Ações de Oi, Vivo e TIM sobem após decreto sobre obrigações regulatórias
Medida abre uma avenida de negócios no setor; Oi deve sair na frente, pois tem a maior capilaridade do País

As ações das teles Oi, Telefônica (dona da Vivo) e TIM sobem em bloco nesta quinta-feira (18), após a publicação em Diário Oficial na noite de ontem do decreto que regulamenta a lei das teles (13.879/19). Por volta das 12h, o desempenho dos papéis era o seguinte:
- Oi (OIBR4): R$ 1,42 (+5,12%)
- Telefônica (VIVT4): R$ 50,84 (+2,42%)
- TIM (TIMP3): R$ 14,83 (+1,37%)
Segundo o decreto, as operadoras de telefonia fixa que quiserem migrar do regime de concessão para o de autorização poderão contratar um terceiro para oferecer o serviço nos locais onde não quiserem estar presentes.
A migração de regimes é voluntária, porém bastante almejada por Telefônica, Oi e Embratel (do grupo Claro). A mudança permitirá a troca de obrigações regulatórias assumidas na concessão de 1997 e consideradas obsoletas hoje em dia, como manutenção de orelhões, por investimentos na expansão da banda larga em regiões carentes de acesso.
O artigo 7º do decreto prevê que a operadora que optar pela migração "poderá contratar com terceiro a construção e a operação da infraestrutura para atendimento aos compromissos de investimento".
Oi sai na frente
A medida abre uma avenida de negócios no setor. Nesse aspecto, a Oi sai na frente, pois tem a maior capilaridade do País, com 388 mil quilômetros de rede de fibra ótica, cobertura de 2,3 mil cidades e 6 milhões de residências habilitadas.
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Aliás, o decreto coincide com o anúncio do novo plano de negócios da Oi feito nesta semana, que prevê a constituição de uma subsidiária voltada ao fornecimento de infraestrutura para outras operadoras.
Além da Oi, os provedores regionais de banda larga também poderão tirar uma grande vantagem do decreto ao atender as teles em zonas onde elas dificilmente terão condições de alcançar. De acordo com o decreto, o mínimo de 50% das metas deverá ser cumprido nas regiões Norte e Nordeste - as mais carentes no acesso à internet rápida.
Prazos
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) terá seis meses para regulamentar os termos para que as operadoras de telefonia fixa possam migrar do regime de concessão para autorização. O prazo passa a contar a partir da publicação do decreto.
Já a conclusão do processo inteiro deve demorar bem mais que isso. Conforme apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a migração deve atrasar e ficar apenas para 2023. Isso porque houve uma demora da agência reguladora em definir o saldo dos bens reversíveis para a mudança de regime.
[captacao]
Os bens reversíveis são aqueles ativos considerados públicos, mas que ficam em posse das operadoras para prestação do serviço de telefonia durante o período de concessão. O inventário abrange desde redes, equipamentos até imóveis. A avaliação e cálculo do valor será feito por uma empresa especializada e levará um ano, segundo a Anatel.
Na mudança de regime, as operadoras poderão ficar em definitivo com os bens reversíveis em troca dos investimentos em banda larga.
Por sua vez, as empresas alegam que uma boa parte dos ativos se deteriorou desde o início da concessão ou caiu em desuso pela troca de tecnologias, o que levaria seu valor a zero.
Na prática, isso se traduziria na necessidade de menos investimentos por elas numa eventual mudança de regime. Mas isso será questionado e examinado com lupa pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
*Com informações de Estadão Conteúdo
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