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2020-04-13T12:48:09-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Efeito coronavírus

Bradesco já fala em prorrogar pagamento de dívidas para além de 60 dias

Banco já prorrogou 1,2 milhão de financiamentos, em parcelas que estavam previstas para vencer nos meses de abril e maio e nas taxas de juros originais do contrato, segundo o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari

13 de abril de 2020
11:41 - atualizado às 12:48
Octavio de Lazari, presidente do Bradesco
Octavio de Lazari, presidente do Bradesco - Imagem: Divulgação CIAB

Sem uma solução para a pandemia do coronavírus à vista no curtíssimo prazo, os bancos provavelmente terão de dar mais prazo para o pagamento de dívidas além da prorrogação de 60 dias já realizada. A afirmação é do presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

O banco já prorrogou 1,2 milhão de financiamentos, em parcelas que estavam previstas para vencer nos meses de abril e maio e nas taxas juros originais do contrato, segundo Lazari.

“Obviamente, dependendo da extensão do prazo da situação da covid, talvez seja necessário prorrogar por um prazo maior”, disse Lazari, que participou de uma teleconferência com jornalistas e analistas.

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Sem represamento

O presidente do Bradesco negou que os bancos estejam represando os recursos liberados pelo Banco Central para fazer o dinheiro circular na economia.

Desde o dia 7 de março, quando o Bradesco recebeu R$ 26,4 bilhões em recursos dos depósitos compulsórios, o banco contratou 32,8 bilhões em operações de crédito, segundo Lazari.

O que houve nas primeiras semanas após o agravamento da epidemia de coronavírus foi um crescimento “brutal” na demanda por capital de giro pelas empresas. “Houve uma busca desenfreada por liquidez.”

O volume de pedidos de crédito cresceu 10 vezes nesse período e chegou aos R$ 20 bilhões, segundo Lazari. “O problema já foi superado e voltou aos R$ 2 bilhões por dia.”

Folha de pagamento

Sobre a linha de R$ 40 bilhões anunciada pelo Banco Central para financiar a folha de pagamento das pequenas e médias empresas, Lazari disse que o Bradesco possui 54 mil clientes pré-aprovados.

Desse total, 20% já se valeram do empréstimo, cujo custo é equivalente à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 3,75% ao ano. O banco espera ampliar o número de empresas que podem se valer da linha para 125 mil, o que garantiria o pagamento do salário de 1,7 milhão de pessoas.

Juro não subiu

O presidente do Bradesco negou também que o banco tenha aumentado as taxas de juros nas operações de crédito em meio à crise. Lazari disse ainda que não há nenhuma pretensão de elevar as taxas.

“Mandamos nossa base de dados para o Banco Central, que mostra as taxas mantidas exatamente iguais nas últimas três semanas, e em alguns casos houve até diminuição” – Octavio de Lazari, Bradesco

Aquisições no radar?

Durante a teleconferência, eu perguntei ao presidente do Bradesco sobre possíveis aquisições de bancos de menor porte e empresas de tecnologia financeira (fintechs) em meio à crise.

Na semana passada, o site Brazil Journal publicou que o Bradesco avalia a compra de uma participação no C6 Bank.

Lazari respondeu que, embora o banco avalie constantemente aquisições, não há nenhuma negociação em curso neste momento.

Dividendos

Após a decisão do BC de limitar o pagamento de dividendos pelos bancos ao mínimo obrigatório pela lei (25% do lucro) ou do estatuto, o Bradesco deverá optar pelo segundo caminho, segundo André Cano, diretor vice-presidente da instituição.

O estatuto do Bradesco determina a distribuição de pelo menos 30% dos resultados. Ao ser questionado, Cano afirmou que o banco não deve cortar o pagamento aos acionistas e deve se ater ao mínimo previsto no estatuto. “A [distribuição] mínima de 30% deve ser mantida”, disse.

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