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Investidores da bolsa monitoram fiscal e covid na Europa, em meio a tentativas de estímulos nos EUA; balanço da Netflix é destaque lá fora, e Weg por aqui
Correção: Ao contrário do informado, a Amazon e a Microsoft divulgam seus resultados apenas na semana que vem, não nesta semana
O Ibovespa teve uma semana positiva, sem no entanto conseguir alcançar o patamar psicológico de 100 mil pontos. O índice chegou brevemente a flertar com o nível, mas sofreu da cautela disseminada nos mercados globais e também de um movimento de queda de principais papéis, como Petrobras e bancos.
Nesta semana, em âmbito global, as preocupações com a covid-19 voltaram a pesar no sentimento dos investidores. Afinal, ainda estamos na pandemia e a falta de uma vacina sempre põe em risco a tentativa de restabelecer um fluxo normal de circulação de pessoas. A Europa foi a primeira a demonstrar que os temores de uma segunda onda de infecções estão longe de receios: eles já são realidade.
França e Portugal já limitaram o livre trânsito de seus cidadãos. A primeira decidiu por um toque de recolher que envolveu a sua maior cidade, a capital Paris. Os lusos, por sua vez, decretaram estado de calamidade a fim de mitigar a contaminação pelo Sars-Cov-2. Mas não tem sido fácil. Mostram os números que o continente tem registrado média de 100 mil novos casos por dia.
Tal fator já amedrontaria os agentes financeiros no geral, uma vez que novas medidas de restrição diminuem a intensidade da normalização da economia, impactando a sua recuperação.
O segundo fator desestimula ainda mais a tomada de risco, permanecendo no radar dos investidores há um bom tempo: a incerteza com mais estímulos fiscais nos Estados Unidos. Um pacote do tipo, já avisou Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central americano, seria necessário para uma recuperação mais rápida.
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O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, tratou de minimizar as chances de um acordo nesse sentido antes das eleições, o que também contribuiu para o “risk-off” durante algumas sessões.
Daqui em diante, teremos mais dados a respeito das empresas, o que dará a oportunidade de os investidores avaliarem o estado dos negócios. Nos EUA, os primeiros destaques corporativos pesados trouxeram sinais mistos, com JP Morgan e Goldman Sachs aumentando os seus lucros na comparação anual e Wells Fargo e Bank of America decepcionando.
Se botar na balança tudo isso de ruim e de inconclusivo, o principal índice acionário da B3 fez bem nesta semana: terminou em alta superior a 1%, aos 98.309 pontos. Um fator que levantou a bolsa brasileira também foi a expectativa para os balanços, que terão sequência nesta semana que começa amanhã.
Além do risco fiscal e das incertezas externas, os resultados do terceiro trimestre são um "driver" para o índice, uma vez que demonstrarão até que ponto as empresas foram capazes de se recuperar ou melhorar os seus números após um segundo trimestre que foi acertado em cheio pelas medidas de distanciamento social.
No radar local, ficam os resultados da empresa à prova de crise que está entre as maiores altas percentuais do Ibovespa no ano, a Weg. Lá fora, pesos-pesados comandam a mais nova bateria de balanços e dados relevantes na agenda econômica, como o PIB da China do terceiro trimestre, devem afetar os negócios nos mercados.
As big techs vão ter a chance de mostrar aos investidores que seguem muito bem, obrigado. Nomes de destaque do Nasdaq como a Netflix serão monitorados de perto. A Tesla, do excêntrico Elon Musk, é outra a soltar os números trimestrais.
No mês passado, que parece a uma infinidade de distância, a queda das gigantes da tecnologia foi um grande problema nos mercados. Falamos disso com cuidado em nosso podcast. À época, também tratamos de endereçar qual era o problema: afinal, há uma bolha 2.0, à maneira da dos anos 2000? Até a SPX chegou a apostar contra essas empresas.
Na verdade, um dos nossos colunistas já chegou a dizer que a correção é natural, embora os mercados não estejam operando segundo seus fundamentos, mas sim, de acordo com a cor do dinheiro que vem do Fed.
De qualquer forma, os números destas companhias vão dar aos investidores o sinal de mais compra ou de venda. Gigantes em diversos sentidos, os resultados vão pesar sobre o humor dos investidores.
A agenda econômica não é menos relevante: trará um dado importantíssimo, a respeito da saúde da economia chinesa — "apenas" o PIB da segunda maior economia do mundo no terceiro trimestre. Falas de autoridades monetárias, como Powell e também Christine Lagarde, do Banco Central Europeu, mantêm a atenção do mercado.
Confira o calendário abaixo:
A Weg é a soberana do Ibovespa em um ano caótico, com a maior pandemia dos últimos 100 anos.
A ação da fabricante de motores elétricos e equipamentos para infraestrutura já disparou 140% no acumulado de 2020, confortavelmente acima da segunda maior alta do índice, o Magazine Luiza, que tem avanço de 115% no ano.
Agora, a Weg porá a confiança dos investidores à prova.
A companhia publicará seus resultados trimestrais obtidos de julho a setembro na quarta (16), antes da abertura dos mercados.
Na macroeconomia, a inflação traz novos dados. O principal deles é o IPCA-15, a chamada prévia do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de outubro.
Na semana passada, o IGP-M marcou alta de 3,20% em outubro, resultado acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo Broadcast. Na retrasada, o IPCA mostrou aceleração da inflação em setembro, o maior resultado para o mês desde 2003.
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