Ibovespa se aproxima dos 110 mil pontos com disparada de blue chips em meio à transição de Biden e vacina
Índice fecha perto das máximas, em sessão liderada por ações de administradoras de shoppings. Dólar prossegue em trajetória de queda em novembro, enquanto juros curtos sobem com IPCA-15 maior do que o esperado

O principal índice acionário da B3 continua subindo e subindo e subindo.
A sessão desta terça-feira (24) foi a 16ª do índice em novembro, no qual marcou 12 altas e apenas quatro quedas. No acumulado do mês, o Ibovespa já somou ganhos de 17% — o que o levou a reduzir as suas perdas no ano, basicamente motivadas pela crise disparada pela pandemia do coronavírus, para 5%.
Os drivers que explicam a performance no mês até aqui principalmente se referem ao avanço no front das vacinas.
Esse "departamento" tem trazido boas novas com frequência, a mais recente delas sendo a de que o imunizante desenvolvido pela farmacêutica britânica AstraZeneca com a Universidade de Oxford obteve eficácia média de 70% em testes da fase 3.
Hoje, um dado proveniente do cenário político dos Estados Unidos veio se juntar aos bons augúrios de vacinas contra a covid-19: a administração do atual presidente Donald Trump enfim autorizou à equipe do presidente eleito Joe Biden que se inicie a transição para o novo governo.
O movimento diminui a percepção de risco político gerado pela continuidade do questionamento de Trump à vitória de Biden.
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As nomeações do democrata para ocupar cargos-chave do governo também fazem preço. Segundo o Wall Street Journal, a ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano, o Fed), Janet Yellen, será a escolhida para secretária do Tesouro do país.
Yellen é vista como uma formuladora de política inclinada a fornecer mais estímulos à economia, o que impulsiona os investidores a alocarem recursos em ativos de risco em meio a uma possível maior disponibilidade de liquidez no mercado.
Esses fatores foram condutores essenciais dos negócios em âmbito global. Em Wall Street, os principais índices acionários dispararam ao menos 1,3%, com o Dow Jones indo ao seu recorde histórico superando os 30 mil pontos.
Por aqui, o Ibovespa fechou o dia com mais uma sessão de gala, disparando 2,24%, terminando cotado aos 109.786,30 pontos. Na máxima, subiu 2,4%, para 109.956,18 pontos, muito próximo do patamar de 110 mil.
Os maiores destaques foram, mais uma vez, as blue chips do índice, empresas consolidadas e com muita participação na composição da carteira do Ibovespa, que têm atraído a atenção dos gringos que voltaram à B3 em novembro. Papéis de bancos, Petrobras e Vale novamente fizeram bonito.
Quem sobe, quem desce
Papéis de bancos registraram ganhos fortes na sessão de hoje — a menor alta entre essas ações foi a de Itaú PN, que disparou 3,15%.
Pesos-pesados, os bancos sustentaram a alta do índice em meio ao ingresso de recursos de investidores estrangeiros na bolsa, os quais têm buscado predominantemente blue chips vistas como "pechinchas".
Outros destaques foram Petrobras ON e Vale ON, atrativas para os estrangeiros pelas características de empresas de valor, com receita estável e alto rendimento de dividendos.
A petroleira foi ajudada pela disparada do petróleo no mercado internacional, enquanto a Vale teve o preço de sua ADR — recibo de depósitos de ações negociadas no exterior — elevado de US$ 14 para US$ 17 pelo BTG Pactual, em meio à expectativa de que o minério de ferro permaneça em valores saudáveis e uma orientação de alocação de capital disciplinada pela mineradora.
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Além disso, fundos locais se aproveitaram para embarcar em papéis de shoppings e educação, que mais poderiam ser beneficiados pelo advento de uma vacina, mas ainda não tiveram crescimentos expressivos como as ações de aéreas — que lideram os ganhos do Ibovespa no mês.
"Esses investidores institucionais estão voltando e considerando esses papéis, enquanto a pessoa física está realizando ganhos", diz Igor Cavaca, analista da Warren.
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| MULT3 | Multiplan ON | 23,50 | 7,16% |
| BRML3 | BR Malls ON | 9,99 | 7,07% |
| USIM5 | Usiminas PNA | 12,48 | 6,12% |
| CSNA3 | CSN ON | 22,63 | 6,00% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | 36,30 | 5,99% |
Na ponta oposta, as ações da Weg caíram, com investidores optando pela realização de lucros. PetroRio ON foi a maior queda percentual do índice, devolvendo parte pequena dos múltiplos ganhos vistos no mês (alta de 44,5% no período).
Exportadoras, Suzano e Klabin caíram com o forte recuo do dólar. As ações NotreDame Intermédica ON caíram 1,25%, o que pode ser um reflexo da oferta pública inicial de ações da Rede D'Or, maior grupo privado de saúde do país. Confira as maiores perdas do Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | 45,30 | -2,60% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | 25,70 | -2,36% |
| WEGE3 | Weg ON | 76,94 | -2,00% |
| TOTS3 | Totvs ON | 26,32 | -1,83% |
| IRBR3 | IRB ON | 7,06 | -1,53% |
Dólar cai; juros curtos sobem com IPCA-15, longos recuam
O dólar, por sua vez, estendeu a queda no mês e caiu 1,1%, fechando cotado a R$ 5,3753, refletindo a tomada de risco nas bolsas ao redor do mundo que faz os investidores se desfazerem de ativos de hedge (proteção) e a entrada de fluxos estrangeiros em países emergentes, como o Brasil.
A divisa americana também demonstrou fraqueza frente a moedas pares do real, como o peso mexicano, o rublo russo e o rand sul-africano, indicando um enfraquecimento generalizado em comparação às divisas de economias em desenvolvimento.
Frente a moedas fortes como euro, libra e iene, como indicado pelo Dollar Index (DXY), o dólar marcou leve recuo.
Os juros futuros, que fecharam estressados ontem com a cautela pelo risco fiscal, tiveram desempenhos mistos nesta terça.
Se mais cedo eles chegaram a cair, viraram em meio à realização do leilão do Tesouro, que vendeu o lote integral de 1,1 milhão de NTN-Bs, um sinal de que o mercado vai embarcar na dívida do governo apesar das incertezas com a sustentabilidade da dívida.
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Para entender a sessão de hoje nesse mercado, é fundamental falar da inflação preliminar de novembro. Foi divulgado pela manhã o maior valor do IPCA-15 para o mês em 5 anos, afetando os vencimentos mais curtos, como os juros para janeiro/2022, que subiram levemente em meio à percepção de alta dos preços no curto prazo.
O economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, escreveu em relatório que o dado apresentou uma alta da alimentação em domicílio e fora do domicílio, além de pressão maior do que a esperada nos preços de bens industriais.
No geral, escreve ele, apesar das recentes pressões sobre os preços dos alimentos e da indústria, "o núcleo e a inflação de serviços ainda abaixo da meta devem continuar a dar conforto ao banco central no curto e médio prazo". Ramos faz, no entanto, um alerta: "a recente dinâmica da inflação requer monitoramento para sinais de efeitos de segunda ordem e generalização das pressões inflacionárias".
"Esse IPCA-15 sugere uma inflação mais salgada nesse fim de ano", diz Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa da Terra Investimentos. "Mas, como o exterior esteve bem, deu uma bela folga no dólar e, portanto, na parte mais longa da curva de juros."
As taxas de vencimentos mais longos recuaram apenas levemente, deixando as mínimas intradiárias que foram vistas ao longo do dia, acompanhando o cenário de busca por risco nas bolsas. Veja o fechamento dos juros:
- Janeiro/2021: de 1,934% para 1,936%
- Janeiro/2022: de 3,40% para 3,41%
- Janeiro/2023: de 5,20% para 5,23%
- Janeiro/2025: de 7,04% para 7,00%
AÇÕES SE DESTACARAM
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