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2020-01-27T15:04:42-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Fez parte da equipe de análise de ações da Exame Invest Pro. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Cautela elevada

Mercados em alerta: tensão com o coronavírus faz o Ibovespa cair mais de 2,5% e leva o dólar a R$ 4,21

A disseminação do coronavírus eleva a aversão ao risco nos mercados financeiros, derrubando o Ibovespa e fazendo o dólar romper a marca de R$ 4,20. Todas as ações do índice operam em queda, em especial as ligadas ao setor de commodities, como Vale, Petrobras e siderúrgicas

27 de janeiro de 2020
10:34 - atualizado às 15:04
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O estresse toma conta das bolsas globais nesta segunda-feira (27), com os investidores mostrando-se apreensivos quanto à disseminação do coronavírus no mundo. O Ibovespa opera em queda firme e já aparece na faixa dos 115 mil pontos, num movimento em linha com o visto no exterior.

Por volta de 15h00, o principal índice acionário do Brasil recuava 2,72%, aos 115.154,80 pontos — um nível que não era visto desde o fim do ano passado. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (-1,23%), o S&P 500 (-1,27%) e o Nasdaq (-1,54%) caem em bloco; na Europa, as principais praças também exibiram um tom amplamente negativo.

O mercado de câmbio não fica para trás: no mesmo horário, o dólar à vista subia 0,69%, a R$ 4,2133 — na máxima, chegou a bater os R$ 4,2318 (+1,13%), o maior nível desde 2 de dezembro. Lá fora, a sessão marcada pela valorização da moeda americana em relação às demais divisas de países emergentes.

Esse salto na aversão ao risco se deve à percepção de que o coronavírus está se espalhando num ritmo mais veloz que o esperado — os esforços globais para conter a doença parecem não estar surtindo muito efeito.

Somente na China, já são 80 mortos e cerca de cinco mil pessoas contaminadas. No restante do mundo, ao menos 14 países já registraram casos da doença misteriosa.

Em meio ao avanço do vírus, o governo chinês tem adotado medidas drásticas. Na semana passada, as autoridades de Pequim isolaram diversas cidades do país, incluindo a metrópole Wuhan, epicentro da doença. E, agora, está em estudo a prorrogação do recesso do Ano Novo Lunar até o próximo domingo (2), como modo de diminuir a circulação de pessoas.

O noticiário, assim, traz enorme cautela aos mercados, que já começam a temer os eventuais impactos econômicos de um surto global do coronavírus. Já há estimativas de que a doença poderá provocar uma queda de um ponto percentual no PIB chinês no primeiro trimestre de 2020.

A cautela atinge especialmente as ações de empresas do setor de commodities e que exportam para a China. É o caso de Vale ON (VALE3), em queda de 5,15%; CSN ON (CSNA3), em baixa de 5,23%; Gerdau PN (GGBR4), com perda de 5,54%; e Usiminas PNA (USIM5), recuando 5,55%.

Os papéis da Petrobras também caem forte — lá fora, o petróleo desvaloriza mais de 2%, tanto o Brent quanto o WTI. Nesse cenário, as ações ON da estatal (PETR3) operam em queda de 3,38%, enquanto as PNs (PETR4) têm baixa de 3,86%.

Pressão no dólar

Em meio à cautela global, os investidores optam por fugir dos ativos mais arriscados e correm para as opções mais seguras. E, no mercado de câmbio, isso se traduz num aumento na demanda por dólares.

O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em comparação a uma cesta com as principais divisas do mundo — como o euro, o iene e a libra — sobe 0,13% no momento.

O movimento é mais drástico em relação às moedas de países emergentes: o dólar tem alta firme ante o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso colombiano, entre outras — o real, assim, fica em linha com seus pares globais.

Juros curtos em queda

Mas, apesar da alta do dólar à vista, as curvas de juros com vencimentos mais curtos têm uma manhã tranquila, operando em leve baixa.

Por aqui, o mercado aumentou as apostas num novo corte da Selic na reunião do Copom em fevereiro — o presidente do BC, Roberto Campos Neto, minimizou as preocupações com a pressão inflacionária gerada pela alta nos preços das carnes.

Veja abaixo como estão os principais DIs no momento:

  • Janeiro/2021: de 4,35% para 4,32%;
  • Janeiro/2023: de 5.56% para 5,51%;
  • Janeiro/2025: de 6,30% para 6,27%;
  • Janeiro/2027: de 6,68% para 6,67%.

Dia vermelho

Poucas ações do Ibovespa conseguem sustentar desempenhos positivos hoje. No momento, são apenas três no azul: Telefônica Brasil ON (VIVT4), com ganho de 1,25%, Tim ON (TIMP3), em alta de 0,98%, e as units do Santander Brasil (SANB11), com valorização de 0,25%.

Confira os cinco papéis de pior desempenho do índice nesta segunda-feira:

  • Eletrobras ON (ELET3): -6,09%
  • Usiminas PNA (USIM5): -5,55%
  • Gerdau PN (GGBR4): -5,54%
  • JBS ON (JBSS3): -5,39%
  • Suzano ON (SUZB3): -5,31%
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