2020-09-03T08:47:14-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
esquenta dos mercados

Com exterior misto, reforma administrativa deve testar bom humor dos investidores

Lá fora, o dia amanhece com os mercados sem uma direção única. Enquanto as bolsas europeias reagem positivamente aos resultados do PMI, os índices futuros em Nova York operam em leve queda.

3 de setembro de 2020
8:21 - atualizado às 8:47
Imagem: Shutterstock

As notícias de que o governo finalmente encaminharia a reforma administrativa animou os investidores brasileiros nos últimos dias. Agora chegou o momento de descobrir se o teor da proposta irá agradar o mercado. Nesta quinta-feira, às 10 horas, a equipe econômica irá apresentar o projeto que busca enxugar a máquina pública.

Lá fora, o clima dos mercados é misto, com os investidores analisando o ritmo de recuperação econômica pós-covid. Nos Estados Unidos, após novos recordes nas bolsas, a agenda de divulgações - com o PMI composto e números de pedidos do auxílio-desemprego - pode pesar nos negócios.

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Na contramão

Nesta quinta-feira, o Ibovespa até abriu em alta, mas o que prevaleceu durante o dia foi o sinal negativo, com os investidores liderando um movimento de realização dos lucros recentes - na contramão da alta das bolsas americanas.

O principal índice da bolsa brasileira teve queda de 0,25%, aos 101.911,13 pontos.

Os investidores, no entanto, seguem confiantes nos sinais recentes que mostram que o governo seguirá com a agenda de reformas e que existe um compromisso com a situação fiscal do país.

O dólar fechou o dia em queda de 0,51%, a R$ 5,3575.

Agora vai?

A reforma administrativa é uma das reformas que deve pautar o noticiário político nos próximos meses. Prometida desde o começo do mandato de Jair Bolsonaro - e barrada pelo presidente no ano passado -, a proposta do governo será entregue nesta quinta-feira ao Congresso.

A expectativa é que a reforma administrativa enxugue a máquina pública, o que deve ter impacto positivo nos próximos anos. O tema tem grande peso neste momento, já que o crescimento dos gastos públicos em resposta à pandemia preocupa. A equipe econômica apresentará os detalhes às 10h.

Uma das exigências do Planalto para que a reforma caminhasse ainda em 2020 era a exclusão dos atuais servidores do pacote. Os servidores públicos já se organizam para impedir que a proposta caminhe.

A reforma, que no momento só inclui servidores da União, deve trazer novas possibilidades de vínculos com a administração pública e a obrigatoriedade de um período de experiência.

Uma reforma administrativa da Câmara deve tramitar ao lado da proposta do governo. Segundo o projeto, a Câmara deve reduzir o número de cargos efetivos e a média dos salários de novos servidores.

Reforma tributária

Outra reforma no radar dos investidores é a reforma tributária. Ontem, em evento online promovido pela Febraban, o presidente da Comissão Mista da Reforma Tributária, senador Roberto Rocha, disse que o texto da reforma pode ser votado na primeira semana de outubro.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que essa é a prioridade número 1.

Na contramão 2

Mesmo com os novos recordes em Wall Street, as bolsas asiáticas fecharam a última sessão sem uma direção definida.

No radar dos investidores ficou o índice de gerente de compras (PMI) de serviços da China. O índice caiu de 54,1 em julho para 54 em agosto. O número mostra uma tendência de estabilização do setor.

Morde e assopra

Na Europa, onde as principais praças operam no positivo,os indicadores econômicos divulgados nesta manhã tiveram dois efeitos antagônicos nos investidores.

O PMI composto da zona do euro foi de 54,9 em julho para 51,9 em agosto - mesmo com o recuo, o número superou a primeira leitura e animou os investidores. Na Alemanha, o PMI composto também recuou, mas ficou acima da leitura inicial.

No Reino Unido, embora o índice tenha apresentado avanço, o número ficou abaixo das expectativas. O que também decepcionou os investidores foi as vendas no varejo em julho - uma queda de 1,3% de junho para julho. A expectativa era de alta de 1,2%.

Após a sequência de recordes dos últimos dias, os índices futuros em Nova York operam em leve baixa nesta manhã.

Agenda

A sequência de divulgação dos PMIs segue. Hoje é dia de conhecer também o índice do Brasil (10h) e dos Estados Unidos (10h45). Pela manhã temos também a divulgação da produção industrial de julho (9h).

Lá fora, além do PMI americano, também temos o número de novos pedidos de auxílio desemprego (9h30).

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