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Richard Camargo
Aposente-se aos 40 (ou o quanto antes)
Richard Camargo
Formado em Economia pela Universidade de São Paulo, Richard trabalhou por 5 anos na área tecnológica até chegar na Empiricus.
2020-04-30T17:45:52-03:00
FELIZ 2020 DE NOVO

O segundo Réveillon de 2020: ainda dá para salvar sua meta financeira?

A minha sugestão é que você aproveite a chance de buscar um segundo “Ano Novo” dentro deste ano que ainda não acabou.

3 de maio de 2020
6:00 - atualizado às 17:45
2020
Ano Novo. 2020 - Imagem: Shutterstock

Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre Aposentadoria FIRE® (Financial Independence, Retire Early).

Na semana passada, dei várias dicas para quem precisa ajustar o orçamento pessoal aos próximos meses. A maioria das ideias está acessível a todos, enquanto algumas são um pouco mais difíceis de serem implementadas, variando caso a caso. 

Hoje, quero falar um pouco sobre uma postura que têm me chamado muito a atenção...

Muita gente simplesmente desistiu de 2020

Estamos distantes dos parentes, amigos e do trabalho (desculpe, mas o home office não é a oitava maravilha do mundo) e ao que parece, cada vez mais distantes de nós mesmos. 

Não é um cenário fácil e não vou colorir aquilo que é preto e branco por essência, mas também não posso aceitar com naturalidade os argumentos de quem jogou a toalha. 

Quais eram suas metas (e aqui, por vocação, vou me ater ao lado financeiro da coisa) pessoais para este ano? O que você se propôs a atingir apenas quatro meses atrás? 

Dado o clima de otimismo que acendeu as luzes de 2020, a maioria de nós (eu também) esperava que este ano fosse um marco de construção de patrimônio em suas vidas. 

Até aqui, definitivamente, não foi o que aconteceu.

Diante disso, ou você desiste, ou você segue em frente, tirando lições valiosas da crise e lutando para sair ainda mais forte dela. 

E o que foi que aprendemos? 

Se você é novo no mundo dos investimentos, é muito provável que tenha se empolgado. 

Mercado para cima aumenta a autoestima de todo mundo, e aqueles que - como sempre o fazemos - alertam para investir em ações apenas o dinheiro da pinga, e não o do leite das crianças, parecem loucos e terroristas. 

Mas sempre foi assim. Todo longo processo de bull market, ou seja, uma longa tendência de alta dos mercados, é marcada por episódios de grandes correções, quedas de 40%, 50% e às vezes, até mais do que 60%. 

Quando colocadas em perspectiva, em gráficos de longo prazo, essas quedas não chamam quase nenhuma atenção. Mas no aqui e no agora, vivendo o problema, a perspectiva de longo prazo se mistura aos boletos que não param de chegar; a coisa fica meio fora de controle. A realidade teima em ser mais complexa do que a teoria. 

Mas a boa notícia é que não há tragédia que dure para sempre. Dá uma olhada no gráfico abaixo. 

O S&P 500 é a “Bolsa” americana - o índice das 500 empresas mais valiosas do país. 

No início dos anos 2000 veio o combo da bolha das empresas pontocom, seguido do atentado de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas. Foram pouco mais de dois anos em que os ativos de risco perderam 46% de seu valor. 

Depois veio 2008 e a crise do subprime, também conhecida como “grande recessão”. Foram quase dois anos em que a renda variável perdeu novamente 51% de seu valor. 

Mesmo assim, se eu tirasse do gráfico acima os dois quadros ilustrativos que destacam os períodos, tenho certeza que você não ficaria nem um pouco impressionado com as quedas. 

O mesmo vale para o coronavírus, com a diferença de que estamos no meio furacão, e ainda não é possível enxergá-lo de fora, sob uma perspectiva de mais longo prazo. 

E perspectiva de longo prazo não é daqui um mês

Tenho visto também muitas pessoas rancorosas e vingativas para com o mercado. 

Para cada R$ 100 de desvalorização de suas carteiras, essas pessoas querem recompor R$ 200 em questão de poucos dias. 

Esse desespero leva ao que nós apelidamos de “trade da vingança”. 

Inconformados com as perdas momentâneas, alguns investidores montam novas operações não porque elas possuem uma boa relação de risco e retorno, e sim porque precisam de retorno, independente do risco. 

É uma postura puramente emocional, sem nenhum componente estratégico. 

Na maioria dos casos, o trade da vingança transforma um prejuízo em ainda mais prejuízo.  Uma bola de neve que rola montanha abaixo, crescendo seu raio de alcance e poder de destruição a cada novo quilômetro percorrido.

Sinceramente, eu não gostaria que você fosse levado por essa avalanche. Ela não é nem um pouco condizente com o comportamento daqueles que buscam um projeto de aposentadoria. 

A minha sugestão é que você aproveite a chance de buscar um segundo “Ano Novo” dentro deste ano que ainda não acabou.

Temos sugerido cautela e apenas oportunidades pontuais aos membros do Empiricus FIRE®, além de uma alocação estratégica composta sobretudo de empresas e fundos imobiliários que caíram bastante devido ao coronavírus e oferecem boas oportunidades de carrego para os próximos anos. 

O que estou propondo é realmente passar a régua na meta que você traçou no início do ano e fazer um plano a partir de agora. Em vez de buscar um retorno a qualquer custo em 2020, amplie o seu horizonte rumo à aposentadoria precoce.

Um abraço!

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