Em janeiro, ganhou quem se protegeu: enquanto a bolsa apanhava, dólar e ouro se destacaram
Em mês de tensões no Oriente Médio e coronavírus na China, investimentos de proteção, como dólar e ouro, ocupam o topo do ranking ao lado do bitcoin; ações e fundos imobiliários aparecem na lanterna

Janeiro parecia interminável, mas finalmente, entre mortos e feridos, chegamos ao dia 31. Neste longo primeiro mês do ano, os mercados foram marcados por forte volatilidade, decorrente de uma série de acontecimentos que encheram os investidores de incertezas. Com isso, os melhores investimentos do mês foram o bitcoin e as duas principais proteções do mercado - dólar e ouro - enquanto os ativos de risco amargaram retornos negativos.
Em janeiro, os mercados monitoraram fatores de risco que, até o fim do ano passado, não estavam no radar. O mês começou com escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, após um ataque americano no Iraque que matou o principal líder militar persa.
[captacao]
Depois que a coisa deu uma esfriada, foi a vez do surgimento de uma nova variedade de coronavírus na China, que começou a se espalhar em grande velocidade, ameaçando prejudicar a atividade econômica do país asiático.
No Brasil, as ações sofreram fortes oscilações de preços. Só para você ter uma ideia, o Ibovespa chegou a bater um novo recorde, fechando acima dos 119 mil pontos pela primeira vez na história, mas terminou o mês em queda de 1,63%, aos 113.760 pontos.
Mas os fundos imobiliários, que viram um rali no fim do ano passado, sofreram ainda mais, fechando em queda de 3,76%, a maior desvalorização do mês.
Leia Também
Diante de tantas incertezas, investidores em todo mundo buscaram proteção no dólar e no ouro, que tiveram as maiores altas entre os investimentos tradicionais.
O real, entretanto, sofreu mais do que seus pares emergentes, e a cotação da moeda americana por aqui chegou ao seu maior valor nominal de todos os tempos: R$ 4,28 no mercado à vista.
Já o bitcoin correu por fora e fechou janeiro com uma disparada de 38,34%, o melhor desempenho de todos os ativos que o Seu Dinheiro acompanha.
Os melhores investimentos de janeiro de 2020

Haja coração (e estômago)!
Janeiro não foi um mês para os fracos de coração. A bolsa brasileira começou o ano com o pé direito, com alta de mais de 2% e um novo recorde, fechando acima dos 118 mil pontos pela primeira vez. Dali em diante, foi uma tremenda montanha-russa.
Os mercados alimentavam expectativas positivas em relação à assinatura do acordo de primeira fase entre EUA e China, que traria uma trégua à guerra comercial, grande fonte de incertezas de 2019.
Mas antes que o aperto de mãos entre americanos e chineses pudesse ocorrer, os EUA orquestraram um ataque no Iraque que matou o principal líder militar do Irã, o general Qassem Suleimani, despertando a ira dos persas, que prometeram vingança.
Os mercados sacudiram, mas acabou que o revide do Irã foi mais fraco do que se esperava, e a reação de Donald Trump, apenas elevando sanções econômicas ao país, foi considerada amena. Isso despressurizou um pouco os mercados globais.
Entretanto, por aqui o Ibovespa também reagia negativamente a dados econômicos piores do que o esperado, como o recuo da atividade industrial em novembro ante outubro e a inflação de 2019 acima da meta.
Passadas as tensões entre EUA e Irã, os mercados tiveram uma semana de alívio para comemorar a assinatura da primeira fase do acordo comercial entre chineses e americanos e reagir a dados econômicos positivos divulgados pela China.
Mas não o câmbio. Este continuou pressionado no Brasil, pois por aqui foram divulgados dados decepcionantes do setor de serviços e do varejo em novembro.
Coronavírus
Já as duas últimas semanas do mês foram marcadas pela apreensão diante do surgimento de uma nova variedade de coronavírus na China, que começou a se espalhar rapidamente pelo país.
O temor é que o vírus, que provoca uma infecção grave do trato respiratório e é transmitido pelo ar, restrinja a circulação de pessoas e mercadorias a ponto de impactar negativamente a economia chinesa e, consequentemente, o PIB mundial neste ano. Algumas instituições financeiras já estão revisando para baixo suas perspectivas de crescimento para 2020.
As bolsas do mundo inteiro sofreram, e o dólar avançou globalmente. Por aqui, tivemos ainda o fator extra de que a bolsa brasileira é repleta de ações de empresas que exportam principalmente para a China e que têm grande peso no Ibovespa.
Para completar, a doença começou a se disseminar justamente às vésperas do ano novo lunar, feriado de uma semana durante o qual os mercados chineses ficam fechados.
Numa situação como essa, os investidores globais acabam usando os ativos brasileiros para se proteger contra o risco de emergentes, já que que eles têm alta liquidez, contribuindo para aumentar a volatilidade por aqui, tanto no câmbio quanto na bolsa.
Até agora, o coronavírus já infectou quase 10 mil pessoas no mundo todo, sendo quase 150 fora da China. Mais de 200 pessoas morreram, todas no gigante asiático. Já houve casos confirmados inclusive nos EUA e na Europa, e há suspeitas no Brasil.
Ainda não sabemos qual vai ser o desfecho dessa história, mas a variação dos preços das ações tem sido forte. Por exemplo, no dia 23 de janeiro, o Ibovespa fechou acima dos 119 mil pontos pela primeira vez, um novo recorde. Até então, acumulava alta de 3,36% no mês. Porém, o índice terminou janeiro em queda de 1,63%.
O pregão de ontem (30) também foi icônico. O principal índice da bolsa passou o dia em em baixa e chegou a cair 2,22% no seu pior momento, mas deu uma arrancada na reta final e acabou fechando em alta de 0,12%, indo dos 112.825,49 aos 115.528,04 na mesma sessão.
Ativos de risco caíram e proteções subiram
Vale lembrar que tanto as ações quanto os fundos imobiliários tiveram um forte rali em dezembro sem mudança aparente de fundamentos que justificasse tal arrancada, o que levou o Ibovespa e o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) a dispararem.
Assim, havia espaço para um ajuste negativo nos preços desses ativos, principalmente num cenário de aversão a risco global como o que tivemos em janeiro.
Ao mesmo tempo, a situação contribuiu para que os investidores corressem para os ativos vistos como reserva de valor - dólar e ouro - a fim de se proteger das incertezas.
O ETF SPDR® Gold Shares, maior ETF com lastro em ouro físico do mundo e negociado em Nova York, apontou uma alta de 4,32% do metal precioso em dólar.
Já o dólar à vista subiu 6,81%, fechando em R$ 4,2850, maior cotação da história, e o dólar PTAX - calculado pelo Banco Central a partir das taxas praticadas no mercado - subiu 5,93%, terminando o mês em R$ 4,2689.
Aqui no Seu Dinheiro, nós recomendamos que o investidor sempre tenha uma pequena parcela do capital em proteções como ouro e dólar, justamente para esses momentos de grandes incertezas, para reduzir as perdas da carteira.
Correndo por fora, o bitcoin avançou 38,34% em reais e 32,40% em dólares. Em maio ocorre o famigerado halving, evento que acontece de quatro em quatro anos e reduz a oferta de novos bitcoins no mercado, tendendo a valorizá-lo.
Mas ainda não sabemos se o bitcoin pode também estar desempenhando função de reserva de valor, servindo como uma espécie de proteção em momentos de aversão a risco global. Fato é que, se o considerarmos no nosso levantamento, ele foi o campeão do ranking dos melhores investimentos do mês.
Juros não se abalaram com a alta do dólar
Na renda fixa, a poupança e os investimentos conservadores atrelados à Selic continuam com retornos modestos diante de uma Selic a 4,5% ao ano.
E o mercado parece estar mesmo apostando em um novo corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ocorre na semana que vem.
Os juros de curto e médio prazo não se abalaram pelos avanços da moeda americana, que costumam pressionar as taxas para cima, e recuaram em janeiro, valorizando os títulos prefixados e atrelados à inflação com esses vencimentos mais próximos. Só os juros mais longos viram alguma alta, desvalorizando os títulos atrelados à inflação de prazos maiores.

Conteúdo Empiricus
Opções: Como driblar o principal desafio deste mercado e buscar oportunidades com potencial de multiplicar o capital investido
15 de outubro de 2026 - 14:00MUDANÇAS EM CURSO
Os ETFs estão fazendo com os fundos o que os fundos fizeram com as ações há mais de 20 anos
15 de outubro de 2026 - 12:45TANQUE CHEIO NA BOLSA
Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
14 de outubro de 2026 - 16:27O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL