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2020-10-06T17:23:07-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
Cursando jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
mercados hoje

Trump recusa pacote de estímulos de democratas e derruba bolsas; dólar sobe a R$ 5,60

O presidente dos Estados Unidos vai negar o pacote de estímulos dos democratas no valor de US$ 2,4 trilhões, levantando dúvidas no mercado acerca da recuperação da maior economia do mundo

6 de outubro de 2020
10:29 - atualizado às 17:23
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (6) que vai negar o pacote de estímulos fiscais dos democratas no valor de US$ 2,4 trilhões e derrubou as bolsas ao redor do mundo. Como resultado, o dólar retornou ao patamar de R$ 5,60.

O republicano publicou a negativa em sua conta oficial no Twitter.

"Fizemos uma oferta muito generosa de US$ 1,6 trilhão de dólares e, como sempre, ela não está negociando de boa fé", disse Trump, referindo-se à presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi. "Estou rejeitando o seu pedido."

As negociações para o pacote estão paradas até a eleição, disse Trump, "quando, imediatamente após eu vencer, nós aprovaremos um grande pacote que foque em americanos que trabalham duro e pequenos negócios".

A reação dos mercados foi instantânea. Às 16h20, o S&P 500 cai 1,4%, o Dow Jones, 1,4%, e o Nasdaq, 1,8%.

O Ibovespa, por sua vez, tem queda de 0,53%, aos 95.579,99 pontos.

Na máxima intradiária, o Ibovespa chegou a avançar 1,37%, para 97.404,54 pontos, quando surfava a trégua no cenário político local após a reconciliação de Rodrigo Maia e Paulo Guedes e a recuperação do presidente americano Donald Trump, que deixou ontem o hospital após testar positivo para a covid.

"O Ibovespa acompanhou o movimento de aversão ao risco sistêmico, uma vez que a maior economia do mundo deve permanecer sem novos estímulos fiscais por mais tempo do que era previsto", diz Paloma Brum, analista da Toro Investimentos.

De acordo com ela, os mercados se tornam receosos acerca da recuperação da maior economia do mundo após o posicionamento de Trump, com a visão de que são necessários mais estímulos para garantir a retomada.

Mais cedo, Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve, fez o alerta de que a retomada dos Estados Unidos será mais veloz se houver a combinação de política fiscal com monetária. Os juros estabelecidos pelo Fed, o banco central americano, atualmente se encontram na faixa de 0% a 0,25%.

“Neste estágio inicial, eu diria que os riscos da intervenção política ainda são assimétricos”, disse Powell. “Muito pouco apoio levaria a uma recuperação fraca, criando dificuldades desnecessárias.”

Discurso cauteloso

Segundo Powell, mesmo que as ações de estímulo acabem se revelando maiores do que o necessário, "elas não serão um desperdício".

"Powell fez um discurso cauteloso", diz Igor Cavaca, analista de investimentos da Warren. "Ele ressaltou que a recuperação ainda não atingiu o esperado, e que o espaço de realização de política monetária está pequeno."

Ari Santos, operador de renda variável da Commcor, observa que os investidores também optam por realizar alguns lucros após a expressiva alta de ontem.

Dólar volta aos R$ 5,60

Antes de Trump elevar a aversão ao risco nos mercados financeiros globais e incentivar a busca por dólar, a moeda americana já operava em queda mais tímida frente ao real, uma vez que os investidores sopesavam as falas de Powell e o cenário político local.

O dólar avança 0,67%, cotado a R$ 5,60. Na máxima, subiu 0,89%, para R$ 5,61, e, na mínima, chegou a cair 1,49%, para R$ 5,48.

Segundo Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora NGO Associados, o mercado também voltou a acordar para os "problemas latentes" da economia brasileira, o que explicava a queda mitigada da moeda na sessão de hoje.

"As questões do Brasil, como a fiscal, continuam aí", afirma ele. "Houve um certo relaxamento, pela reconciliação, mas o mercado logo volta a enxergar os problemas latentes."

Cleber Alessie, operador de câmbio da Commcor, diz que a performance do mercado de câmbio logo cedo repercutia o jantar entre Guedes e Maia de ontem, mas que a cautela com o risco fiscal permanece.

"Foi uma injeção de otimismo", diz Alessie. "O mercado pode ter devolvido algumas posições de hedge, mas o pano de fundo com o fiscal é o mesmo. Precisamos ver avanços concretos."

Europa no azul

Os sinais da abertura dos mercados ajudaram as bolsas, com a promessa de estímulos monetários.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, falou que a recuperação da zona do euro será "incompleta, incerta e desigual" e também "agitada", mas disse que está preparada para cortar os juros e aumentar os estímulos.

Isso funcionou para as bolsas da Europa, que terminaram o dia em alta.

O FTSE 100, em Londres, fechou o dia em alta de 0,12%, enquanto o Dax, em Frankfurt, teve avanço de 0,62%. O CAC-40, em Paris, subiu 0,48%.

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