2020-03-29T15:52:45-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
AVIAÇÃO

Ações da Gol e da Azul estão entre os três papéis de aéreas do mundo com maior queda no ano

Segundo a Economatica, a queda nas ações da Gol do começo do ano até a última sexta-feira (20) foi de 84,13%. Já no caso dos papéis da Azul, o recuo foi um pouco menor e ficou em 81,01%

21 de março de 2020
12:16 - atualizado às 15:52
Imagem: YouTube

A situação não anda nada fácil para as companhias aéreas ao redor mundo, que vêm sendo bastante impactadas pelo recuo na demanda de viagens. Na lista dos papéis de áreas com maior desvalorização em dólares em 2020 até ontem (20), as ações da Gol (GOLL4) e da Azul (AZUL4) estão entre as três maiores. O levantamento foi feito pela consultoria Economatica.

Segundo a pesquisa, a queda nas ações da Gol do começo do ano até a última sexta-feira (20) foi de 84,13%. Já no caso dos papéis da Azul, o recuo foi um pouco menor e ficou em 81,01%.

Na ocasião, o valor de mercado em dólares da Gol passou de US$ 3,25 bilhões para US$ 515,03 milhões. A Azul, por sua vez, viu o seu valor de mercado cair de US$ 4,94 bilhões para US$ 938,56 milhões até a última sexta-feira (20).

No acumulado do ano, as desvalorizações de ambas ficaram atrás apenas da contração vista para os papéis da Avianca Holdings S.A, que caíram 84,84% durante o mesmo período.

Apesar das projeções bastantes negativas para ambas, na última sexta-feira (20), as ações da Gol terminaram o pregão cotadas em R$ 7,28, o que representa uma expansão de 20,53%. Os papéis da Azul também acompanharam a alta e subiram 15,29%, cotados em R$ 13,80, de olho em medidas de socorro vindas do governo.

Para o levantamento, a Economatica levou em conta todas as empresas de transporte aéreo regular da América Latina, Estados Unidos e aéreas de todas as partes do mundo que possuem recibos de depósitos de ações (ADRs) listados em Nova Iorque.

Cortes e mais cortes

E o aperto na situação das aéreas fez com que as companhias brasileiras tivessem que se mexer. Não é à toa que Gol e Azul anunciaram medidas drásticas de cortes nesta semana para reduzir custos.

Em comunicado feito na última quinta-feira (19), a Gol disse que ia reduzir a jornada e o salário de funcionários e diretores.

Segundo a aérea, todos os diretores, vice-presidente e CEO vão enfrentar reduções salariais de 40% nos meses de abril, maio e junho. Além disso, a jornada de colaboradores internos e aeroviários sofrerá cortes de 35%, assim como remunerações e benefícios.

Outra medida tomada pela Gol foi o anúncio de que ela irá postergar o pagamento do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2019 para agosto deste ano e que deverá implementar trabalho remoto para todos os colaboradores de áreas administrativas.

Já para os aeronautas, a Gol informou que haverá redução da remuneração e da jornada, levando em conta as horas de voo que serão adequadas à demanda do período.

A Azul também anunciou várias medidas para reduzir o custo fixo de suas operações. Em comunicado, ela informou sobre a criação de um plano de contingência que abre espaço para a licença não remunerada - com 600 pedidos aprovados até o momento - e que prevê a redução de salário de 25% dos membros do comitê executivo até que a situação seja normalizada.

Além disso, ela alertou que o plano não prevê novas contratações - que ficarão suspensas, por enquanto - e posterga o pagamento da PLR do ano passado. A companhia ainda falou sobre o estacionamento de aeronaves e disse que suspendeu a entrega de novos aviões.

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