Em documento de 2018, Vale estimava impacto financeiro de US$ 1 bilhão caso incidentes ocorressem com as suas barragens mais críticas
Número faz parte de um relatório da área técnica da empresa sobre a situação de suas barragens e que vieram à público nesta terça-feira

A Vale poderia perder mais de US$ 1 bilhão caso incidentes ocorram com as cinco estruturas consideradas mais críticas pela mineradora. O número faz parte de um documento elaborado pela área técnica da companhia sobre a situação de barragens e que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) tornou público nesta terça-feira, 12. O relatório também mostra que o rompimento dessas barragens ameaça centenas de vidas, além do potencial para provocar danos no meio ambiente que demorariam mais de seis anos para serem remediados.
O material, elaborado em 2018 e que relata recomendações e medidas desde 2017, mostra que a Vale já previa o impacto nas ações e a revogação de múltiplas licenças de operação, boicote de produtos, manifestações e até greve de empregados. Apesar de todos os alertas, a análise de tolerância ao risco da companhia considera difícil promover as adequações necessárias no curto prazo em dez barragens - as cinco de risco "inaceitável", segundo a própria companhia, e mais as estruturas Maravilhas II, Conceição, Diogo, Itabiruçu e Galego. Todas elas ofereciam risco para mais de mil pessoas e, em 2017, não tinham sirenes.
Mais alertas
Em um outro documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em janeiro do ano passado, a Vale reconhecia como um dos riscos de suas atividades a ocorrência de acidentes fatais com barragens. O ponto fazia parte dos fatores de risco citados pela mineradora em seu Formulário de Referência de 2018.
O relatório foi assinado pelo presidente da companhia, Fabio Schvartsman, e afirma que “o setor de mineração está geralmente sujeito a riscos e perigos significativos”, incluindo entre eles “acidentes envolvendo barragens” que podem resultar em “doença ou morte de empregados, prestadores de serviços ou de membros da comunidade circunvizinha às operações”.
Especialistas dizem, entretanto, que as informações prestadas no documento são genéricas e provavelmente não servirão como argumento para que a empresa afirme que cumpriu com seus deveres de transparência diante dos investidores. As mesmas informações estão registradas na Securities and Exchange Commission, xerife do mercado nos Estados Unidos, onde a Vale também tem ações negociadas em Bolsa.
Vale lembrar que a mineradora foi alvo nesta terça-feira de uma segunda ação na Justiça dos EUA. A ação questiona, além da empresa, Schvartsman e o diretor financeiro, Luciano Siani Pires.
Leia Também
Tudo estava de acordo
Em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta terça, o gerente-executivo de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão da Vale, Lúcio Cavalli, disse que a companhia contratou um painel de especialistas para apurar as causas do rompimento da barragem em Brumadinho. O executivo também afirmou que ainda não é possível precisar em quanto tempo eles terão uma definição, mas que fazer "especulações nesse momento é muito perigoso".
Cavalli disse que a apresentação e o relatório anexados pelo MPMG no processo aborda "fatores probabilísticos" e não "determinantes" como as análises da consultoria alemã Tüv Süd. Segundo ele, o relatório da Tüv Süd de setembro de 2018 indicava que fator de segurança da estrutura era adequado.
O gerente-executivo explicou que a consultoria alemã esteve em campo no dia 23 de janeiro, dois dias antes da tragédia, e emitiu um relatório que não indicava nenhum tipo de instabilidade. Em relação ao relatório da empresa de setembro de 2018, ele garantiu que oito das 17 recomendações já haviam sido concluídas e nove estavam em andamento.
O executivo frisou que a estrutura, além de não ter risco iminente, não teve aumento de nível de água. Para ele, a avaliação de que a barragem estava em zona de atenção, conforme indicam tanto o relatório da Tüv Süd quanto a apresentação interna divulgada hoje pela justiça de Minas Gerais, significa que a empresa deveria dar sequência às ações que estavam sendo tomadas: dar continuidade à drenagem de água e ao descomissionamento.
*Com Estadão Conteúdo.
NOVAS FRONTEIRAS
Quer investir na China sem sair da B3? BTG Pactual Asset fecha parceria com gigante chinesa para preparar novos ETFs
9 de outubro de 2026 - 5:01RECOMENDAÇÃO
O pior já passou para a SLC Agrícola (SLCE3)? Bancos elevam projeções para 2027, mas fazem alerta aos investidores
8 de outubro de 2026 - 17:33Conteúdo Empiricus
Com R$ 210 bilhões em operações em 2026, mercado de M&A mira as médias empresas, mas este erro pode comprometer o valor da negociação
8 de outubro de 2026 - 17:01A VENCEDORA DOS JUROS BAIXOS
XP (XPBR31) pode ganhar um empurrão da Selic mais baixa; UBS BB eleva preço-alvo e vê até 25% de alta
8 de outubro de 2026 - 16:07AINDA ESTÁ BARATO?
A festa da bolsa ainda não acabou: BTG aponta onde a queda dos juros pode abrir espaço para mais altas
8 de outubro de 2026 - 13:33SINAL VERDE
GPA (PCAR3) vai virar a página? Justiça dá aval a plano de recuperação extrajudicial; ação dispara até 10% na B3
7 de outubro de 2026 - 14:17VAI VIRAR O JOGO?
Hora de comprar JBS (JBSS32)? Dor de cabeça pode virar trunfo — e fazer ação saltar até 70%, diz XP
7 de outubro de 2026 - 8:46O RALI ESTÁ SÓ COMEÇANDO
Bolsa brasileira disparou após o 1º turno; agora, UBS BB revela onde ainda pode haver espaço para ganhar
6 de outubro de 2026 - 19:43PROJEÇÃO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3) sob pressão: Citi diz o que está no caminho da mineradora; saiba o que fazer com a ação agora
6 de outubro de 2026 - 19:05NO MEIO DO CAMINHO
Banrisul (BRSR6) ainda não conquistou o UBS BB — mas apostar contra a ação ficou mais difícil; analistas elevam recomendação
6 de outubro de 2026 - 17:02SEGUNDO O BTG PACTUAL
Grupo Mateus (GMAT3), Vulcabras (VULC3) e outras: por que a economia nem precisa melhorar tanto para estas ações decolarem logo
6 de outubro de 2026 - 16:20O BONDE DOS ESQUECIDOS?
Comeram poeira! Rali dos bancos na B3 deixa estas duas ações para trás — mas JP Morgan vê espaço para uma nova arrancada
6 de outubro de 2026 - 15:32PUXOU O FREIO
JP Morgan ‘manda vender’ ação do Banco do Brasil (BBAS3) após rali eleitoral — e elege outro bancão para comprar agora
6 de outubro de 2026 - 14:22OTIMIZANDO ONDE DÁ
Na luta para virar o jogo, Hapvida (HAPV3) fecha acordo bilionário com a Roche. Como a parceria pode ajudar a operadora?
6 de outubro de 2026 - 10:31DESPEDIDA COM DATA MARCADA
Adeus, B3: oferta para tirar Helbor (HBOR3) da bolsa recebe aval da CVM e tem leilão marcado; veja os próximos passos
6 de outubro de 2026 - 9:50VEJA AS FAVORITAS
Após eleições, JP Morgan troca campeãs do Minha Casa, Minha Vida por construtoras de média e alta renda
5 de outubro de 2026 - 18:13COMMODITIES
Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3): qual delas se dá melhor caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno
5 de outubro de 2026 - 17:05MODO RELAX
Da esteira para a massagem: Smart Fit (SMFT3) quer comprar até 20% do Buddha Spa. O que está por trás da estratégia?
5 de outubro de 2026 - 9:00FAVORITA DOS ANALISTAS
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja a ação que pode blindar seus investimentos no segundo turno
5 de outubro de 2026 - 6:03A VACA E O FRANGO