir essa contrapartida ao socorro de R$ 125 bilhões aos Estados e municípios.
O congelamento integral garante economia de R$ 130 bilhões para União, Estados e municípios. Da forma como foi aprovado no Congresso, o texto dá alívio de apenas R$ 43 bilhões. Depois de dar o aval, porém, Bolsonaro avisou que atenderia "100%" ao pedido do ministro da Economia para vetar o dispositivo.
Sanção
O Estadão/Broadcast revelou, no entanto, que Bolsonaro segura a sanção da proposta e o veto aos reajustes para que policiais do Distrito Federal consigam ter aprovado aumento prometido desde o fim do ano passado. Os recursos que pagam os salários das forças de segurança do DF são bancados pela União.
Hoje, Guedes criticou a tentativa das categorias de pedir aumento. "É inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão. As medalhas são dadas após a guerra, não antes da guerra", disse. "Que história é essa de pedir aumento antes porque policial vai trabalhar mais? Se policial trabalhar mais, ótimo, recebe hora extra", acrescentou.
O ministro avisou que não se pode "deixar que se aproveitem de momento de fragilidade do País" para pedir aumentos salariais. "Vamos subir em cadáveres para fazer palanque? Vamos subir em cadáveres para se aproveitar do governo? A sociedade vai punir quem subir em cadáveres para fazer palanque", disse.
Ao criticar o lobby pelos reajustes, Guedes fez questão de ressaltar que não vai faltar dinheiro para a saúde. O ministro, porém, pediu "respeito de parte a parte".
"Estamos lutando a bordo do mesmo barco. Vamos esperar chegar em terra firme, aí começa a brigar de novo", disse.
*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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