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Acabou a crise? Nesta quarta-feira, os mercados mantiveram o otimismo dos últimos dias. As bolsas subiram aqui e lá fora, ao mesmo tempo em que o dólar assistiu a mais um dia de alívio, chegando perto dos R$ 5 novamente.
Está até difícil entender de onde sai tanto apetite por risco, dado que a pandemia de coronavírus não deixou de ser uma ameaça (notadamente no Brasil), assim como a crise política e as agitações sociais nos Estados Unidos. Os indicadores econômicos também estão horríveis, como já era de se esperar.
Mas a explicação possível para este movimento talvez não esteja tanto na melhora do cenário, mas sim no fato de que o mercado tenha precificado, como a sua brusca queda neste início de ano, um pessimismo excessivo.
Os investidores estão se apegando ao fato de que os dados não estão vindo tão ruins quanto o imaginado; que as reaberturas das economias europeias começaram mais cedo que o projetado (talvez isso tenha consequências deletérias, mas até agora, parece estar tudo bem); e, ao menos no campo da política - doméstica e internacional -, a falta de notícias se tornou boa notícia.
Em resumo, não é que tenha melhorado… só despiorou mesmo. Se o movimento tem fundamento ou se vai se reverter mais cedo ou mais tarde, ainda não dá para dizer, mas pelo menos por ora o investidor pode surfar essa onda.
Além da menor aversão ao risco, o câmbio ainda contou com uma ajuda adicional do Tesouro Nacional, que captou US$ 3,5 bilhões emitindo títulos de dívida no exterior. Dólar entrando gera algum alívio na cotação da moeda americana, fora que este ato ainda abre caminho para grandes empresas brasileiras também fazerem emissões lá fora.
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