Onde os ricos estão investindo no segundo semestre?
55% dos escritórios familiares reequilibraram suas carteiras entre março e maio, buscando manter sua alocação estratégica de ativos a longo prazo; veja esse e outros destaques do relatório produzido pelo UBS

Anualmente, o banco suíço UBS, em parceria com instituições financeiras associadas, produz o relatório "Global Family Office". Em linhas gerais, o objetivo do material é analisar como tem sido a alocação de recursos em grandes fortunas; isto é, o banco verifica diversos escritórios ao redor do mundo de modo a identificar como os ricos têm investido seu dinheiro. Portanto, podemos dizer com confiança que as descobertas do conteúdo oferecem uma janela única para a tomada de decisão dos maiores escritórios familiares do mundo.
Para isso, o UBS estuda os 121 maiores "family offices", de modo a entender como tais gestoras superaram a tempestade de 2020 nos mercados financeiros. A premissa é a seguinte: em um período historicamente turbulento, seria muito interessante observar como as carteiras se alinhavam com seus objetivos e como elas mudaram durante e depois da crise.
Evidentemente, o relatório se aprofunda bastante em questões sucessórias, de sustentabilidade e de risco-operacional, investigando também os perfis institucionais do segmento. Por mais que tenhamos, em algum grau, certo interesse pelas temáticas mais específicas ali tratadas, vamos nos debruçar hoje sobre a alocação da carteira dos investidores, de modo a identificarmos tendências e oportunidades.
Já em minha primeira leitura, uma informação me brilhou os olhos. 55% dos escritórios familiares reequilibraram suas carteiras entre março e maio, buscando manter sua alocação estratégica de ativos a longo prazo. Assim, podemos categorizá-los como sendo relativamente oportunistas, com dois terços negociando até 15% das carteiras via uma abordagem dinâmica e tática (trading), pouco convencional para o business, que privilegia estratégias de carregamento e estruturais.
Curiosamente, o próprio movimento dos escritórios acaba gerando um efeito reflexivo e dialético nos ativos de risco (vide Soros), uma vez que, dado o tamanho das fortunas, muitas vezes a compra e venda de posições acabam por afetar elas mesmas. Isso porque o montante total gerido por esses mais de 120 escritórios somam mais de USD 146 bilhões, dos quais 24% variam entre USD 3 a 5 bilhões por empresa (vide figura abaixo).
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Vale dizer, o patrimônio médio gira em torno de USD 1,6 bilhão e escritórios familiares com ativos sob gestão acima de US $ 1 bilhão costumam ter perfis bastante institucionais; ou seja, são verdadeiras empresas.

Mais de dois terços (69%) dos escritórios vêem o investimento em Private Equity como um fator essencial dos retornos. Tenho acompanhado o compêndio documentado pela UBS já há algum tempo e verifico uma tendência gradual e crescente para investimentos alternativos. Hoje, aqui na Empiricus, a maior casa de análise de investimentos do Brasil, entendemos a classe dos alternativos como parcela necessária em um portfólio sofisticado, mas devidamente ponderada em um posição correspondente à aceitação de risco do investidor.
Fica claro que, com a queda dos juros no âmbito global, os investidores têm buscado outros tipos de investimento, de modo a driblar a dinâmica de taxas de retorno cadentes em vários segmentos. A classe dos alternativos acaba sendo um destino natural, por mais que eu, particularmente, discorde do tamanho com que eles aloquem em Private Equity (em média 16% do total investido).
Além disso, quase metade (45%) dos escritórios familiares afirmou, em maio, que planeja aumentar sua alocação em imóveis (real estate), com uma porcentagem semelhante da alocada em ações de mercados desenvolvidos e uma parcela menor destinada às ações de mercados emergentes.
Abaixo, um esquema ilustrando a alocação média dos escritórios, em se tratando da carteira de ativos (clique para ampliar).

Note como que, para quem realmente possui dinheiro, países emergentes como o Brasil perfazem algo em torno de 20% da classe de investimentos tradicionais (59%). Ao mesmo tempo, nós aqui do Brasil costumamos concentrar nossa alocação em nosso própria moeda exótica, o real, acreditando que as melhores oportunidades estão aqui.
Ora, se os mercados são eficientes e a informação chega nas mãos dos agentes com uma facilidade incrível, não faria sentido os gringos simplesmente abandonarem o Brasil.
Eles o fazem porque sabem que o risco não compensa. Por isso que a internacionalização dos recursos é tão importante. Para nos sofisticarmos definitivamente, precisamos, gradualmente, reduzir a quantidade investida em reais de nossas carteiras. Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Ficou curioso para saber qual a melhor forma de se sofisticar nesse sentido? Gostaria de aprender como sofisticar seu patrimônio de maneira objetiva e prática? Pois bem, acredito ter a solução perfeita para caminharmos lado a lado com os titãs da indústria. Um modelo que fará com que você consiga prover robustez para sua carteira, justamente como a nata do mundo dos investimentos faz, sem perder nada.
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