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Apesar de exterior positivo, Ibovespa passou por realização de lucros e fechou em leve queda; dólar, porém, caiu mais de 2% com menor aversão a risco e otimismo com avanço das reformas
O pregão desta terça-feira (21) foi morno para a bolsa brasileira, mas de forte alívio no mercado de câmbio. Enquanto o Ibovespa teve um dia de realização dos ganhos recentes - fechando em queda de 0,11%, aos 104.309,74 pontos -, o dólar à vista despencou 2,44%, fechando a R$ 5,2113, menor cotação de fechamento desde o dia 23 de junho.
A bolsa brasileira começou o dia em alta, embalada pelo otimismo que se manteve no exterior durante todo o pregão. Logo no início das negociações, o Ibovespa chegou a romper o 105 mil pontos, mas no fim da manhã o índice virou o sinal e chegou a perder os 104 mil pontos, indo aos 103.732,33 pontos na mínima do dia.
Durante a tarde, o principal índice acionário da B3 alternou altas e baixas. Diante da falta de notícias que justificasse as perdas em um cenário internacional amplamente positivo, tudo indicava se tratar de um ajuste técnico.
Para o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset, o desempenho negativo do índice pode ser atribuído a um movimento de realização de lucros depois das altas recentes nos preços das ações brasileiras, enquanto o mercado aguardava o grande acontecimento do dia no mercado doméstico: a apresentação da proposta de reforma tributária do governo pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no início da tarde.
Lá fora, por outro lado, as bolsas tiveram um dia de otimismo. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,60%, a 26.840,40 pontos; o S&P 500 subiu 0,17%, a 3.257,30 pontos; e o Nasdaq teve queda de 0,81%, para 10.680,36 pontos, após ter atingido sua máxima histórica intradiária de 10.839,93 pontos no início das negociações.
Mais cedo, as bolsas asiáticas, da Oceania e da Europa também fecharam em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou o pregão com ganho de 0,31%.
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Esse otimismo externo e o avanço na reforma tributária foram os fatores que mais contribuíram para a queda substancial da cotação do dólar ante o real nesta terça-feira.
Lá fora, os mercados se mantiveram num clima de menor aversão a risco, repercutindo os avanços nas pesquisas de vacinas contra o coronavírus noticiados ontem, bem como o acordo entre líderes da União Europeia em torno de um pacote orçamentário para conter a crise econômica causada pela pandemia de covid-19.
Ontem, a Pfizer anunciou que as pesquisas da sua vacina contra o coronavírus, desenvolvidas junto à BioNTech, tiveram resultados positivos na Alemanha. Já a revista científica The Lancet publicou que a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca produziu resposta imunológica em um estudo com mil participantes. Na China, a CanSino Biologics também obteve resposta imune dos cerca de 500 voluntários testados.
Ontem também chegaram ao fim as negociações entre líderes da União Europeia em torno de um pacote de 1,8 trilhão de euros para conter a crise econômica no bloco. Os líderes decidiram por um plano de recuperação de 750 bilhões de euros, dos quais 390 bilhões serão oferecidos em doações e o restante em empréstimos.
Segundo Luciano Rostagno, estrategista do Banco Mizuho, este é o componente externo que levou o real, assim como outras moedas emergentes, a ganharem força ante o dólar nesta terça-feira. Mas o real foi a moeda emergente que apresentou a maior alta no pregão de hoje, "o que nos leva a crer que haja também um componente local", disse.
Para Rostagno, esse componente local é o otimismo do mercado com o avanço na reforma tributária, uma vez que o andamento das reformas sinaliza uma trajetória positiva para as contas públicas. E num cenário de crise provocada por uma pandemia, a dificuldade de manter as contas públicas sob controle vem pesando sobre a cotação do real ante a moeda americana.
"Agora parece que poderemos discutir a reforma tributária em bases mais construtivas, o que aumenta a chance de avançarmos neste tema", diz Rostagno.
Na tarde de hoje, o ministro Paulo Guedes apresentou a primeira fase da reforma tributária, de autoria do governo, com a proposta de unificação de PIS e Cofins (conheça detalhes).
Os juros futuros, porém, não acompanharam a queda do dólar e fecharam em alta em todos os principais vencimentos:
As ações da Petrobras subiram forte hoje, com o avanço nos preços do petróleo no exterior. O óleo tipo Brent com vencimento em setembro fechou em alta de 2,40%, cotado a US$ 44,32. Com isso, as ações preferenciais da estatal (PETR4) fecharam em alta de 2,77%, e as ordinárias (PETR3) avançaram 2,09%. Hoje à noite, a petroleira divulga seus dados operacionais do segundo trimestre.
Já a Vale (VALE3) fechou em queda de 1,81%. A mineradora apresentou relatório de produção do segundo trimestre ontem à noite, com crescimento da produção de minério um pouco abaixo do esperado.
As ações da Qualicorp (QUAL3) tiveram a maior queda do Ibovespa no dia (-6,41%) depois que a sede da empresa foi alvo de busca e apreensão de documentos pela Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral de São Paulo na manhã desta terça.
A ação faz parte da Operação Paralelo 23 - a terceira fase da operação Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo - e investiga suposto caixa dois de R$ 5 milhões ao ex-governador José Serra (PSDB) na campanha de 2014, quando foi eleito senador.
A operação prendeu o fundador da companhia de planos de saúde, José Seripieri Junior, sob a alegação de que o empresário montou uma "estrutura financeira e societária" para ocultar a transferência do dinheiro da Justiça Eleitoral.
Fora do Ibovespa, a ação da incorporadora JHSF (JHSF3) fechou em queda de 5,23% depois que a companhia foi alvo de busca e apreensão no âmbito da mesma operação, por determinação da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.
O objetivo da operação na JHSF é localizar o eventual contrato entre a companhia e a LRC Eventos e Promoções, do ano de 2014. Na ocasião, a companhia adquiriu ingressos para o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.
Confira a seguir as cinco maiores altas do Ibovespa nesta terça:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| PCAR3 | Pão de Açúcar | 76,99 | +6,93% |
| CVCB3 | CVC | 22,65 | +4,72% |
| ABEV3 | Ambev | 14,68 | +3,97% |
| SANB11 | Santander | 30,69 | +2,81% |
| CRFB3 | Carrefour | 20,90 | +2,80% |
Estas são as cinco maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| QUAL3 | Qualicorp | 29,81 | -6,41% |
| IRBR3 | IRB | 8,52 | -4,48% |
| BPAC11 | BTG Pactual | 89,30 | -3,46% |
| MGLU3 | Magazine Luiza | 84,30 | -3,10% |
| ELET3 | Eletrobras ON | 38,76 | -3,10% |
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