‘Juro baixo não influencia investidor da poupança’, diz presidente da Anbima
Presidente da Anbima diz que os investidores do varejo tradicional, aqueles cuja renda mensal é de até R$ 10 mil, seguirão com a poupança em primeiro plano; ele aponta caminhos para que a renda fixa volte a crescer nas aplicações dos brasileiros

Prevendo cenário econômico de melhora lenta, porém contínua, José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), diz que os investidores do varejo tradicional, aqueles cuja renda mensal é de até R$ 10 mil, seguirão com a poupança em primeiro plano. Ele aponta caminhos para que a renda fixa volte a crescer nas aplicações dos brasileiros. "Não há sinais de que teremos uma grande explosão na atividade econômica, o que é positivo."
Como o cenário econômico deve interferir no mercado financeiro?
Estamos animados. Além de pequenas melhoras em indicadores, a liberação do FGTS vai ajudar. Não vai ser uma pancada grande, como foi da vez passada (em 2017, o ex-presidente Michel Temer autorizou a retirada total dos recursos das contas inativas, o que injetou R$ 44 bilhões na economia), mas vai ter um ‘pingadinho’. Isso vai empurrando o consumo. Gera riqueza e um pedaço dela é guardada é espalhada entre os investimentos. Não temos sinais de que teremos uma grande explosão e, na minha visão, isso é positivo. A gente teve no passado grandes crescimentos na economia que viraram voo de galinha. Prefiro que cresçamos em mais tempo, com resistência.
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O que mais mudou?
Com mais acesso à informação, a alta renda talvez seja o grupo que mais teve mudança de comportamento nos últimos anos. A virada foi afetada pelas plataformas digitais e com o movimento de admissão de risco. O varejo tradicional é menos suscetível a assumir risco.
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Migrar direto para ações não é um salto muito grande?
O crescimento da participação da renda variável nas aplicações tem ocorrido de maneira sustentável. Passar da renda fixa para um fundo de renda variável seria a decisão mais conservadora e natural, mas hoje as casas de investimento dão suporte para o cliente. Faz sentido, porém, como um passo intermediário uma passagem pelos fundos.
O volume de investimentos do varejo diminuiu. Por que a porcentagem em poupança subiu?
Na verdade, a carteira da poupança andou de lado. Na caderneta mais de 80% das poupanças têm até R$ 500. Com um tíquete médio baixo, se as pessoas têm alguma necessidade, é natural que recorram ao montante. A poupança é o grande produto nesse segmento, porque é a porta de entrada, um primeiro investimento. Como o tíquete médio é menor, a diferença de juros tem pouco reflexo no valor absoluto de rendimento mensal: com R$ 500 na poupança, por exemplo, uma taxa de 12% ao ano deixaria R$ 5 de rendimento o mês; com 6%, são R$ 2,50 ao mês. No varejo tradicional, a poupança ainda será um grande produto. Os fundos podem vir a ter participação um pouco maior, mas sem a relevância da poupança.
Por que a renda fixa encolheu nas carteiras?
As possibilidades de ganhos estão reduzidas. Mas ativos isentos (de Imposto de Renda), como LCI e LCA, estão mais atrelados ao lastro (imóveis ou agronegócio) do que à rentabilidade. Os isentos são excelentes para quem quer colocar um pedaço do portfólio em renda fixa. Ao longo do tempo eles devem voltar a crescer com a Letra Imobiliária Garantida, que vem ganhando corpo. (Colaborou Pedro Ladislau Leite)
*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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