Como o Alibaba deixou de ser símbolo para virar alvo do governo chinês
Crítica de Jack Ma fez autoridades apertarem cerco contra gigante do e-commerce e sua fintech, o Ant Group, que vê sonho do IPO mais distante

O governo da China está apertando o cerco contra Jack Ma e seu império eletrônico. De exemplo de sucesso no país, os negócios do bilionário estão passando por um intenso escrutínio, depois de ele ter feito críticas à campanha do presidente Xi Jinping para controlar riscos financeiros.
O mais recente golpe foi dado no domingo (27), quando o PBoC, o banco central da China, ordenou que a fintech da Alibaba, o Ant Group, revise suas atividades e retome o foco no segmento de pagamentos digitais. Atualmente, ela oferece também empréstimos e seguros aos consumidores.
Sem entrar em detalhes, o comunicado do PBoC também acusou o Ant Group de “fazer vista grossa” a questões regulatórias, afirmando que a governança corporativa é muito baixa, e que a companhia aproveitou sua posição dominante para excluir rivais, prejudicando os consumidores. A nota foi divulgada depois de uma reunião entre a autoridade monetária, o Ant e reguladores de valores mobiliários chineses no último sábado (26).
O efeito do comunicado foi imediato. As ações do Alibaba fecharam nesta segunda-feira (28) com queda 7,98% na Bolsa de Valores de Hong Kong.
A decisão do banco central chinês prejudica ainda mais a intensão de Ma, de 56 anos, de realizar a abertura de capital do Ant Financial. Em novembro, a Bolsa de Xangai cancelou a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da fintech, após executivos da companhia, incluindo Ma, se reunirem com reguladores chineses.
Leia Também
Com mais de 1 bilhão de usuários, a companhia planejava realizar uma listagem dupla - tanto em Xangai quanto em Hong Kong - e levantar cerca de US$ 34,5 bilhões, no que seria o maior IPO da história.
Medidas antitruste
Antes do comunicado de domingo do PBoC, as autoridades chinesas já tinham anunciado outras medidas contra o Alibaba.
Na véspera do Natal, os reguladores anunciaram o início de investigações antitruste contra o gigante do e-commerce. Segundo a Administração Estatal de Regulamentação do Mercado, responsável pelo inquérito, a medida foi tomada após relatos de que a plataforma de comércio eletrônico pressiona comerciantes a não venderem produtos em concorrentes.
O resultado foi um tombo de 8% das ações na última quinta-feira (24). Combinado com o recuo de hoje, a gigante do varejo eletrônico perdeu US$ 273 bilhões em valor de mercado, deixando de ser a companhia de capital aberto mais valiosa da China, segundo o jornal “The Wall Street Journal”.
Críticas ao governo
É difícil saber exatamente os motivos que levaram as autoridades chinesas a se voltarem contra um de seus filhos mais queridos, dada a pouca transparência do regime chinês.
Mas analistas apontam para as críticas que Ma fez em 24 de outubro. Em conferência financeira ocorrida em Xangai, ele disse que os regulamentos financeiros da China são um obstáculo à inovação tecnológica, dizendo que “não devemos usar a maneira de administrar uma estação de trem para regular um aeroporto”. Ele afirmou ainda que os bancos locais operam com uma mentalidade de “casa de penhores”, de acordo com relato do jornal japonês Nikkei Asia.
Os comentários foram feitos na frente do vice-presidente Wang Qishan, responsável pela administração de questões financeiras na China, e também foram dirigidos ao vice premiê Liu He, assessor de Xi que supervisiona a política macroeconômica da China, segundo a publicação.
As falas podem não parecer controversas para nós, mas são percebidas como uma grande afronta na China. Apesar de ter construído um império bilionário, Jack Ma não passa de mais um cidadão, devendo lealdade absoluta ao sistema.
Fora isso, muitos analistas apontam para a falta de proximidade entre ele e Xi Jinping, que trabalha para consolidar sua liderança e é conhecido por ser pouco afeito a dissidências e figuras com mais proeminência do que ele.
Ma tinha relações próximas com o ex-presidente Jiang Zemin, de acordo Nikkei Asia, mas está distante da atual administração. Ao contrário de outros empresários do ramo de tecnologia, ele não participa da reunião anual da legislatura e dos encontros do principal órgão consultivo político.
Tentando remediar a situação
Sentindo o baque das medidas tomadas pelas autoridades, o Alibaba recuou. Ele informou que cooperará “ativamente” com as investigações antitruste e que iniciou “imediatamente” a elaboração de planos e medidas para atender as demandas apresentadas pelo PBoc.
As ações tomadas pela gigante de comércio eletrônico foram para além de emissão de comunicados. No início de novembro, Ma chegou a oferecer parte do Ant Group para o governo da China, de acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias “Dow Jones Newswires”.
Enquanto tenta reatar as relações com as autoridades, o Alibaba anunciou hoje que aumentará a recompra de ações de US$ 6 bilhões para US$ 10 bilhões. A vigência do programa também foi expandida em dois anos, ficando marcado para terminar no final de 2022.
SEMANA CHEIA
Maior queda de hoje: Tenda (TEND3) cai mais de 6% após mudança de comando e estreia no Ibovespa
9 de setembro de 2026 - 15:48ALOCAÇÃO DE CAPITAL
O que o Banco do Brasil (BBAS3) está vendo na Argentina para continuar colocando dinheiro no país?
9 de setembro de 2026 - 14:27ALTA DOS PREÇOS
Fim da crise no agro está próximo? JP Morgan elege ação favorita no setor, que pode subir até 36,5%
9 de setembro de 2026 - 11:17MUDANÇAS NA BOLSA
INBR32 dá adeus à B3: Inter prepara mudança nos BDRs e deixa uma decisão importante para os investidores
9 de setembro de 2026 - 9:39CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) tem mais dinheiro em caixa — vêm mais dividendos por aí? Entenda os planos da empresa para gerar mais retorno
9 de setembro de 2026 - 6:11FAXINA NO ARMÁRIO
Enjoei (ENJU3) vai desapegar dos centavos com grupamento de ações na razão de 10 para 1
8 de setembro de 2026 - 20:04TROCA DE GUARDA
Marcos Cruz assume oficialmente como CEO da Tenda (TEND3); saiba o que muda na construtora
8 de setembro de 2026 - 19:15TESOURA NAS ESTIMATIVAS
BofA corta apostas em bancos, mas vê espaço para alta em Itaú, BTG e mais 3 ações; veja quais
8 de setembro de 2026 - 18:24EXPANSÃO INTERNACIONAL
Inter chega à Argentina com conta em dólar e acesso a Wall Street; veja o que está por trás da estratégia
8 de setembro de 2026 - 16:23ASSÉDIO ELEITORAL?
“Vocês vão ter que arranjar outro emprego”: a frase que levou o MPT para cima do “Véio da Havan”.
8 de setembro de 2026 - 11:11INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Sucessor de Warren Buffett diz como Berkshire Hathaway vai ganhar dinheiro com IA (a resposta não está só na bolsa)
7 de setembro de 2026 - 15:35FILHA DO DIVÓRCIO
Farm vale mais que a Azzas (AZZA3) na bolsa? Marca deve receber propostas neste mês após ruptura entre Arezzo e Soma, diz jornal
7 de setembro de 2026 - 10:35FALÊNCIA
190, 192 e 193: Anatel autoriza venda da telefonia fixa da Oi (OIBR3) por R$ 60 milhões
7 de setembro de 2026 - 9:20DE OLHO NAS DÍVIDAS
Adeus, CSN Cimentos? Novo CEO da CSN (CSNA3) prepara venda de ativos bilionários, diz jornal
6 de setembro de 2026 - 12:55PODCAST TOUROS E URSOS
Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?
6 de setembro de 2026 - 11:15AGENTES DE IA
O próximo concorrente de Visa e Mastercard pode não ser um banco, mas uma inteligência artificial
5 de setembro de 2026 - 14:55BENEFÍCIOS
A próxima batalha dos bancos é pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA)
5 de setembro de 2026 - 13:22PERDEU O ENTUSIASMO
Intelbras (INTB3): ação ainda pode subir 22%, mas JP Morgan já não recomenda compra; confira os motivos
4 de setembro de 2026 - 17:42GORDURA NO CAPITAL?
Méliuz (CASH3) diz que tem capital demais e quer ‘cortar’ R$ 160 milhões da própria conta; entenda
4 de setembro de 2026 - 16:37Conteúdo BTG Pactual