O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Veja o seguinte: se até um ato grave como o suicídio depende de um método e de um contexto particular, o que dizer da decisão de compra e venda de ativos financeiros?
"O valor de um homem pode ser medido
pela quantidade de verdade que ele pode suportar.”CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEFriedrich Nietzsche
Enquanto a cidade enlouquece em sonhos tortos, proponho uma pergunta genuína para reflexão: você acha que o suicídio é algo determinístico e deslocado de circunstâncias particulares ou que ele depende de condições específicas para se materializar, como um determinado método e um lugar em específico?
Em outras palavras, carregaria o suicídio características ligadas ao coupling (comportamentos que requerem acoplamento a determinadas circunstâncias e condições) ou ao displacement (algo que aconteceria de qualquer jeito; ou seja, se você interrompesse um determinado método, o suicida encontraria um outro)?
Se você é como a maioria das pessoas, respondeu que, diante de um ato tão grave e representativo quanto o suicídio, não importam muito as condições e as circunstâncias. O suicida seria um sujeito bem determinado e, se lhes tirassem determinados métodos, lugares ou condições, ele encontraria outros para alcançar seu objetivo. Afinal, uma decisão tão definitiva não poderia se basear em critérios frívolos, circunstanciais e tênues, não é mesmo?
O criminologista Ronald Clark se debruçou sobre o tema e, em 1988, escreveu o artigo "The British Gas Suicide Story and Its Criminological Implications”, que depois viraria um clássico. Sua ideia foi bastante interessante.
Ele notou que, até o começo dos anos 70, a maior causa de suicídios no Reino Unido se dava por intoxicação por monóxido de carbono, substância liberada em quantidades expressivas pelo então adotado gás de cozinha — o suicídio por monóxido de carbono é indolor e o gás não tem cheiro, o que provavelmente explique a predileção por esse método para se tirar a própria vida à época; com efeito, em 1962, houve 5.588 suicídios na Inglaterra e no País de Gales, dos quais 2.469 por meio da intoxicação a partir do gás de cozinha.
Leia Também
A partir de 1965, o Reino Unido passou a substituir o tipo de gás, até então composto por hidrogênio, metano, dióxido de carbono, nitrogênio e monóxido de carbono. A transição para o gás natural — metano, etano, propano, nitrogênio, dióxido de carbono, sulfureto de hidrogênio e, mais importante, sem monóxido de carbono — estaria completa em 1977.
A proposta de Ronald Clarke era cruzar as duas coisas. Se o suicídio estivesse associado ao “displacement”, ou seja, não fosse dependente de circunstâncias e condições particulares, suas taxas não guardariam grande correlação com a substituição do gás de cozinha no Reino Unido. Os suicidas, desprovidos de seu método original favorito, apenas adotariam uma outra forma de tirar a própria vida. De nada adiantaria bloquear uma determinada alternativa. Já se fosse o contrário, se o suicídio estivesse ligado ao “coupling”, se dependesse de um método particular, de um contexto específico, teríamos observado uma alta correlação entre a substituição do gás de cozinha e a queda das taxas de suicídio. As imagens ilustram bem o comportamento:


Houve uma importante queda das taxas de suicídio no Reino Unido a partir da eliminação do monóxido de carbono do gás de cozinha nas residências dos britânicos. O suicídio, algo tão definitivo e aparentemente estrutural, está mais ligado ao “coupling”, normalmente depende de condições e circunstâncias particulares. Sua decisão e implementação são mais fugazes, tênues, ambíguas e complexas do que poderíamos supor ex-ante.
Os estudos de Clarke viriam a influenciar não somente o combate ao suicídio, mas também a criminologia em geral. Se até mesmo a decisão de tirar a própria vida dependeria de circunstâncias e condições específicas, outras atitudes mais frívolas deveriam depender também. Também o crime estaria bastante associado à noção do “coupling” e ligeiras alterações de contexto poderiam reduzir ou eliminar delitos graves. Uma sutil modificação de cenário e as decisões pragmáticas mudam completamente. O mundo é mais aleatório, complexo e ambíguo do que nosso maniqueísmo e nosso desejo de controle podem suportar.
Por isso, hoje, eu tenho uma proposta prática para você, talvez quase como os terapeutas cognitivos ou comportamentais, se operassem em Bolsa, poderiam sugerir-lhe nesta quarta-feira, literalmente, de cinzas (e de banho de sangue).
Depois de refletir e estudar bastante nesse Carnaval, concluí que a melhor orientação que eu poderia trazer aos assinantes e leitores do Seu Dinheiro hoje é: desinstale o app de sua corretora. E eu falo sério.
Veja o seguinte: se até um ato grave como o suicídio depende de um método e de um contexto particular, o que dizer da decisão de compra e venda de ativos financeiros? Não estaria ela também absolutamente ligada ao “coupling”?
A julgar pelo comportamento dos ADRs brasileiros nos últimos dias (o EWZ caiu 6,33%, e os papéis de Vale e Petrobras perderam quase 10%), teremos um banho de sangue na abertura desta quarta-feira. Será, evidentemente, uma combinação da variação do dólar (em alta) e das ações (em baixa). De forma resumida, isso por conta da proliferação do coronavírus em países como Irã, Coreia e Itália, além do fechamento da fábrica da Samsung — o temor de pandemia e de seus impactos sobre a economia global cresce, enquanto eleva-se abruptamente a aversão a risco.
Em momentos de pânico, somos levados a agir pelo impulso. Você vê suas ações desabando e, com medo de que as coisas fiquem piores, toma uma decisão, por vezes, precipitada. Se você estiver sem seu app no celular, ao menos coloca um obstáculo mínimo, uma “piora das circunstâncias” para impedi-lo de agir emocionalmente, uma espécie de eliminação de seu monóxido de carbono para impedir seu suicídio financeiro.
Algumas considerações importantes:

O que faremos, então?
1- Hoje, não faremos absolutamente nada em termos sistêmicos. A rigor, estamos propondo uma alteração marginal na Carteira Empiricus e na carteira Oportunidades de uma vida, mas é algo bem pontual e idiossincrático, para aproveitar uma interessante alternativa no setor educacional brasileiro. Nada a ver com o sistêmico.
2 - Para os próximos dias, estudamos uma eventual modificação dos portfólios para capturar o que temos chamado aqui internamente de “A tale of two cities”, em referência ao clássico de Charles Dickens. Até o momento, estávamos forçados a escolher entre duas Bolsas dentro da Bolsa brasileira: de um lado, tínhamos ações boas e de crescimento razoavelmente caras pelas métricas de valuation convencional; e de outro, papéis considerados "ruins" e com lucros decrescentes (bancos e commodities; "ruins" aparece entre aspas porque não se trata necessariamente de empresas ruins, mas daquelas que enfrentam dificuldades ligadas ao baixo crescimento global e/ou à nova economia). Agora, com essa abrupta correção, talvez possamos comprar qualidade a preços muito descontados. Ainda não achamos que seja a hora de fazer uma rotação no sentido do “quality”, mas talvez ela esteja se aproximando.
Se o dia é daqueles que separam os meninos dos homens ou os homens dos lobos, aqui no sentido construtivo do termo, pois os investidores malvados me interessam muito mais do que os bonzinhos, a trilha sonora possivelmente poderia ser: “não tente se matar, pelo menos esta noite, não”. Lobão ainda toca o bom e velho rock’n’roll — acostume-se com o barulho da volatilidade.
O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente
Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado
Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle
A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira
Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas
Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora
Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano
Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities
O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples
O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista
Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira
Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam
Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita
Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo
Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano
O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso
O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil
Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros
Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?