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2019-09-02T20:41:53-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
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Moody’s altera perspectiva da Vale de negativa para estável

Entre os motivos, a agência destacou que a Vale continua a gerar fluxos de caixa livre positivo e que a mineradora fez a provisão de R$ 6 bilhões no primeiro semestre. Logo, a agência não vê impacto significativo na liquidez e alavancagem da companhia

2 de setembro de 2019
20:18 - atualizado às 20:41
Celular mostra tela com logo da mineradora Vale
Imagem: Shutterstock

Depois de um período de grande incerteza sobre o futuro da mineradora Vale (código VALE3), a maior previsibilidade de custos e passivos financeiros decorrentes do desastre de Brumadinho levaram a agência de classificação de risco Moody's a alterar a perspectiva para a companhia.

Segundo informe divulgado hoje (2), a agência destaca a mudança de perspectiva de negativa para estável do rating global Ba1. Em escala nacional, a Vale segue com a nota Aaa.br.

No documento, a Moody's afirma que "a Vale provisionou um total de US$ 6 bilhões no primeiro semestre de 2019, que engloba ações para recuperação socioeconômica e ambiental das áreas afetadas pelo acidente e que serão desembolsados principalmente durante o período de 2019 a 2021. Tendo em vista que a Vale continua a gerar fluxos de caixa livre positivo, não prevemos qualquer impacto significativo na liquidez e alavancagem da companhia".

A agência ainda pontua que o retorno gradual das operações que foram suspensas após o acidente também ajuda na estabilização da perspectiva.

"Das 93 milhões de toneladas de minério de ferro perdidas ou cuja produção foi suspensa após o colapso da barragem, cerca de 42 milhões de toneladas foram recuperadas, a produção de 20 milhões de toneladas pode ser retomada gradualmente no final de 2019/início de 2020 e as 30 milhões de toneladas restantes relacionadas ao descomissionamento de barragens de rejeitos poderão ser retomadas em cerca de 2 a 3 anos", aponta o documento.

Elevação do rating

A Moody's afirma ainda que uma possível elevação do rating da Vale exigirá uma evidência de aprimoramentos significativos da supervisão da governança corporativa, da gestão de riscos e controle da companhia, gradual normalização da produção, e que não haja nenhuma provisão adicional ou desembolsos materiais relacionados ao acidente.

Outro ponto importante está ligado às ações judiciais e investigações, em conjunto com a manutenção de um sólido perfil de crédito, liquidez e geração de fluxo de caixa livre positivo. Assim como, a elevação exige que a dívida total ajustada/potencial de geração de caixa (Ebitda) abaixo de 2,5x e EBIT/despesa com juros acima de 5x.

Mas pode cair também

Em seu informe, a agência ponderou que não descarta a possibilidade de rebaixamento. Segundo ela, a companhia pode ser rebaixada se os custos finais relacionados ao desastre em Brumadinho ficarem materialmente acima das expectativas.

Isso poderia ocorrer se as penalidades, acordos, litígios e ações coletivas de valores ficassem mais elevados ou se as operações não forem completamente retomadas no prazo esperado, afetando a geração de fluxo de caixa livre.

Além disso, ela pontua que se as condições para o minério de ferro e os metais-base piorarem levando a uma rentabilidade menor com níveis elevados de endividamento, isso também poderia levar ao seu rebaixamento.

Rebaixamento da Vale

Cerca de um mês após o desastre de Brumadinho, a Moody's decidiu rebaixar os ratings da mineradora para Ba1 (escala global), em fevereiro deste ano.

Com isso, a Vale perdeu seu grau de investimento. Antes, a nota de crédito da mineradora era Baa3, a última dentro do selo de bom pagador.

Na época, a Moody's ressaltou que o rebaixamento era reflexo do colapso da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão na cidade de Brumadinho (MG).

A agência considerava elevados os riscos de crédito da companhia após a tragédia, além das incertezas no perfil de crédito da Vale e a exposição significativa a despesas judiciais relacionadas ao caso.

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