🔴 [NO AR] TOUROS E URSOS: QUEM BRILHOU DENTRO E FORA DA ECONOMIA EM 2025? – CONFIRA OS TOUROS DO ANO

Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Dilema

Corte surpresa de juros nos EUA deixa o Copom entre a cruz e a espada

O Fed se antecipou e promoveu um corte extraordinário na taxa de juros do país, de modo a blindar a economia dos efeitos do coronavírus. O movimento, contudo, gerou incerteza e colocou pressão sobre o Copom, que agora está numa encruzilhada para decidir o futuro da Selic

Victor Aguiar
Victor Aguiar
3 de março de 2020
20:30 - atualizado às 14:42
Fed corte de juros
Imagem: Shutterstock

Cortar ou não cortar a Selic, eis a questão: o Copom tem um dilema shakespeariano adiante. Assim como Hamlet, a autoridade monetária brasileira terá que refletir profundamente sobre seus próximos passos, tendo em vista os acontecimentos que lhe foram revelados — e o tempo para a tomada de uma decisão é curto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não, nenhum membro do Copom foi visitado pelo fantasma do rei da Dinamarca. A visão foi muito mais intimidadora: uma movimentação surpresa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na manhã de terça-feira (3), promovendo um corte extraordinário de 0,5 ponto na taxa de juros do país.

Eu, pelo menos, fiquei com os cabelos em pé. Todos os dias, eu monitoro inúmeras telas e gráficos com o desempenho em tempo real dos principais mercados do mundo. E, praticamente ao mesmo tempo — pouco antes das 12h de ontem —, todos os índices deram um salto.

E não é para menos: a última vez que o Fed mexeu na taxa de juros dos EUA fora da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, algo como o Copom de lá) foi no longínquo 2008 — ano da última grande crise financeira global.

Diante de uma situação tão insólita, a equipe do Seu Dinheiro se mobilizou para conversar com economistas e outras fontes do mercado financeiro, tentando entender as causas e consequências da movimentação do Fed. E o tema que domina a atenção é a postura que o BC adotará de agora em diante.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na última reunião, o Copom sinalizou que o ciclo de reduções na Selic terminou nos atuais 4,25% ao ano. Mas, tendo em vista os riscos do surto de coronavírus, a economia doméstica ainda vacilante e a ação surpresa do Fed, o que era dado como certo agora já é duvidoso.

Leia Também

Para os especialistas, mais cortes na Selic não seriam uma boa saída, considerando os níveis já bastante estimulativos da taxa básica de juros. Mas o mercado já se empolga com a possibilidade de mais uma redução, colocando o BC numa posição desconfortável: e agora, o que fazer?

Afinal, há mais coisas entre a política monetária e os ciclos econômicos do que pode imaginar nossa vã filosofia...

Há algo de podre?

Indo aos números: o Fed não esperou pela próxima reunião do Fomc, marcada para o dia 18, e reduziu a taxa de juros do país em 0,5 ponto, para a faixa de 1% a 1,25% ao ano. A ideia é dar um estímulo extra à economia americana, antecipando-se aos eventuais impactos do coronavírus.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Num primeiro momento, o mercado reagiu euforicamente à medida: o Ibovespa e as bolsas dos EUA dispararam, em meio à percepção de que a autoridade monetária americana faria de tudo para blindar a economia do país dos efeitos da doença.

Só que essa injeção de ânimo durou pouco. Logo, uma segunda leitura começou a ganhar força nas mesas de operação: a de que uma ação tão drástica indicava que a situação do coronavírus é muito mais grave do que o imaginado.

"Criou mais desconfiança que confiança", me disse Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, destacando que a postura do presidente do Fed, Jerome Powell, em coletiva de imprensa após o corte extraordinário, contribuiu para aumentar o desconforto — ele citou, de maneira genérica, que os riscos à economia aumentaram.

Precipitado ou não, fato é que o movimento da autoridade americana aumenta a pressão sobre os demais bancos centrais do mundo, uma vez que abre espaço para um novo ciclo global de alívio monetário. Uma situação que coloca o Copom numa encruzilhada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Srour, há agora uma nítida pressão para que o BC corte novamente a Selic — possivelmente, já na reunião do dia 18. No entanto, por mais que o panorama esteja dado, ela acredita que tal medida não seria benéfica.

"Afrouxar ainda mais [os juros] vai trazer consequências não-estimulativas, como a depreciação maior do câmbio", diz a economista-chefe da ARX Investimentos. "Não vejo como um movimento correto, mas o mercado já está precificando".

E, de fato, as curvas de juros de curto prazo mostram que os investidores estão apostando em mais reduções na Selic. Os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 3,96% na segunda-feira para 3,85% ontem, um novo piso histórico para esses contratos.

Há método na loucura

Posição semelhante é assumida por José Márcio Camargo, economista da Genial Investimentos e professor da PUC-Rio. Em entrevista à Julia Wiltgen, ele se mostrou preocupado quanto aos desdobramentos da ação tempestuosa do Fed.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Cortar juros não resolve. Não é um problema de demanda, e sim de oferta", disse ele, mostrando-se cético quanto à eficácia da medida surpresa do BC americano. "Não vai resolver, não vai melhorar a situação e ainda cria uma incerteza no futuro".

Quanto às implicações para o Copom, Camargo também defende a manutenção dos juros no Brasil, uma vez que, no momento, o diferencial nas taxas em relação aos EUA voltou a subir — o que tende a trazer algum alívio ao mercado de câmbio e afastar o dólar das máximas.

Para ele, o BC tem sido explícito em relação à incerteza quanto à potência da política monetária e, nesse cenário, continuar reduzindo a Selic poderia não surtir efeitos práticos — ou pior: poderia gerar um surto inflacionário que forçará uma alta nos juros no futuro.

"Toda surpresa que não tenha fundamentos razoáveis acaba aumentando a incerteza"

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
José Márcio Camargo, economista da Genial Investimentos e professor da PUC-Rio

Quem também mostrou-se surpreso com a postura do Fed foi Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. Embora parte do mercado já ventilasse a hipótese de um corte de juros nos EUA, o timing foi inesperado, já que a reunião oficial ocorrerá em apenas duas semanas.

Em conversa com o Felipe Saturnino, ele disse também enxergar a manutenção da Selic nos atuais 4,25% ao ano como opção mais apropriada, embora reconheça que aumentam as chances de mais um corte nos juros.

Afinal, por mais que o coronavírus represente um risco relevante no horizonte, há também a possibilidade de uma recuperação rápida das economias — e, assim como seus colegas, Rostagno também vê no real já bastante desvalorizado um entrave a mais cortes nos juros por aqui.

"Embora o cenário de inflação permaneça benigno, mesmo com o dólar a R$ 4,50, não há desancoragem de expectativas de inflação, mas começo a ver que a fraqueza relativa do real pode afetar a confiança dos investidores no país".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nada em si é bom ou mau

Pouco após o fechamento dos mercados nesta terça-feira, o Banco Central resolveu se manifestar. O posicionamento da autoridade monetária brasileira não foi tão dramático quanto o do Fed — mas foi, no mínimo, misterioso.

"À luz dos eventos recentes, o impacto sobre a economia brasileira proveniente da desaceleração global tende a dominar uma eventual deterioração nos preços de ativos financeiros", diz o BC, em nota, ressaltando que continuará avaliando o cenário nas próximas duas semanas.

Bem, a reunião do Copom ocorrerá daqui duas semanas — assim, esse vago cronograma não quer dizer muita coisa.

O Vinícius Pinheiro conversou com Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV. Ao contrário dos outros especialistas, ele não se mostrou tão surpreso com a medida do Fed.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda que a decisão traga ruídos imediatos no mercado, ele considera que no médio prazo o estímulo é positivo e pode ajudar a retomar a confiança dos investidores na economia.

Aqui no Brasil, Padovani também está no time dos que acreditam na manutenção da Selic em 4,25% na reunião de março, mesmo com a pressão por novos cortes.

Para o economista, um caminho viável é a sinalização, por parte do Copom, de que há espaço para uma nova redução de 0,25 ponto na Selic mais à frente — e, eventualmente, de um movimento que derrube a taxa básica de juros para abaixo dos 4% ainda neste ano.

Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências, disse em entrevista à Bruna Furlani que a próxima reunião do Copom, em 18 de março, está em aberto, já que não há como descartar a chance de o BC acompanhar o movimento externo — e a nota oficial da autoridade monetária não contribuiu para tirar a dúvida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na visão dele, o BC deve olhar mais para os novos dados da economia local, como o PIB, que sai nesta semana, para avaliar o nível de aquecimento da atividade doméstica e os efeitos econômicos de um novo corte de juros no curto prazo. 

Resumindo: o BC está entre a cruz e a espada, dividido entre a vontade do mercado e a real necessidade de um novo corte de juros. "Ser ou não ser", a dúvida cruel de Hamlet, fala sobre a necessidade de agir e se posicionar diante dos acontecimentos — cabe ao Copom assumir o protagonismo da história.

Ou, parafraseando Carlos Drummond de Andrade, outro gigante da literatura mundial:

"E agora, Copom?"

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
HOJE SÓ AMANHÃ

Mega da Virada de 2025 só em 2026! Caixa adia o sorteio. Veja quando ele vai acontecer.

31 de dezembro de 2025 - 23:31

Caixa atribui adiamento da Mega da Virada a problemas técnicos derivados do intenso movimento em seus canais eletrônicos

VEJA COM SEUS PRÓPRIOS OLHOS

Chegou a hora da Mega da Virada de 2025; assista aqui ao sorteio ao vivo

31 de dezembro de 2025 - 21:04

Prêmio da Mega da Virada supera a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história; acompanhe aqui o sorteio.

PRAZO ENCERRADO

Caixa encerra apostas para Mega da Virada, mas ainda há uma brecha para quem não conseguiu jogar

31 de dezembro de 2025 - 20:02

Até as 20h30, casas lotéricas de todo o Brasil seguirão comercializando as cotas de bolão ainda disponíveis para a Mega da Virada.

TIC-TAC

Ainda dá tempo de apostar na Mega da Virada de 2025, mas é preciso correr

31 de dezembro de 2025 - 16:01

Mega da Virada de 2025 sorteia hoje um prêmio estimado em R$ 1 bilhão. O valor é recorde na historia das loterias e não acumula.

TOUROS E URSOS #254

Touros de 2025: Ibovespa, Axia (AXIA3), Galípolo e ouro — confira os melhores do ano, e uma menção honrosa na visão do Seu Dinheiro

31 de dezembro de 2025 - 14:30

Podcast Touros e Ursos faz a retrospectiva de 2025 e revela quem mandou bem na política, economia e investimentos; veja os indicados

GOLPE NO CHURRASCO

China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país

31 de dezembro de 2025 - 11:11

O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players

NOVO

CVM terá novo presidente interino; colegiado da autarquia abrirá 2026 com 3 cadeiras vagas

31 de dezembro de 2025 - 10:29

Sem uma indicação pelo presidente Lula para liderar a reguladora, a presidência interina passará, na virada do ano, para o diretor João Accioly, o mais antigo na casa

BRILHOU SOZINHA

Lotofácil 3575 faz 3 novos milionários na véspera da Mega da Virada

31 de dezembro de 2025 - 8:29

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na faixa principal na terça-feira, 31 de dezembro, véspera de ano-novo e da Mega da Virada de 2025.

BALANÇO DO ANO

O ouro brilhou, mas o Ibovespa também! Já o bitcoin (BTC) comeu poeira… veja a lista dos melhores e piores investimentos de 2025

30 de dezembro de 2025 - 19:01

Principal índice da B3 fechou ano em alta de 34%, acima dos 160 mil pontos, atrás apenas do metal dourado, que disparou

PRESSÃO PARA TODO LADO

Toffoli volta atrás e decisão da acareação em inquérito sobre o Banco Master fica nas mãos da PF; entenda o que está em jogo e como fica o processo agora

30 de dezembro de 2025 - 14:01

Nesta tarde, a Polícia Federal (PF) vai colher os depoimentos individuais dos envolvidos e, caso considere necessário, os participantes poderão passar por uma acareação

OCUPAÇÃO RECORDE

Desemprego até novembro cai para 5,2% e volta a atingir menor taxa da série histórica; renda média sobe

30 de dezembro de 2025 - 10:25

O indicador de desemprego tem registrado, sucessivamente, as menores taxas da série histórica desde o trimestre encerrado em junho de 2025

FINAL DE ANO

Bancos funcionam no Ano Novo? Veja o que abre e o que fecha

30 de dezembro de 2025 - 9:44

Bancos, B3, Correios e transporte público adotam horários especiais nas vésperas e nos feriados; veja o que abre, o que fecha e quando os serviços voltam ao normal

PIX NÃO SERÁ TAXADO

‘Imposto sobre Pix acima de R$ 5 mil’ é fake news, alerta Receita Federal

29 de dezembro de 2025 - 17:27

Órgão desmente alegações de taxação sobre transações financeiras a partir de R$ 5 mil

MUDANÇAS DE ROTA

Desta vez não foi o PIB: as previsões que os economistas erraram em 2025, segundo o Boletim Focus

29 de dezembro de 2025 - 16:48

Em anos anteriores, chamou atenção o fato de que os economistas de mercado vinham errando feio as projeções para o crescimento do PIB, mas desta vez os vilões das previsões foram a inflação e o câmbio

UM SONHO MAIS DISTANTE

Está mais caro comprar imóveis no Brasil: preços sobem 17,14% em 2025, mostra Abecip — mas há sinais de desaceleração

29 de dezembro de 2025 - 15:35

Considerando só o mês passado, na média, os preços subiram 1,15%, depois de terem registrado alta de 2,52% em outubro

O QUE ESPERAR PARA A ECONOMIA

Inflação, PIB, dólar e Selic: as previsões do mercado para 2025 e 2026 no último Boletim Focus do ano

29 de dezembro de 2025 - 12:30

Entre os destaques está a sétima queda seguida na expectativa para o IPCA para 2025, mas ainda acima do centro da meta, segundo o Boletim Focus

A CONTA NÃO FECHA

Novo salário mínimo começa a valer em poucos dias, mas deveria ser bem mais alto; veja o valor, segundo o Dieese

29 de dezembro de 2025 - 10:37

O salário mínimo vai subir para R$ 1.621 em janeiro, injetando bilhões na economia, mas ainda assim está longe do salário ideal para viver

SEM SENA

O que acontece se ninguém acertar as seis dezenas da Mega da Virada

29 de dezembro de 2025 - 7:07

Entenda por que a regra de não-acumulação passou a ser aplicada a partir de 2009, na segunda edição da Mega da Virada

CORRIDA DOURADA

China ajuda a levar o ouro às alturas em 2025 — mas gigante asiático aposta em outro segmento para mover a economia

28 de dezembro de 2025 - 11:55

Enquanto a demanda pelo metal cresce, governo tenta destravar consumo e reduzir dependência do setor imobiliário

MEGA TURBO

Como uma mudança na regra de distribuição de prêmios ajudou a Mega da Virada a alcançar R$ 1 bilhão em 2025

28 de dezembro de 2025 - 10:43

Nova regra de distribuição de prêmios não foi a única medida a contribuir para que a Mega da Virada alcançasse dez dígitos pela primeira vez na história; veja o que mais levou a valor histórico

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar