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Moeda americana quase atingiu os R$ 5,80 no pico, mas reduziu alta após Banco Central vender US$ 1 bilhão no mercado à vista. Alemanha e França anunciam novas medidas de confinamento; avanço da covid-19 no exterior traz aversão ao risco generalizada
Ontem, dissemos que o dia mercados foi tenso. Mas muito mais tenso é o de hoje.
A aversão ao risco generalizada dá o tom nesta quarta-feira (28), derrubando as bolsas ao redor do mundo e também o petróleo, e, por conseguinte, elevando a busca por dólar — considerado um dos ativos mais seguros dos mercados financeiros, junto dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
A alta dos casos de coronavírus tanto no país, que voltou a marcar mais de 70 mil casos por dia, como na Europa, onde se espera medidas de distanciamento social, deixa os nervos de investidores à flor da pele.
A situação das duas regiões alerta os investidores sobre possíveis novas limitações de restrição, que seriam um peso sobre a retomada da economia global. A Alemanha e a França anunciaram novas restrições de circulação nesta quarta.
Por volta das 16h20, os principais índices acionários americanos sustentavam fortes quedas, de ao menos 2,9% — S&P 500 cai 2,94%; o Dow Jones, 2,95%, e Nasdaq, 3,1%.
Nas principais praças da Europa, também houve fortes desempenhos de baixa, com as bolsas de Frankfurt, Paris e Londres fechando o dia com queda de ao menos 2,55%.
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Além disso, a agenda local também mantém a atenção dos investidores. Hoje ocorre a divulgação de balanços de pesos-pesados do Ibovespa e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic.
Repercutindo a tensão, por volta do mesmo horário o principal índice da bolsa brasileira opera em tombo de 3,86%, cotado aos 95.764,99 pontos.
Papéis penalizados desde o início da crise da pandemia, que assolou os mercados principalmente em março, Azul PN (AZUL4) e Gol PN (GOLL4), junto com CVC ON (CVCB3), estão entre as maiores quedas percentuais do Ibovespa.
IRB ON (IRBR3), papel que já caiu mais de 80% no ano, também cai forte hoje, mais uma vez.
Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4) tombam 4,5% e 4,6%, respectivamente, na esteira do desempenho negativo do petróleo no mercado internacional. O preço do barril do Brent recuou fortemente no mercado internacional, com o contrato futuro para janeiro fechando em queda de 4,7%. A gigante estatal divulga seus números do terceiro trimestre mais tarde.
Outro que solta seu balanço trimestral é o Bradesco. Ações Bradesco ON (BBDC3) e Bradesco PN (BBDC4) têm quedas de 5% e 4,7%. Vale ON (VALE3), que fecha a tríade das gigantes a reportarem balanço após o fechamento dos mercados, cai 3,1%. Confira as cinco principais baixas do Ibovespa agora:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| AZUL4 | Azul PN | 23,52 | -9,12% |
| IRBR3 | IRB ON | 6,20 | -7,88% |
| CVCB3 | CVC ON | 13,03 | -8,05% |
| GOLL4 | Gol PN | 17,03 | -8,44% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | 24,37 | -6,56% |
Veja também os principais desempenhos positivos do índice:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| TAEE11 | Taesa units | 28,57 | -0,63% |
| GNDI3 | Intermédica ON | 65,97 | -1,35% |
| RAIL3 | Rumo ON | 17,79 | -1,44% |
| MRVE3 | MRV ON | 17,54 | -1,46% |
| CRFB3 | Carrefour Brasil ON | 19,78 | -1,74% |
Em um contexto de aversão ao risco, os ativos considerados "porto seguro" ganham força entre os investidores. O dólar é um deles. Como fica demonstrado pelo Dollar Index (DXY), índice que compara a divisa a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, a divisa está se apreciando globalmente hoje, avançando 0,5%.
Neste momento, a moeda americana sobe 1,2% frente ao real, cotada a R$ 5,7499. Na máxima, chegou a alcançar R$ 5,7925, disparando 1,93%, operando nos maiores níveis desde maio.
Ontem, a divisa já havia fechado a sessão em um patamar elevado, a R$ 5,68, em alta de 1,26%, no maior nível de encerramento desde 20 de maio.
No começo do pregão de hoje, o Banco Central interveio no mercado de câmbio, o que evitou que a moeda chegasse aos R$ 5,80. O BC fez um leilão de venda de dólar no mercado à vista no valor de US$ 1,042 bilhão.
Os juros, por sua vez, operam em baixa hoje. O Copom divulga hoje sua decisão sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que deve continuar parada na mínima histórica, de 2%.
Agentes financeiros deverão buscar no documento indicações sobre a avaliação do comitê quanto à inflação de curto prazo, além da visão sobre o risco fiscal — fatores que geram desconforto no mercado neste momento.
No exterior, em primeiro plano segue o medo de que novas medidas de isolamento social serão cada vez mais inevitáveis — como foram no primeiro trimestre — na Europa e nos Estados Unidos.
No continente europeu, a Alemanha divulgou mais cedo que realizará um lockdown parcial, com a duração de um mês. A decisão fechará restaurantes, bares, academias, espaços para shows e teatros a partir da próxima segunda (2). Também foram proibidas aglomerações de mais de 10 pessoas no país.
Na França, o presidente Emmanuel Macron comunicou há pouco novas medidas de restrição para todo o país. O lockdown será retomado na sexta (30) e durará até dezembro. As escolas se manterão abertas, sendo que serviços essenciais e atividades ao ar livre serão liberados.
O presidente ressaltou que a França utilizará métodos inovadores para realizar a testagem dos franceses para a covid-19.
Nas últimas duas semanas, 46 milhões de franceses — ou dois terços da população — entraram no sistema de toque de recolher, inicialmente válido para cidades maiores, como Paris.
Tanto Estados Unidos como Europa têm registrado novos recordes diários de infecções. Nos EUA, o país voltou a marcar 70 mil casos de covid-19 por dia, após, na sexta e no sábado, registrar mais de 80 mil casos da doença.
No domingo, a França marcou 52 mil novos casos da doença — nos últimos dias, o país vem batendo recordes de novos casos.
As bolsas europeias terminaram o dia em fortes quedas, com CAC-40 caindo 3,4%, o DAX, 4,2%, e o FTSE 100, 2,55%.
A necessidade de distanciamento diminui o ímpeto da recuperação econômica global, pesando sobre a confiança dos investidores.
A escalada do número de infecções se soma ao cenário tenso às vésperas das eleições americanas e a falta de acordo nos EUA sobre um novo pacote de estímulos fiscais no país.
Os investidores possuem uma agenda cheia após o fechamento. Primeiro, a decisão de política monetária do Copom.
A expectativa do mercado é de que o BC mantenha a taxa Selic na mínima histórica.
Mas a instituição está sob pressão. Com o avanço da inflação e a as incertezas em torno das contas públicas, os agentes financeiros esperam que o comunicado da decisão seja muito mais duro do que o das reuniões anteriores.
Além da divulgação da decisão de política monetária do Copom, temos uma agenda com a divulgação de balanços importantes para a bolsa brasileira.
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