Menu
2020-07-31T17:24:28-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
números da gigante estatal

Petrobras tem prejuízo de R$ 2,7 bilhões no 2º trimestre, com impacto do coronavírus nas operações

Sem ajustes contábeis relacionados à perda de valor de seus ativos e se beneficiando de decisão judicial, a Petrobras moderou significativamente as perdas após prejuízo de quase R$ 50 bilhões no 1º trimestre. Ainda assim, o coronavírus pesou nas operações da empresa

30 de julho de 2020
20:52 - atualizado às 17:24
Petrobras plataforma P-66
Imagem: André Motta de Souza / Agência Petrobras

A Petrobras diminuiu o enorme prejuízo líquido verificado no 1º trimestre do ano, de R$ 48,5 bilhões, e, no 2º trimestre, registrou perdas muito mais moderadas, no total de R$ 2,713 bilhões. Foi um prejuízo 94,4% menor que o do trimestre anterior. Na comparação anual, a estatal reverteu o lucro de R$ 18,9 bilhões, apurado no segundo trimestre de 2019, diante de impactos do coronavírus na sua operação.

A ausência de impairments — a desvalorização contábil dos ativos, que foi a razão dos resultados ruins no início do ano, devido à perda de valor de suas reservas de petróleo com o colapso do Brent — é a explicação principal para o melhor desempenho da empresa no período, segundo o relatório de desempenho financeiro.

A estatal também teve um ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins após decisão judicial favorável, com efeito de R$ 10,9 bilhões no balanço.

A empresa deixou claro que a ausência destes aspectos em seu balanço não impediriam números mais negativos devidos à pandemia do coronavírus.

"Excluindo esses fatores, o resultado teria sido pior devido aos impactos da COVID-19 em nossas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes."

Petrobras, em mensagem aos acionistas

Diferentemente dos três primeiros meses do ano, em que as operações da Petrobras não sentiram grandes impactos da pandemia nos seus números, o 2º trimestre foi afetado pela covid-19 e pelo colapso dos preços de petróleo resultantes das negociações da OPEP+.

Coronavírus afeta operações

Praticamente todos os produtos foram fortemente afetados por esse cenário, disse a Petrobras, levando a uma queda de 33% na receita líquida no período, para R$ 50,9 bilhões.

No período, o petróleo Brent, em reais, caiu 29% em relação ao 1º trimestre, intensificando a tendência de queda que começou em março.

A exportação de petróleo e derivados totalizou R$ 14,9 bilhões no período, em queda de 40% na comparação trimestral. A Petrobras destacou o aumento da demanda por petróleo pela retomada das atividades na China, após o país sofrer os impactos iniciais devidos ao coronavírus.

No mercado doméstico, as vendas caíram 31%, para R$ 33,7 bilhões. Com a queda abrupta no preço do querosene de aviação, diesel e gasolina tiveram maior relevância, correspondentes a mais da metade dessas vendas.

Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado caiu 33% quando comparado ao 1º trimestre, chegando aos R$ 25 bilhões. O tombo do Brent, a alta volatilidade do mercado de óleo e gás e a contração da demanda global, que levou à redução nas margens de óleo e derivados, explicam esse encolhimento.

"Também contribuíram para esse resultado despesas relacionadas ao provisionamento dos planos de demissão voluntária (R$ 4,8 bilhões) e despesas com hedge (R$ 2,7 bilhões)", disse a empresa.

Endividamento e caixa

A Petrobras informou que mantém R$ 106,6 bilhões em caixa e equivalentes de caixa em meio à crise da pandemia.

A companhia captou R$ 30 bilhões no 2º trimestre para fortalecer a sua posição de liquidez, além de gerar caixa operacional de R$ 29,3 bilhões que, somados a desinvestimentos de R$ 866 milhões, serviram para pagar dívidas antecipadamente, realizar investimentos e amortizações.

A geração operacional caiu 16% no trimestre em relação ao início do ano, principalmente devido ao menor preço do Brent e a menores produção e vendas, como consequência da pandemia.

O fluxo de caixa livre da empresa caiu forte em comparação aos primeiros meses do ano: 41%, para R$ 15,775 bilhões.

O choque global forçou a empresa a interromper a desalavancagem — processo de redução da relação dívida/patrimônio. A relação dívida líquida/Ebitda, em dólar, aumentou no 2º trimestre em relação ao trimestre inicial do ano de 2,15x para 2,34x.

Ainda assim, a dívida líquida decresceu US$ 8 bilhões no primeiro semestre do ano, evidenciando que não houve queima de caixa, e caiu 2,6% em relação ao 1º trimestre, para R$ 71,2 bilhões.

Mercado estável

A empresa afirmou que não está realizando hedge das exportações de petróleo atualmente, pois vê que o mercado se encontra mais estável.

As operações de hedge de petróleo foram essenciais para garantir margem positiva à companhia quando o mercado estava muito volátil, e a Petrobras disse que poderá retomar essa prática se julgar necessário.

Reação leve

O ADR da Petrobras, recibo de ação negociada nos Estados Unidos, tem reação leve aos resultados até o momento.

O papel opera em queda de 0,44%, para US$ 9,04, na bolsa de Nova York.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

ARMADILHAS FINANCEIRAS

Dois investimentos que parecem uma boa, mas são ‘cilada’

As armadilhas costumam travestir-se de “grandes retornos, com baixo risco”.

Coronavírus

Brasil atinge 100 mil mortos por covid-19; STF decreta luto de 3 dias

Enquanto isso, Bolsonaro destaca 2 milhões de recuperados

Balanço

Lucro da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, sobe 87% no 2º trimestre

Recuperação do mercado de ações teve bons reflexos no balanço da companhia do megainvestidor Warren Buffett, mas no ano a empresa ainda amarga prejuízo

Às vésperas do orçamento

Ministros pedem mais recursos a Guedes

Sob pressão interna para ampliar os gastos como forma de combater os efeitos econômicos da covid-19, o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa entregar o Orçamento do ano que vem até o dia 31 deste mês

Entrevista

Meirelles: ‘A raiz da pressão por aumento de gastos é sempre a mesma, eleição’

Em entrevista ao Estadão, Henrique Meirelles lembra que o País tem pouca memória e que quebrar o teto levaria a uma crise muito maior do que a de 2015

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements