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2020-07-29T18:06:56-03:00
Ricardo Gozzi
Mercados hoje

Ibovespa acelera alta e fecha perto das máximas após Fed sinalizar juro baixo por longo período; dólar sobe

O banco central dos EUA manteve os juros do país inalterados, deu a entender que manterá essa postura no curto prazo e sinalizou que fará o que estiver ao seu alcance para ajudar a economia

29 de julho de 2020
15:11 - atualizado às 18:06
Jerome Powell, presidente do Fed
Imagem: Fed

O Ibovespa já vinha operando em alta consistente desde o início da sessão desta quarta-feira, impulsionado por uma série de balanços trimestrais de empresas brasileiras sugerindo que o pior da crise do novo coronavírus pode ter ficado pra trás. Do meio da tarde em diante, o principal índice do mercado brasileiro de ações foi às máximas do dia depois de o Federal Reserve Bank (Fed, o banco central norte-americano) ter anunciado a manutenção da taxa básica de juro na faixa entre 0% e 0,25% ao ano.

A decisão do Fed foi unânime e já era esperada. Mas em tempos de "novos normais", lidar com uma situação que simplesmente atenda às expectativas acaba sendo motivo de alívio e até mesmo de euforia.

Diante disto, o Ibovespa fechou em alta de 1,44%, a 105.605,17 pontos, perto das máximas do dia. Em Wall Street, os principais índices de ações da bolsa de Nova York também reagiram em alta à decisão de política monetária norte-americana.

No comunicado divulgado logo após a decisão, o Fed reiterou que as taxas básicas de juro permanecerão nos níveis atuais por um período prolongado nos EUA, até que se tenha certeza de que a economia norte-americana resistiu à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Em entrevista coletiva concedida pouco depois do anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, enfatizou que a autoridade monetária norte-americana atuará de modo a limitar danos e assegurar uma recuperação forte da economia dos EUA.

Analistas apontaram que a principal mudança observada no comunicado do Fed em relação ao documento da reunião anterior, em junho, é o fato de a instituição ter vinculado a recuperação econômica à evolução da covid-19. "O caminho da economia dependerá significativamente do curso do vírus", advertiu a autoridade monetária.

Resultados trimestrais

No cenário local, apesar de alguns resultados trimestrais terem vindo pior que o esperado por analistas, os números sugerem que o fundo do poço não tem um alçapão.

Um destes exemplos é a CSN, cujas ações ON (CSNA3) subiram 5,69% apesar de o lucro líquido da siderúrgica ter encolhido 76,4% no segundo trimestre de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Analistas consideraram que as vendas de minério de ferro e aço vieram acima das expectativas.

As units do Santander (SANB11) avançaram 3,24%, puxando as ações do setor bancário, apesar da queda de 41% em seu lucro no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019.

Já a Vale ON (VALE3) encerrou em alta de 4,33% à espera da divulgação do balanço trimestral da mineradora, prevista para depois do fechamento da sessão de hoje.

Enquanto isso, as ações ON e PN da Petrobras (PETR3 e PETR4) subiram 1,71% e 1,62%, respectivamente, acompanhando a alta nos mercados internacionais de petróleo.

No campo negativo, os papéis ON da Cielo (CIEL3) fecharam em queda de 3,52% depois de a companhia ter apresentado o primeiro prejuízo trimestral de sua história.

Mas a maior queda do Ibovespa nesta quarta-feira ficou por conta da Minerva. Os papéis ON da empresa (BEEF3) recuaram 4,41% apesar de a empresa ter apresentado lucro líquido de R$ 253,4 milhões no segundo trimestre. Especialistas argumentam que a geração de caixa deveu-se principalmente a repasse de preços e benefício cambial.

Confira a seguir as 5 maiores altas e as 5 maiores quedas do dia entre os componentes do Ibovespa.

MAIORES ALTAS

  • Natura ON (NTCO3) +6,73%
  • CSN ON (CSNA3) +5,69%
  • Cyrela ON (CYRE3) +4,83%
  • Vale ON (VALE3) +4,33%
  • Sul America Unit (SULA11) +4,07%

MAIORES QUEDAS

  • Minerva ON (BEEF3) -4,41%
  • Cielo ON (CIEL3) -3,52%
  • Gol PN (GOLL4) -3,30%
  • Marfrig ON (MRFG3) -2,68%
  • Azul PN (AZUL4) -2,60%

Dólar e juro

O dólar, por sua vez, firmou-se em alta na reta final da sessão, pressionado pela rolagem de contratos futuros às vésperas da definição da PTax. A moeda norte-americana encerrou o pregão em alta de 0,3%, cotada a R$ 5,1729.

Os contratos de juros futuros, por sua vez, fecharam sem direção clara em meio à expectativa de novo corte na taxa Selic na reunião de política monetária do Banco Central do Brasil em agosto.

Confira os principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,928% para 1,920%;
  • Janeiro/2022: de 2,742% para 2,740%;
  • Janeiro/2023: estável a 3,800%;
  • Janeiro/2025: de 5,363% para 5,430%.
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