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2020-06-02T08:34:29-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
Cursando jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Esquenta dos mercados

China segue comprando soja dos EUA e notícia anima os mercados globais

Ao contrário do noticiado ontem pela Bloomberg, o jornal chinês Global Times afirmou que o país asiático continuará comprando soja dos Estados Unidos. O alívio visto nas bolsas globais deve ajudar o Ibovespa em dia de agenda ecnômica fraca.

2 de junho de 2020
8:12 - atualizado às 8:34
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A notícia de que, ao contrário do que circulou ontem, a China continuará comprando soja dos Estados Unidos, mantendo a parceria comercial entre as duas maiores economias do mundo, impulsiona os mercados acionários globais nesta manhã. Além disso, os investidores seguem esperançosos com os últimos dados econômicos, que indicam uma recuperação pós-coronavírus nos países onde a reabertura gradual já começou.

No Brasil, os investidores parecem deixar de lado a crise política e econômica, com a leitura de que a tensão não traz riscos reais ao governo Jair Bolsonaro. Por aqui, após a decisão do ministro Celso de Mello de arquivar o pedido de apreensão do celular de Bolsonaro, a tendência é em um alívio no conflito entre governo e STF.

Sem abalos

Quem olha para o resultados anotados ontem no Ibovespa ou nas bolsas americanas não imagina o nível de tensão que tomou conta das ruas no último fim de semana e que continua exacerbado.

Nos Estados Unidos, protestos violentos tomaram conta das ruas nos últimos dias, após a morte de George Floyd - um homem negro sufocado até a morte por um policial branco.

No Brasil, o fim de semana também foi de protestos, com manifestações contrárias ao governo Bolsonaro em diversas capitais do país.

Mesmo com o clima político-social denso, o mercado financeiro decidiu ignorar a situação e focou na agenda de dados econômicos da última segunda-feira. Assim, o Ibovespa avançou 1,39%, chegando a 88.620,10 pontos.

A leitura é que embora o país enfrente uma crise política - com o governo e STF se estranhando abertamente e ameças de rupturas institucionais -, sanitária - com quase 30 mil mortos e 526 mil infectados pelo novo coronavírus -, e econômica, o governo de Jair Bolsonaro não corre grandes riscos de destituição.

O dólar à vista, no entanto, terminou em alta de 0,3%, a R$ 5,3884. O BC chegou a intervir duas vezes no câmbio, mas não foi o suficiente para manter a moeda em baixa. Frente ao cenário de incerteza e turbulência política, o ativo é utilizado como proteção pelos investidores.

Hoje, a tendência é de alívio na tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o STF. O ministro da Corte Celso de Mello arquivou o pedido de apreensão para o celular de Bolsonaro.

Blindagem

O governo continua o seu processo de aproximação com o centrão, em busca de proteção e de uma base para governabilidade.

Nesta segunda-feira, o cobiçado Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educaçõ (FNDE) e o Banco do Nordeste foram entregues ao PL.

Mesmo com a distribuição de cargos e o aparente compromisso da ala com o governo, aliados reforçam que a briga com o STF não será comprada pelo Centrão.

Uma razão para comemorar

Com a situação nas ruas americanas deixada de lado, os investidores escolhem focar nos sinais que mostram que a economia global deve se recuperar pós-coronavírus.

Em primeiro plano, a reversão gradual das medidas de quarentena em diversos países ainda são monitoradas. Na China, o PMI industrial teve uma expansão, passando de 49,4 rm abril para 50,7 em maio.

Já na Europa, o índice ainda não indica expansão da atividade, mas a marca de 39,7 indica uma desaceleração menor do que a observada anteriormente. Durante a madrugada, as bolsas asiáticas fecharam em alta.

E vem da China outra notícia que pode sustentar o otimismo dos mercados. O jornal chinês Global Times afirmou que, ao contrário do noticiado ontem, o país asiático continuará comprando soja da China. A informação chegou após o fechamento dos mercados asiáticos.

Desde que novos conflitos envolvendo Estados Unidos e China começaram a circular, o temor dos investidores se voltou para o acordo comercial de 'fase 1', assinado no começo deste ano. O medo do mercado é que um agravamento nas relações diplomáticas prejudique o cumprimento do acordo.

Além da empolgação com a reabertura econômica dos países, a notícia do Global Times começou a circular com o mercado europeu já aberto e deu fôlego extra aos principais pregões. Por volta das 7h, o índice pan-europeu Stoxx-600 subia 1,50%.

A empolgação chegou também ao mercado de petróleo. Por volta das 7h15, o petróleo WTI para julho subia 2,71%, a US$ 36,40. Já o Brent para agosto avançava 2,77%, a US$ 39,39 o barril

Turbulência interna

Nos Estados Unidos, mesmo com mais uma noite de protestos em diversas cidades do país, os índices futuros amanhecem no positivo.

Mas isso não significa que não exista conflito na situação americana. O presidente americano voltou a se indispor com os governadores, ameaçando usar as Forças Armadas para conter as manifestações.

As boas novas envolvendo Estados Unidos e China também impulsionam o principal ETF brasileiro negociado na bolsa americana, o EWZ, que sobe mais de 2% no pré-mercado.

Agenda

Fenabrave divulga números de vendas de veículos em maio.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de reunião do Comitê de Estabilidade Financeira do BC (Comef), às 9h30.

Na agenda de balanços corporativos, a petroquímica Braskem solta os seus resultados, sem horário definido.

Fique de olho

  • O Bradesco foi multado em R$ 92,2 milhões pelo Banco Central. A instituição pediu ao banco um aprimoramento de procedimentos das operações de câmbio.
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