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Ruy Hungria
Sextou com o Ruy
Ruy Hungria
É formado em Física e especialista em bolsa e opções na Empiricus
2020-05-21T15:39:25-03:00
Sextou com o Ruy

Por que preço baixo não é sinônimo de bom negócio na bolsa

Você considera um bom negócio comprar uma camisa de grife com um desconto de 20% para o preço que está na etiqueta? E se a camisa estiver furada?

22 de maio de 2020
5:35 - atualizado às 15:39
camiseta velha
Imagem: Shutterstock

H: Fala Ruyzão, beleza?

R: Opa, tudo tranquilo.

H: Você trabalha na Empiricus, não é?

R: Sim, trabalho lá, por quê?

H: Fazia muito tempo que eu estava com uma grana parada na minha conta, criando coragem para investir...

R: Aham...

H: Aí a bolsa desabou e eu finalmente decidi usar tudo para comprar ações... Mas toda vez que eu abro o YouTube, o Felipe Miranda aparece dizendo que a bolsa não está nem um pouco barata.

R: Sim, é verdade

H: Eu não consigo entender. A bolsa não está caindo mais de 20% no ano?

Indissociáveis

Você já deve ter visto que uma ação nada mais é do que uma fração do capital social de uma companhia.

À primeira vista parece meio complicado, mas isso significa apenas que uma ação é uma parcela de uma empresa. Como tal, sua cotação deveria acompanhar a evolução dos fundamentos da própria companhia no longo prazo.

O problema é que muita gente continua tratando as ações como se fossem entidades totalmente dissociadas dos fundamentos das companhias.

O sujeito compra a ação porque "acha que ela vai subir" ou porque sonhou com o ticker na noite anterior, não porque acredita que a companhia vai dobrar as vendas no ano seguinte.

Quando investidores esquecem a relação entre o preço da ação e a qualidade da companhia, eles se colocam em enormes enrascadas.

20% de desconto numa camisa (furada)

Quando meu amigo me perguntou se a queda no preço das ações não significava um desconto imperdível de 20%, eu o questionei de volta:

"Você considera um bom negócio comprar uma camisa de grife com um desconto de 20% para o preço que está na etiqueta?"

A resposta: "É claro que sim".

"Está certo! Agora, você continuaria achando esse um descontão se a camisa em questão estivesse furada?"

Pague um pouco menos, leve muito menos

Olhar apenas para os preços é um erro de julgamento comum que leva muita gente a fazer péssimos negócios – isso serve para a bolsa e para a vida.

O que importa é a relação entre o custo e o benefício de um bem. Como vimos no exemplo da camisa, preços em queda não necessariamente significam bons descontos.

Se a qualidade do produto caiu mais do que o preço, corre-se o risco de fazer um péssimo negócio mesmo pagando menos.

O engraçado é que isso é intuitivo para assuntos mais "palpáveis". Entendemos muito bem esse conceito de custo-benefício falando sobre camisa, apartamentos, carros... mas quando o assunto é ações, as coisas sempre parecem mais confusas. 

Assim como eu falei no início do texto, o problema surge porque, inconscientemente, teimamos em separar o preço das ações dos fundamentos das empresas.

O índice do custo-benefício

Uma das maneiras de se avaliar a relação custo-benefício das ações é através do índice "preço/lucro".

A conta é simples: divide-se o preço atual da ação pelo lucro anual da companhia. Quanto menor é essa a razão, mais barato está se pagando pelos resultados dela.

Vamos supor que a ação da Camisaria  S. A. negociava a R$ 10 no fim de 2019, e o lucro por ação naquele ano foi de R$ 2. Nesse caso tínhamos:

Nesse ritmo, você precisaria de 5 anos para recuperar o dinheiro investido na companhia.

Mas no meio do caminho apareceu uma pandemia que fechou todas as suas lojas, fez o preço da ação cair 20% (para R$ 8), e as perspectivas de lucro para o ano de 2020 desabarem para R$ 1 (metade do que era antes).

Com as novas premissas, o índice seria:

No exemplo da Camisaria S. A., mesmo valendo 20% menos na bolsa, as ações estão efetivamente mais caras, porque o custo benefício está muito pior. Você precisaria de 8 anos para recuperar o dinheiro investido nela.

O mais importante é atravessar a tempestade

É verdade que a bolsa caiu 20%, mas o cenário piorou ainda mais. O risco-retorno de maneira geral nos parece menos favorável agora.

Ainda não sabemos por quanto tempo o comércio ficará fechado nas principais capitais, qual será a velocidade de retomada da atividade econômica, e quais serão os níveis de desemprego, confiança de consumidores e de empresários quando tudo isso terminar.

E, para piorar, todos esses fatores desconhecidos acontecem em um momento em que vivemos uma situação fiscal e política bastante delicada.

Dada todas essas dificuldades e incertezas, o cenário atual pede muita cautela e muita agilidade nos ajustes de carteira.

Foi pensando nisso que o Felipe Miranda decidiu fazer este pronunciamento, no qual ele põe na mesa todos os riscos e, mais importante,  como se proteger deles.

Além disso, ele também mostra como aproveitar algumas oportunidades pontuais que podem surgir em meio à turbulência. Tudo isso com um acompanhamento diário, muito útil para guiar você neste momento de incerteza. Se quiser conferir, basta acessar aqui.

E da próxima vez que alguém te oferecer um produto pela metade do preço, lembre-se de que a queda no preço não necessariamente significa um belo desconto.

Um grande abraço e até a próxima!

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