Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Eu também não sabia

Quando perceberemos, em definitivo, que os investidores precisam dos artistas, e que os artistas precisam de investimentos?

30 de novembro de 2020
11:46 - atualizado às 13:21
teatro

“Eu não sabia que tinha pessoas assim no mercado financeiro, gente que se preocupava com essas coisas. Nossa, eu estava muito errada.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ela estava errada mesmo. E certa ao mesmo tempo. Cirurgicamente certa.

Não poderia começar este texto de forma diferente para falar da peça “A Alma Imoral”, que tivemos o privilégio de ver na última sexta-feira, em companhia dos nossos assinantes World Class, no Jockey. Dentro de nossos carros, sintonizados na frequência certa no rádio, pudemos ouvir Clarice Niskier representar com brilhantismo as reflexões propostas no livro original do rabino Nilton Bonder. As ambivalências e os paradoxos, nossas coisas mais profundas e interessantes, quando foi que os perdemos?

Em mais uma impossibilidade lógica, a peça é atemporal e atual ao mesmo tempo. Cada vez mais, debruçados sozinhos sobre nossos smartphones, convivemos com algoritmos que nos empurram para reforçar as já concebidas próprias convicções. Vamos cavando dentro de nós mesmos, esquecendo-nos da necessidade de olhar o outro, mesmo aquele que habita dentro de nós. Sem a diversidade, ficamos cada vez menos interessantes, empobrecidos de nossos próprios temas, já tão cansados e conhecidos.

As aspas iniciais descrevem minha conversa com Clarice ao final da peça, quando pudemos debater por alguns minutos. Ela estava surpresa com nosso interesse pelo teatro, por filosofia, pela sensibilidade trazida pela arte. Percebeu-se surpresa em ver como o mercado financeiro estava tão interessado no seu trabalho, tão sensível e tão “cabeçudo”. Eu lhe expliquei que não era bem assim. Aquilo ali não era uma boa representação do mercado. Nós que éramos bichos meio diferentes mesmo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por que encerrar um evento chamado “Investidor 3.0” com uma peça de teatro?

Leia Também

Nossa, são tantas coisas…

De fato, não acho que qualquer outra empresa da Faria Lima ou do Leblon faria um evento como esse nosso. Começamos com o presidente da B3, com o uniforme típico exigido pelo formalismo institucional do cargo; terminamos com a nudez de uma atriz de alma imoral — curiosamente, ambos judeus. Unimos pela primeira vez duas gerações da família Giannetti; embora o filho não carregue o sobrenome do pai, preserva suas virtudes intelectuais. Trouxemos alguns dos melhores gestores de ações e multimercados do país, para conversar no mesmo dia de discussões construtivas com Fernanda Torres e Luiz Felipe Pondé, Amyr Klink e José Roberto Guimarães — meu Deus, e que conversas interessantes!

Para mim, ninguém resumiu melhor o quanto a esquerda se perdeu do que Fernanda Torres. Por que passamos tanto tempo discutindo o nome do terceiro banheiro? “Me passa o isqueirx?” Inauguramos agora um profundo debate para definirmos o gênero do isqueiro — sob o risco, claro, de sermos acusados de querer impor um gênero, seja ele qual for, ao isqueiro. Soube que ele ainda não se sente à vontade para decidir se tem ou não um gênero.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E quanta coisa pudemos aprender sobre liderança… Abilio Diniz me lembrou da importância de líderes humanizados, capazes de ouvir e de se colocar no lugar do outro, sem, no entanto, desviar-se para o campo da falsidade e de uma pseudoamizade forçada do “líder amigão”.

Sergio Rial relacionou liderança com gerenciamento de expectativas críveis dos liderados. Amyr Klink ressaltou a importância de compartilhamento de méritos mesmo de projetos que parecem bastante individuais — o velejador isolado precisou do eletricista para o barco, dos engenheiros e de tantos outros. E como, de algum modo, ele é talebiano, né? “O planejamento é um organismo vivo.” De certa maneira, precisamos nos planejar para as surpresas. Nesse aparente paradoxo, tudo que podemos saber é que coisas inesperadas vão acontecer, e precisamos estar prontos para endereçá-las, ainda que, por definição, não possamos saber ex-ante quais serão as surpresas pelo meio do caminho.

José Roberto Guimarães, se pararmos para pensar, ganhou o respeito dos jogadores da seleção masculina de vôlei quando cometeu um erro. Ele invadiu a quadra para “elogiar a mãe” de um jogador cubano que sorrateiramente tocara na rede para fazer parecer ter ocorrido uma infração brasileira. Zé tomou o cartão vermelho. Perdemos o ponto e colocamos o jogo em risco. Ali, quando ele deixou o front e se colocou ao lado dos seus, infringindo o que seria a cartilha protocolar e indo além do limite, ele conquistou o grupo.

Ouvimos os gestores de ações respeitando o “rotation trade”, mas se mantendo fiéis a seus casos mais estruturais e a sua própria filosofia. Preferimos seguir em nossa travessia rumo à África, sabendo que haverá pequenas intempéries no meio do caminho, leves desvios de rota. Se seguirmos o plano, bateremos na África. Eneva, Natura, Cosan/Rumo… continua o jogo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E para mostrar de vez que 2020 é realmente um ano atípico, Rogério Xavier está otimista! Não com o Brasil, claro, porque aí já seria pedir demais. Com seu brilhantismo típico, Rogério se mostrou construtivo com as Bolsas americanas e outros ativos de risco, diante de tanta liquidez e do prognóstico de aceleração do crescimento. Ainda entre os gestores macro, André Jakurski (e que privilégio falar com ele em papo tão descontraído!) acha o câmbio brasileiro depreciado e os juros longos altos, mas prefere não encostar nisso — “na calculadora, você vende/aplica no juro; mas se olhar o passado, você fica de fora”. Ele ainda gosta de algumas ações brasileiras, mas não se empolga tanto com o índice como um todo.

Então, chegamos na peça. Se só a Empiricus poderia trazê-la ao mercado financeiro, por que fazê-lo? Não seria muito estranhamento?

Já há nesse raciocínio um motivo importante. A pessoalidade importa em Bolsa, aquilo que lhe é único e intransferível. Você pode assistir ao Messi cobrando uma falta. Ele pode ensiná-lo em detalhes seu processo mental e físico. Conseguiremos bater uma falta igual a ele? Do mesmo modo, jamais poderemos investir igual a Warren Buffett. Podemos, sim, aprender, melhorar, chegar perto ou até copiá-lo com alguma defasagem. Mas nunca seremos iguais, porque a riqueza mesmo está no conhecimento tácito, em algo impossível de ser estruturado e formalizado. O investidor precisa encontrar o próprio caminho.

Também há na associação entre investimento e arte algo importante. Isso aqui tem muito de científico, mas não é pura ciência. Envolve, assim como o cientista Alan Blinder definiu sobre a política monetária, muita arte também. A sensibilidade de distinguir entre o “value” e o “value trap”, o que é um case efetivamente barato e o que é uma armadilha de valor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em linhas gerais, a peça é sobre isso. A capacidade de alinhar a tradição e a transgressão, o formalismo e a intuição, Dionísio e Apolo. O bom investidor obedece à sua própria alma, ao mesmo tempo que está atento a limites de risco, à moralidade das restrições objetivas. A dificuldade está sempre em ponderar risco e retorno, teimosia e persistência, conservadorismo e arrojo, paciência e lentidão. Como descobrir a linha do caminho do meio, onde fica a virtude aristotélica, se ela não está desenhada em lugar algum?

Há uma falsa defesa da especialização para um gestor de portfólio. Afinal, sua carteira, seja de ações ou multimercados, será impactada por uma infinidade de elementos. O mundo se conecta para determinar se agora é “rotation trade” ou “tecnologia/e-commerce, stay at home” — os temas do momento, para usar um termo de André Jakurski, só poderão ser identificados a partir de uma abordagem sistêmica. E mesmo os lucros das empresas, que guiam as ações no longo prazo, também são determinados por uma gama ampla de fatores. Como saber de bancos sem estudar tecnologia e política monetária? E como saber de tecnologia sem estudar ética e grandes tendências globais? Política monetária envolve, necessariamente, macroeconomia, cujo entendimento requer estudo de história, geografia (demografia, por exemplo) e ciência. Em outras palavras, repertório e erudição são fundamentais, tanto para rigor metodológico quanto para habilidade em conectar os pontos.

E para provar que as coisas estão mesmo conectadas, acabei esbarrando com a reflexividade de George Soros no meio do caminho, com as coisas se influenciando reciprocamente. “Eu sou daquelas pessoas que investe na poupança, Felipe. Você precisa me ajudar.” A ideia era que Clarice Niskier pudesse nos ajudar, arejar nossas cabeças — o que ela fez com perfeição. Acabamos descobrindo que poderíamos ajudá-la também.

Quando perceberemos, em definitivo, que os investidores precisam dos artistas, e que os artistas precisam de investimentos?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A peça nos traz mais perguntas do que respostas. Ainda bem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia