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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Carteira recomendada

Os 10 melhores BDRs para você investir, segundo a XP

Negociação de recibos de ações de empresas estrangeiras na bolsa brasileira foi liberado nesta quinta para todos os investidores, e corretora indica os seus papéis preferidos

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
22 de outubro de 2020
15:18 - atualizado às 18:01
Big techs dos bastidores
Imagem: Shutterstock - Imagem: Shutterstock

A partir desta quinta-feira (22), todos os investidores brasileiros poderão investir em empresas com BDR negociados na B3.

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Os BDR (sigla para Brazilian Depositary Receipts) são recibos de ações negociadas em bolsas estrangeiras que funcionam como representantes dessas ações na bolsa brasileira.

Antes, a maior parte dos BDR, notadamente aqueles que representavam ações das companhias gringas mais renomadas e populares entre os investidores, era restrita a investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

Felizmente a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) derrubou essa regra, passando a permitir que mesmo os pequenos investidores acessem esses papéis. Isso significa que, a partir de agora, qualquer brasileiro poderá se tornar sócio de empresas como Apple, Facebook, Google e Amazon.

Mas por onde começar? Em quais BDR investir? Afinal, são 670 BDR acessíveis ao investidor brasileiro hoje, mais do que as 330 ações brasileiras na B3.

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As áreas de análise das corretoras já estão se preparando para assessorar os investidores nesse sentido, e hoje a XP Investimentos emitiu a sua primeira carteira recomendada de BDR, com seus 10 papéis preferidos. Confira a lista da XP:

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Facebook (FBOK34)

Além do Facebook, a companhia também é dona do Instagram, WhatsApp e Messenger, com quase 1/3 da população global (2,5 bilhões de pessoas) acessando pelo menos uma das suas plataformas diariamente.

Em relação às receitas, 98% vem de anúncios, e a diversificação geográfica é vasta, com metade do faturamento vindo de fora dos Estados Unidos. O Facebook tem mais de 9 milhões de anunciantes ativos, que realizam 180 milhões de negócios utilizando suas ferramentas todos os meses.

Apostas de crescimento: Varejo social (Facebook Shops & Instagram Shopping) / Meios de pagamento (WhatsApp Pay & Facebook Pay).

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Johnson & Johnson (JNJB34)

A companhia tem suas receitas divididas em três segmentos: farmacêutico (52%), equipamentos médicos (31%) e bens de consumo, como produtos de higiene e cuidado pessoal (17%).

Os analistas da XP consideram a ação defensiva para cenários de incerteza, dado que a empresa é uma sólida pagadora de dividendos (em 2019, aumentou o pagamento pelo 57º ano consecutivo), possui robusta posição de caixa (US$ 18 bilhões) e consistente crescimento de receitas no segmento farmacêutico (aproximadamente 8% ao ano nos últimos 20 anos).

Apostas de crescimento: pesquisa, desenvolvimento e distribuição de novos medicamentos (exemplo: vacina para Covid-19 e tratamento de mielomas), retomada da demanda por equipamentos cirúrgicos em 2021 e potenciais aquisições de novas patentes e de companhias farmacêuticas menores.

Amazon (AMZO34)

Apesar de as vendas on-line representarem 50% do faturamento da Amazon, representam só 12% do lucro. A maior parte do lucro vem do seu serviço de computação em nuvem, conhecido como Amazon Web Services (AWS), que fatura US$ 40 bilhões por ano. A companhia também oferece pacotes de serviços (Amazon Prime), que incluem desde planos de entregas rápidas a filmes e séries sob demanda.

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Para os analistas da XP, a empresa está bem posicionada para se beneficiar da migração para o digital, devido à sua capacidade logística e tecnológica.

Apostas de crescimento: Tecnologia aeroespacial / Logística para terceiros / Carros autônomos (Zoox).

Microsoft (MSFT34)

A Microsoft é líder absoluta no mercado global de sistemas operacionais, com o Windows instalado em 3/4 dos computadores pessoais do planeta. Em dispositivos móveis, sua participação se mantém em 30% dos aparelhos.

O faturamento é dividido em três segmentos, cada um representando aproximadamente um terço do total: computação pessoal (que inclui Windows e Xbox), produtividade e processos (que inclui o pacote Office 365, SharePoint, Skype e LinkedIn) e nuvem (que inclui o Azure, SQL e Windows Server). Metade das receitas vêm de fora dos EUA.

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Apostas de crescimento: Trabalho remoto (Office 365) / Computação em nuvem (Azure) / Games em nuvem / Plataforma social (possível aquisição da TikTok).

Alphabet (Google) (GOGL34)

O Google possui 86% do mercado global de ferramentas de pesquisa, 3/4 do mercado de compartilhamento de vídeos, por meio do YouTube, e seu sistema operacional Android está presente em 3,4 dos aparelhos móveis do planeta.

Quanto ao faturamento, 85% das receitas vem dos anúncios direcionados em suas plataformas, enquanto outros 14% são compostos pelos serviços (Google Play) e nuvem (Google Cloud). Há ainda 1% advindo dos negócios em estágio inicial, mas com potencial revolucionário (Moonshots).

Apostas de crescimento: Inteligência Artificial / Direção Autônoma (Waymo) / Saúde (Calico & Verily Life).

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Disney (DISB34)

A Disney atua nos segmentos de TV por assinatura (35% das receitas), parques de diversão e hotéis (37%), estúdio e entretenimento (15%) e venda de produtos com a marca Disney (13%).

Segundo a XP, apesar de os parques estarem com as operações reduzidas atualmente, em razão da pandemia de covid-19, a companhia continua bem posicionada estruturalmente e com vantagens competitivas de longo prazo intactas.

"O poder da marca, combinado com a produção de animações num mundo onde pessoas consomem cada vez mais conteúdo digital, são a fórmula para a companhia gerar valor e lucro no longo prazo", diz o relatório.

Os analistas destacam ainda a capacidade de inovação da Disney, que recentemente lançou o Disney+, seu serviço de streaming, por um preço mais competitivo que o da Netflix. Eles lembram que o Disney+ superou até as mais otimistas expectativas, pois quase 30% do mercado alvo existente nos EUA já assina o serviço, e 37% assina o Hulu, também da Disney.

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Apostas de crescimento: Plataforma de streaming (Disney+).

Activision Blizzard (ATVI34)

A desenvolvedora, produtora e distribuidora de games tem seu faturamento dividido em três segmentos, em proporções similares: Activision, criadora de games e organizadora de campeonatos de eSports, com mais de 130 milhões de jogadores mensais e responsável pelo sucesso Call of Duty; Blizzard, outra desenvolvedora, desta vez responsável pelo sucesso World of Warcraft e por plataformas de jogos on-line, com 30 milhões de jogadores mensais; e King, segmento para dispositivos móveis, com mais de 250 milhões de jogadores mensais nas plataformas Android, iOS e Facebook.

Apostas de crescimento: Jogos grátis (com compras dentro do jogo) / Jogos para dispositivos móveis.

Berkshire Hathaway (BERK34)

A holding do megainvestidor Warren Buffett detém o controle e participações minoritárias em empresas de diversos segmentos, de joalherias a fabricantes de refrigerantes. Mas aproximadamente 80% das suas receitas são provenientes do ramo de seguros (principalmente da GEICO) e os 20% restantes advêm de transporte ferroviário e geração de energia.

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Segundo a XP, os principais fatores que atraem os investidores para a companhia são o compromisso de Buffett com transparência e governança, o histórico de sucesso dos investimentos em empresas sólidas, como Coca-Cola, American Express, Gilette e Apple, além do alinhamento de interesses entre a administração e os acionistas.

Nike (NIKE34)

A Nike tem 96% das suas receitas advindas das vendas de calçados (Nike e Converse) e roupas, com 60% das vendas acontecendo fora da América do Norte. Hoje, apenas 23% da produção da companhia ocorre na China, com 49% acontecendo no Vietnã, o que protege parcialmente a companhia das tensões comerciais entre EUA e China, diz a XP.

Para os analistas, a empresa está bem posicionada frente aos competidores, com uma marca forte e uma estratégia disruptiva de vendas digitais. O canal direto de vendas on-line (Nike.com) cresce 35% ao ano. "O objetivo é que este canal seja responsável por 50% das receitas até 2023, crescendo dos atuais 31%, que impulsionará as margens", diz o relatório.

"Além do cenário construtivo no mundo dos esportes, outros fatores podem ajudar a gerar crescimento adicional, como o aumento do poder de compra de consumidores mais jovens, sobretudo na China (10% da receita) e maior penetração no segmento premium de vestuário e itens femininos", completam os analistas.

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Alibaba (BABA34)

Conhecida com a Amazon chinesa, a gigante transaciona US$ 1 trilhão em produtos nas suas plataformas por ano, sendo 95% do volume local na China. Tem 750 milhões de clientes anuais e, segundo a XP, está bem posicionada para capturar um mercado cada vez mais acostumado a consumir produtos on-line.

O faturamento da companhia tem crescimento em ritmo acelerado de aproximadamente 30% ao ano. O varejo compõe 90% das receitas, mas a empresa também busca expandir o seu segmento de computação na nuvem, que já representa 9% das receitas e cresce cerca de 60% ao ano.

Vantagens de investir em BDR

Conforme a própria XP elenca no seu relatório, o investimento em BDR possibilita uma diversificação interessante da carteira de ações do investidor, pois conta com as seguintes vantagens:

  1. Acesso a um mercado muito maior que o brasileiro: com valor de apenas US$ 700 bilhões - menos do que o valor de mercado da Apple - o mercado de ações brasileiro representa apenas 0,8% do mercado de ações mundial. Os BDR permitem ao investidor acessar as empresas que compõem os principais índices de ações das bolsas americanas, como o S&P 500 e o Nasdaq, que representam, respectivamente, 15% e 33% do mercado mundial.
  2. Diversificação por empresas e setores: além da grande quantidade de BDR disponíveis na bolsa brasileira, muitas empresas estrangeiras atuam em setores subrepresentados no mercado local. Os BDR são, portanto, uma forma de se expor a esses setores.
  3. Diversificação geográfica: além de a maioria das empresas que negociam BDR serem americanas, boa parte das receitas delas vem de fora dos EUA, proveniente de diversas partes do mundo.

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