Projeção de alta do crédito bancário em 2020 passa de 4,8% para 7,6%, diz BC
Já a projeção de crescimento do crédito livre em 2020 passou de 8,2% para 10,6%

O Banco Central (BC) alterou nesta quinta-feira, por meio do Relatório de Economia Bancária (REB), projeções para o mercado de crédito brasileiro em 2020, na esteira dos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia. A estimativa de alta para o saldo de crédito este ano passou de 4,8% para 7,6%.
Já a projeção de crescimento do crédito livre em 2020 passou de 8,2% para 10,6%. No caso dos recursos direcionados, a projeção foi de zero para alta de 3,5%.
Os porcentuais anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em março deste ano. De acordo com o BC, excepcionalmente o REB divulgado hoje trouxe atualização para a projeção de crédito, "tendo em vista a mudança expressiva na conjuntura".
No relatório de hoje, o BC também apontou que o aumento na estimativa do saldo de crédito reflete os impactos da pandemia do novo coronavírus. "Em especial, a aceleração de concessões repercute, principalmente, a busca por recursos por parte de empresas em face à redução dos fluxos de caixa", registrou o BC. "Ressalte-se, adicionalmente, que o movimento também está influenciado pelos efeitos das medidas que abrangeram o mercado de crédito, buscando mitigar danos econômicos causados pelo surto de covid-19."
As cinco maiores instituições financeiras do Brasil - Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander - concentram 80,7% das operações de crédito no País no segmento bancário, conforme dados do REB. Os números referem-se ao mês de dezembro de 2019. Em 2018, o porcentual era de 82,2%.
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Essas cinco instituições concentram 79,2% dos ativos totais e 82,3% dos depósitos. Em 2018, os porcentuais eram de 79,5% e 82,8%, respectivamente.
ICC
O Banco Central também informou que a inadimplência representou 20,84% do spread do Índice de Custo do Crédito (ICC) médio no Brasil em 2019. No fim de 2018, este porcentual era de 21,79%.
O ICC reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento. Já o spread corresponde à diferença entre o custo de captação de recursos, pelos bancos, e o que é efetivamente cobrado de famílias e empresas em operações de crédito, na ponta final.
O relatório mostra que, dentro do spread, o custo de captação dos bancos representou 32,73% no fim de 2019. Em 2018, o porcentual estava em 35,56%. Já as despesas administrativas representaram 18,71% do spread do ICC em 2019, ante 18,09% em 2018.
As despesas com os tributos e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram responsáveis por 13,24% do spread no fim de 2019, ante 13,09% em 2018. Já a margem financeira das instituições representou 14,49% do spread, ante 11,47%.
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