Menu
2020-03-11T23:37:00-03:00
Estadão Conteúdo
Os IPOs vão ter que esperar

Volatilidade no mercado financeiro congela fila de aberturas de capital

IPOs foram suspensos pelo aumento dos temores em torno do coronavírus e da crise no petróleo; reuniões entre investidores, bancos e companhias foram adiadas

11 de março de 2020
13:21 - atualizado às 23:37
Bear Market Ibovespa B3
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A estreia de mais de 20 companhias na B3 até maio terá de aguardar. A janela, que até o início da semana passada prometia ser uma das mais fortes da história do mercado brasileiro, foi fechada pelo aumento das preocupações em torno do coronavírus e da crise no petróleo.

Por ora, os planos de captações das companhias foram suspensos. Diante da impossibilidade de discutir preço de ações para as ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) que estavam engatilhadas - e com o forte movimento de venda de ativos que levou o Ibovespa nas segunda-feira a ter o pior dia desde 1998 -, as reuniões iniciais entre investidores, bancos e companhias já começam a ser adiadas.

A única exceção, até o momento, é a Vamos, empresa de aluguel de caminhões da JSL, da família Simões, conforme antecipou a Coluna do Broadcast. A oferta foi lançada na sexta-feira, portanto antes do aumento da aversão ao mercado e das notícias do fim de semana, em torno da disputa entre Rússia e Arábia Saudita. O IPO foi lançado porque havia, na largada, demanda de investidores pela oferta. A companhia seguirá o planejamento, esperando que, mais próximo da precificação, os ânimos estejam mais calmos, apurou o Estadão/Broadcast. A fixação do preço da ação está marcada para o dia 25.

O restante, porém, já entrou em compasso de espera. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, deve adiar a oferta da Caixa Seguridade ao menos até julho, segundo fontes, à espera de um melhor momento para a precificação da oferta, que deve movimentar R$ 15 bilhões. As reuniões com investidores para se discutir preços serão desmarcadas. "Postergar também faz parte de uma boa administração", diz uma fonte com conhecimento direto da operação. A decisão final ainda não foi tomada, mas caminha nessa direção.

No ano passado, a Caixa deu início a seu programa de venda de ativos pelas participações que tinha em empresas já listadas. Foram levadas ao mercado, assim, ações do IRB Brasil Re e da Petrobrás.

Outros IPOs de grande porte previstos para abril eram o do BV (ex-Banco Votorantim) - uma oferta de R$ 5 bilhões - e o do Daycoval, que busca R$ 3,5 bilhões. "Praticamente todas as ofertas pararão. Não tem como discutir preço neste momento", disse uma fonte. Mesmo que sejam estreantes no mercado, os preços para os IPOs utilizam como referência as ações das empresas já listadas.

Opções

Outra questão é que com os valores das companhias listadas em Bolsa em queda, os gestores de fundos - depois de sofrerem com a queda de suas cotas - têm neste momento boas opções de compra entre as companhias já listadas. A ação da Petrobrás, que em fevereiro foi precificada na oferta subsequente (follow-on) em R$ 30, fechou ontem abaixo de R$ 17.

Na fila para abrir capital, há 24 companhias com pedidos de registros feitos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Se em até 15 dias as incertezas se dissiparem, algumas poderão atualizar a documentação e lançar a oferta, o que é, no entanto, imprevisível neste momento. O cenário mais provável que começa a se desenhar é de um mercado mais seletivo. Empresas muito endividadas e menos conhecidas, por exemplo, terão mais dificuldade de sair.

A volatilidade pode colocar freio em um mercado que começou o ano muito aquecido. Em 2020, a B3 já foi palco de cerca de R$ 30 bilhões em ofertas de ações e quatro IPOs (Mitre Realty, Locaweb, Moura Dubeux e Priner).

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Expansão

SPX Capital assume operações do Carlyle no país

As operações do Carlyle no Brasil serão absrovidas pela SPX Capital. Com isso, a gestora de Rogério Xavier se expande em private equity

ESTRADA DO FUTURO

Um pé no abismo e outro na casca de banana: como identificar ações de empresas decadentes

Excesso de otimismo, planos mirabolantes e desprezo pela inovação estão entre as receitas para uma empresa falhar, segundo o gestor que se dedicou a descobrir empresas terríveis

Novo competidor

Grupo catarinense que fatura R$ 8,8 bi vai abrir 1º atacarejo no estado de SP

O Grupo Pereira vai abrir uma unidade da Fort Atacadista, sua bandeira de atacarejo, na cidade de Jundiaí; forte competição em SP é desafio

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies