Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Onde foi que nos perdemos?

Se continuarmos a ver uma escalada do número de casos de covid-19, estaremos diante de um dilema duríssimo entre “deixar morrer” e fechar novamente as economias, com todos os problemas sociais e também sanitários que essa decisão enseja

desafio, perdido
Imagem: Shutterstock

Não há nada. Ou talvez só haja o nada. São duas coisas bem diferentes. Na primeira, não há o que se fazer. Estamos condenados ao niilismo diante do vácuo, o buraco negro ontológico da existência. Na segunda, tudo está por construir, numa rica pluralidade de possibilidades. Você pode ser e fazer qualquer coisa, sem preconceitos. Somos livres de julgamentos morais, ideologias ou fundamentalismos. Há muito valor no nada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As coisas parecem ter piorado desde a quinta-feira passada. A subida do Vix, o nível de dispersão das quedas por diversos setores e o comportamento do high yield, tudo de forma súbita e intensa, acenderam uma luz amarela no horizonte. Como resposta imediata, tiramos um pouco o risco das carteiras na sexta.

No fim de semana, outras evidências em desfavor da disposição a risco. Pequim fechou um de seus principais mercados diante de dezenas de casos de Covid-19 e em vários estados norte-americanos teme-se uma potencialmente já iniciada segunda onda do vírus.

E agora? O que vamos fazer?

Neste momento, nada, porque já havíamos preparado as carteiras na direção mais defensiva. Hoje, no que, a julgar pelo comportamento dos mercados futuros neste momento (e essa ressalva “neste momento” é muito importante), deve ser um pregão amargo, ficaremos parados.

Este é um texto sobre a inação. A decisão por não fazer nada é distinta da não decisão. Eis o que gostaria de transmitir hoje: quando um analista ou gestor (me refiro aos competentes) decide fazer nada, isso é bem diferente de uma não decisão. Uma coisa é não decidir. Outra é optar por não fazer nada. A escolha por manter sua carteira inalterada é resultado de horas e horas de um processo decisório diligente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A rigor, quando você preserva sua carteira sem mudanças (desculpe o pleonasmo), isso equivale a comprar do zero aquela mesma carteira. Essa é a decisão tomada todo dia e, por algum viés cognitivo, muitas vezes causa confusão no investidor. Manter uma determinada ação no portfólio significa rigorosamente a mesma coisa que decidir comprá-la novamente. A atitude correta diante de sua carteira é, todos os dias (ou na frequência que você achar prudente), olhar para aquilo e se perguntar: esses são os ativos certos para ter/comprar daqui para a frente, independentemente do preço pago por eles no passado?

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema do The Office na sua empresa, os ruídos políticos na bolsa, e o que mais você precisa saber hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ruído político, curva de juros aberta e um mercado mais cauteloso

Há algo muito simples que parece escapar a muito investidor, ligado à ancoragem do preço de compra. Imagine que você comprou uma ação por R$ 50 e hoje ela está R$ 10. Você tem certeza, por alguma razão estranha, que essa ação vai a R$ 5. Qual a decisão certa a se fazer? Vender a R$ 10, pois logo ela vai estar mais barata. Se, em vez dos R$ 50 iniciais, você tivesse pagado R$ 1 por essa mesma ação, a decisão certa a se fazer no mesmo exercício continuaria sendo vender a R$ 10, porque ela iria a R$ 5. Não importa seu preço de compra.

Acordamos hoje, olhamos para nossa carteira e decidimos ficar quietos, a despeito das notícias ruins dos últimos dias. Isso, claro, só foi possível porque já havíamos preparado o portfólio na sexta-feira para um cenário potencialmente mais desafiador, alarmados pela disparada do Vix e de outros indicadores de disposição ao risco.

Celebraremos hoje os benefícios da inação, por vezes negligenciados. Existe uma falsa sensação de que o investidor deve dispor, sempre, de uma nova grande ideia de compra e venda. Não há nada mais falso do que isso. Na maior parte do tempo, não há uma nova grande ideia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O investimento é como uma caçada, que exige grande preparação e precisão, até um ato rápido e certeiro. São poucas as oportunidades que o mercado vai deixar para você. Quando essas raridades aparecem, aí, sim, é a hora de ir na jugular. Sem dúvida, é também um exercício de paciência e disciplina.

O momento é particularmente delicado. Talvez, as correções vistas na quinta-feira passada e no pregão de hoje sejam apenas pequenos soluços na trajetória ascendente. Ou talvez sejam o início de uma segunda pernada de baixa, típica de um bear market tradicional. A esta altura, não sabemos se é uma coisa ou outra. Só o tempo irá dizer.

Meu ponto, porém, é que o risco está alto e existe uma enorme dispersão de resultados possíveis à nossa frente.

Com o temor de uma segunda onda de contágio do coronavírus, a hipótese de uma recuperação em forma de W ganha força, depois de termos, até a quarta-feira, atribuído enorme probabilidade ao formato em V.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em reforço, os indicadores da economia chinesa, que vinham surpreendendo positivamente, vieram abaixo do esperado nesta madrugada. Vendas ao varejo, produção industrial e investimento em ativos fixos ficaram aquém das projeções.

A questão do número de casos e de mortes por coronavírus, que havia sido levada ao segundo plano pelos mercados, volta a ser uma variável monitorada de perto. Voltamos a tradar número de infectados e de mortes. E o pior: isso pode ser particularmente ruim para o Brasil e para a nossa moeda, dado que somos talvez o maior epicentro da doença hoje no mundo.

Se continuarmos a ver uma escalada do número de casos, estaremos diante de um dilema duríssimo entre “deixar morrer” e fechar novamente as economias, com todos os problemas sociais e também sanitários que essa decisão enseja.

Hoje, o mais provável parece ser “tomar o risco” e continuar formalmente abertos. Mas isso, por si, não garante uma recuperação em V. Parte da população pode continuar receosa, em casa e com baixa propensão a consumir. Assim, não voltam os empregos nem os investimentos. Descartar-se-ia uma rápida e vigorosa recuperação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por aqui, a saída de Mansueto Almeida do governo adiciona incerteza sobre nosso ajuste fiscal. Ele era, no meu entendimento, o grande técnico por trás do rigor em nossas finanças públicas, mais até do que Paulo Guedes. Mansueto representava, para mim, um patrimônio de Estado, antes de ser governista e/ou bolsonarista. Era a garantia de uma visão isenta, profunda e científica do processo de ajuste fiscal.

Não acho que a consolidação fiscal está abandonada sem ele. Também vejo com bons olhos a transição suave e gradativa, a saída respeitosa e os nomes de mercado cotados para substituí-lo — embora, deva admitir, não veja o mesmo paralelismo de nível entre eles. A notícia, em si, não deve fazer preço nos mercados, mas pode tirar um pouco do grau de tolerância sobre eventuais desvios da austeridade fiscal mediante qualquer necessidade de se agradar a parcela perdulária do Congresso. Além disso, suscita um pouco de dúvidas quanto à permanência de outros cargos de cunho técnico. Parte do mercado já questiona se a equipe econômica (ou uma parcela dela) é mais bolsonarista do que liberal.

Deixo claro: não estou dizendo que necessariamente teremos uma segunda grande onda de contágio, tampouco que as economias vão ter sua recuperação em forma de W ou que os mercados terão um comportamento clássico de bear market, com uma segunda pernada de baixa.

Meu ponto é que as chances de essas coisas acontecerem aumentaram. Neste momento, os mercados representam um grande “eu não sei”. Ninguém sabe o que vai acontecer. Há aqueles que acham que sabem, claro, justamente os mais perigosos. Mas deixemos os sabidões de lado, pois eles pouco têm a acrescentar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Diante do enorme “não saber”, a postura racional, aqui entendida conforme a teoria clássica de finanças, é tirar o pé do acelerador, reduzir o nível de risco das carteiras, preservar o capital e aguardar uma oportunidade melhor para voltar a focar na multiplicação. De novo, é um jogo de disciplina e paciência, praticado por ou como profissionais.

O “não saber” significa que várias coisas podem acontecer à frente. A chance de algo não sair conforme o esperado é grande — essa é uma das definições de risco. Em finanças, assume-se que as pessoas gostam de retorno e não gostam de risco. Essa é a chamada aversão a risco. Portanto, quando o risco sobe, você foge um pouco dele.

O ponto principal não é o que vai acontecer com o mercado, porque isso, sinceramente, ninguém sabe. Não somos adivinhadores do futuro. Essa atividade pertence aos charlatões. A questão central é que o risco existe e se mostra grande. Enquanto isso, os mercados parecem apreçar uma rápida recuperação, sendo bastante complacentes com o risco.

Milhares de daytraders (não é exagero!) seguem um sujeito que chama Warren Buffett de idiota publicamente, a Hertz se prepara para uma grande oferta de ações em meio à decretação de falência para aproveitar preços completamente fora de qualquer racionalidade, as penny stocks do Russell 2.000 acumulavam uma alta média de 50% em cinco pregões até a semana passada, o “low quality” (nome polido para lixo) lidera a valorização das últimas semanas.

Onde foi que nos perdemos?

P.S.: Acaba de sair a 358 do grupo Cosan. Peço uma atenção especial aqui. Controlador comprando R$ 300 milhões de ações via derivativos. Começa a ficar bem claro o caminho em direção à simplificação de estrutura, com melhora de governança e possível elevação brutal de liquidez, cuja consequência será ganho expressivo de participação nos índices e compras de fundos passivos em quantidades significativas. Não se surpreendam se, em poucos meses, CZZ, Cosan e RLOG virarem uma coisa só. Pode ser uma porrada seca com liquidez em curto intervalo de tempo. Temos CZZ (1,25%), CSAN3 (1,5%) e RLOG3 (1,5%) no Carteira Empiricus. E CSAN3 (7,69%) e RLOG3 (7,69%) no Oportunidades de Uma Vida. Grupo Cosan é talvez o grande cavalo selado passando na nossa frente agora. Buy side não vai esperar o anúncio final da simplificação e já percebeu o movimento. Espero um re-rating quase imediato em CZZ e RLOG, que estão cerca de 15/20% descontadas frente a seu NAV.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
banco do brasil bbas3 lula ação balanço 15 de maio de 2026 - 6:45
Imagem mostra um centro de distribuição com caminhões à sua frente, e uma estrada dourada levando até o ativo logístico. À direita estão troféus de primeiro lugar 14 de maio de 2026 - 8:55
Copa do Mudo, Brasil, Futebol, Seleção, Bola 13 de maio de 2026 - 19:52

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Jogando de igual para igual com as big techs

13 de maio de 2026 - 19:52
Imagem gerada por inteligência artificial mostra uma mulher caminhando em direção a uma agência do Banco do Brasil, com o sol por trás 13 de maio de 2026 - 8:43
12 de maio de 2026 - 8:54
Trump diante das bandeiras de Irã e Israel 12 de maio de 2026 - 7:23
Bruce Edwards, o novo CEO do CrossFit 9 de maio de 2026 - 9:00
Irã e EUA 6 de maio de 2026 - 20:49
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um investidor no topo de uma montanha. No vale, abaixo dele, estão linhas de transmissão de energia, uma empresa de saneamento, bancos e seguradoras 6 de maio de 2026 - 8:57
5 de maio de 2026 - 8:48
Ferrari F80 2 de maio de 2026 - 9:00
Imagem gerada por inteligência artificial mostra notas de R$ 100 em um escritório, carregando maletas e digitando em um computador 1 de maio de 2026 - 10:04
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia