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2020-12-29T18:18:16-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
Cursando jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
Mercados hoje

Ibovespa opera estável após bater recorde e dólar cai mais de 1%

Ações de bancos, Petrobras e Vale pesam no índice; juros futuros caem com inflação do aluguel abaixo das expectativas

29 de dezembro de 2020
10:41 - atualizado às 18:18
Bull bear market
Imagem: Shutterstock

O Ibovespa opera perto da estabilidade nesta terça-feira (29), após ter batido a sua máxima histórica intradiária de 119.593 pontos, recebendo, mais cedo, um "empurrão" proveniente do apetite por risco vindo lá de fora.

Na máxima do dia, o índice avançou 0,6%, para 119.860,91 pontos, renovando o seu topo. Por volta das 17h, no entanto, o principal índice acionário da bolsa brasileira tinha leve variação positiva, de 0,1%, para 119.280 pontos.

O movimento foi guiado por certa realização de lucros, já que, no mês, o Ibovespa subiu 9%, destoando do desempenho dos índices acionários à vista do exterior. As bolsas americanas caem ao menos 0,2% agora, dando uma pausa no rali recente, depois do veto à aprovação rápida de maior auxílio individual aos americanos.

Enquanto isso, na Europa, apenas o DAX, da bolsa de Frankfurt, recuou entre os principais índices acionários à vista.

Entre os destaques corporativos do Ibovespa, as ações de CSN se disparam quase 5%. Siderúrgicas, Usiminas e Gerdau também sobem.

As ações do IRB avançam, mantendo-se entre as principais altas do índice como ontem, na esteira da prévia operacional de outubro, que apontou um prejuízo líquido de R$ 23,8 milhões.

Sem considerar os efeitos que não vão se repetir nos períodos seguintes, contudo, a empresa teria registrado lucro líquido de R$ 110,3 milhões.

Ações de pesos-pesados, como bancos, Petrobras (destoando da alta do petróleo Brent lá fora) e Vale (seguindo a queda do minério de ferro na China), operam em queda neste momento, pesando no índice.

O que chegou a sustentar o bom humor nos mercados acionários hoje pela manhã foi o cenário externo, impulsionado pela perspectiva de um socorro financeiro ainda mais robusto à combalida economia americana.

Após a aprovação do pacote fiscal de US$ 900 bilhões, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o aumento do auxílio individual dado aos americanos que recebem menos de US$ 75 mil por ano, de US$ 600 para US$ 2 mil, em meio à pressão do presidente americano Donald Trump.

A medida ainda precisava ser aprovada no Senado e, se passasse, elevará o valor total do pacote de ajuda para US$ 1,3 trilhão. No entanto, o Senado americano vetou a aprovação rápida da proposta de ampliação da ajuda individual, o que pesou sobre as bolsas americanas.

Na Europa, os investidores seguiram repercutindo com bom humor o acordo comercial pós-Brexit firmado entre Reino Unido e União Europeia, o que sustentou a maioria das principais bolsas do velho continente no azul.

Juros e dólar também para baixo

No âmbito doméstico, os investidores monitoraram a agenda econômica ao longo do dia, que trouxe dados importantes para detalhar o estado da inflação e da atividade econômica.

Primeiro, foi divulgado o IGP-M, índice conhecido como a inflação do aluguel, que subiu 0,96% em dezembro, fechando o ano com a maior variação anual desde 2002.

Ainda assim, o desempenho mensal desse IGP foi menor do que o esperado pelo mercado, sob o impacto da desaceleração dos preços do atacado e deflação das matérias-primas brutas.

Deste modo, o mercado de juros futuros apontou um alívio em taxas curtas e longas, apesar de alta nas de curtíssimo prazo (janeiro/2021). As quedas mais intensas foram observadas nos juros para contratos de prazo maior.

Confira as taxas de fechamento dos principais vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,900% para 1,916%
  • Janeiro/2022: de 2,91% para 2,88%
  • Janeiro/2023: de 4,29% para 4,23%
  • Janeiro/2025: de 5,79% para 5,67%

Do lado da atividade econômica, a taxa de desemprego até outubro ficou em 14,3%, abaixo do piso das expectativas dos analistas, o que sugere uma recuperação do mercado de trabalho.

Depois de subir fortemente na sessão de ontem mesmo após intervenção do Banco Central, o dólar cai 1,1% agora, aos R$ 5,1829. Mais cedo, o BC vendeu US$ 800 milhões em operação de swap (venda de dólar no mercado futuro).

O movimento do dólar diante do real brasileiro hoje está em linha com o que se vê em relação a moedas emergentes — a divisa também cai frente ao peso mexicano, rublo russo e o rand sul-africano.

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