Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Pague três e leve dois (ou bem menos do que isso)

Criados em 2006, esses ETFs (exchange-traded funds ou fundos negociados em Bolsa) se utilizam de derivativos para obterem uma exposição em geral duas ou três vezes maior do que algum índice de mercado

15 de maio de 2020
10:51 - atualizado às 13:26
ETF
Imagem: Shutterstock

A não ser que a consideremos como aquela semana de março em que a Bolsa brasileira passou por quatro circuit breakers, ainda estamos separados por seis meses da próxima Black Week, tradicional semana de descontos no varejo (nem sempre atrativos).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Armadilhas de custo-benefício em investimentos, entretanto, seguem seu próprio calendário e se tornam mais expostas, justamente, em períodos de alta volatilidade e de baixa liquidez, como tem sido 2020 até aqui.

Começando de fora para dentro, o mercado financeiro americano, que é muito mais criativo do que o nosso em variedade de produtos de investimento, negocia uma categoria muito específica de fundos que será tema desta newsletter hoje: ETFs alavancados.

Criados em 2006, esses ETFs (exchange-traded funds ou fundos negociados em Bolsa) se utilizam de derivativos para obterem uma exposição em geral duas ou três vezes maior do que algum índice de mercado.

A ideia parece simples e justa, mas o diabo mora nos detalhes. Acontece que, por garantir uma determinada exposição apenas diariamente e não ao longo do tempo, a estratégia se torna frágil, na definição talebiana daquilo que é prejudicado pela volatilidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Antes de relacionar essa fragilidade com o que aconteceu recentemente com um desses ETFs alavancados na Bolsa brasileira, um exemplo tornará a compreensão mais simples.

Leia Também

Considere um fundo que, todos os dias, retorne exatamente o dobro do retorno do Ibovespa. Em um mercado volátil, após alguns dias de negociação, é possível que ele já se descole completamente do índice, como na tabela abaixo:

Enquanto o Ibovespa ficou no zero a zero após três dias, o fundo alavancado teria perdido 20%, sem contar a taxa de administração e os custos de negociação do fundo.

Em outras palavras, entregar o dobro de retorno diariamente não garante, de forma alguma, o dobro do retorno acumulado depois de um período mais longo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Podemos culpar a matemática, é verdade, mas a provedora americana Direxion, responsável pelo BRZU, ETF alavancado que se beneficia da alta da Bolsa brasileira e da valorização do real em relação ao dólar, foi além e garantiu perdas permanentes aos seus investidores.

Em 23 de março, na mínima dos mercados, quando o Ibovespa havia caído 44% e o dólar já havia subido 16%, o BRZU, que se alavancava em três vezes em relação ao Ibovespa e ao real, já perdia 96% do valor que tinha um mês antes.

Mesmo que a Bolsa e o câmbio voltassem aos níveis anteriores à crise, já seria matematicamente impossível, como no exemplo anterior, que o investidor recuperasse todo o dinheiro investido.

Porém, dois dias depois, a Direxion deu um golpe de misericórdia e matou de vez qualquer chance de recuperação do BRZU, infligindo perdas permanentes a seus investidores: a empresa emitiu um comunicado ao mercado que alterava o nome e o mandato de alavancagem, deste e de outros fundos da empresa, de três para duas vezes, impactando cotistas novos e antigos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O resultado prático é que o BRZU, utilizado por investidores brasileiros e estrangeiros para capturar movimentos de curtíssimo prazo e de alta convicção no Ibovespa, está em quarto lugar entre os piores desempenhos de ETFs no mundo em 2020 pelo site especializado ETF.com, acumulando perdas de 97% (gráfico abaixo).

No Brasil, o mercado de ETFs ainda não é desenvolvido e representa 0,5% do total de fundos de investimento. Porém, também temos nossos exemplares de alavancagem, em forma de fundos tradicionais que compartilham dos mesmos problemas.

Um deles tem mais de 4.000 investidores da XP — número que dobrou desde dezembro — e seu mandato original é de retornar o dobro do retorno diário do Ibovespa. Outro é restrito para alocação por veículos exclusivos do Itaú Private Bank e tem o objetivo de ganhar o dobro da queda do Ibovespa, isto é, opera vendido e de maneira inversa ao fundo da XP.

A figura abaixo mostra o tamanho da distorção dos retornos acumulados dos fundos:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No período, o Ibovespa perdeu 11,5%.

Um investidor desinformado poderia esperar que o fundo da XP rendesse o dobro disso, perdendo 23% no período, mas a realidade foi mais cruel e a perda já se aproxima de 45%, quase quatro vezes a queda do índice.

Ok, pelo menos o fundo do Itaú vendido em Bolsa deveria proteger o patrimônio dos cotistas, não é? Afinal, seria esperada uma alta de 23% neste caso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Infelizmente, passou longe disso. Com 18% de retorno negativo no período, o fundo do banco teve, surpreendentemente, um desempenho ainda pior que o do Ibovespa.

A lição que tiramos dos dois mercados é que o potencial exponencialmente explosivo da decisão de se alavancar em fundos pode se mostrar muito ruim.

Afinal, a torcida para dar errado é barulhenta: alta volatilidade, baixa liquidez, assimetria negativa das perdas em relação aos ganhos e, em casos extremos, pode vir até uma mudança no regulamento do fundo investido para te surpreender.

Todo investidor diligente deve sempre evitar ao máximo arriscar em apostas desse tipo, que tragam riscos reais de ruína para o seu patrimônio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas há, claro, exceções: aquelas raras situações em que temos alta convicção de um movimento de mercado no curtíssimo prazo, portanto com baixíssima volatilidade e alto grau de certeza.

Nesses casos, a única recomendação é lustrar bem a bola de cristal antes de investir em um fundo alavancado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia