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Farpas para todos lados

Presidente da Comissão da reforma alfineta Doria e diz que governadores têm que “calçar as sandálias da humildade”

Marcelos Ramos rebateu críticas do governador de São Paulo, que classificou de "eleitoral" a atitude dos parlamentares que querem excluir os governos da proposta

Marcelo Ramos previdência
Deputado Marcelo Ramos (PR-AM), presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência. - Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse nesta quinta-feira, 6, que os governadores precisam "calçar sandália da humildade" para pedir para que os parlamentares mantenham Estados e municípios na proposta.

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Ramos também rebateu críticas do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que classificou na quarta-feira, 5, de "eleitoral" a atitude dos congressistas que querem excluir os governos regionais da proposta.

"Ele (Doria) quando era prefeito encaminhou uma reforma da Previdência, o povo pressionou e ele retirou. Isso, sim, é eleitoreiro. Ele retirou porque era candidato a governador", disparou Ramos.

O presidente da comissão concedeu uma entrevista coletiva nesta quinta para fazer um balanço das audiências realizadas pelo colegiado. Ele evitou dizer se apoia ou não a permanência de Estados e municípios no texto e disse que prefere aguardar o parecer do relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Mas avisou que os governadores precisam baixar a guarda.

"Os governadores têm que fazer sabe o quê? Calçar a sandália da humildade. Calçar a sandalinha da humildade e vir pra cá e dizer 'olha, nós não temos coragem de fazer (a reforma), queremos pedir aos deputados que façam por nós'. É isso que eles têm que dizer, humildezinhos. Eles não têm que chegar aqui dando ordem", disse Ramos.

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Na quarta, governadores pediram ao relator que aguarde até terça-feira, 11, para dar uma posição final sobre o tema. Nesse dia, os governadores se reúnem em Brasília para discutir o tema e há a expectativa de se extrair uma posição mais firme do grupo em defesa da permanência dos Estados na proposta.

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O presidente da comissão afirmou que cabe apenas ao relator decidir se aguarda ou não esse posicionamento. Mas ele aproveitou a deixa para fazer um "desagravo" aos deputados.

"Aproveito para, na condição de presidente da comissão da reforma da Previdência, desagravar os deputados em relação à declaração agressiva, atrapalhada e desrespeitosa do governador João Doria ontem. Ele deu declaração dizendo que deputados que são contra a inclusão de Estados e municípios na reforma são mesquinhos, personalistas, irresponsáveis do ponto de vista fiscal e eleitoreiros. Eleitoreiro é quem não tem coragem de enfrentar essa pauta em seus Estados e em suas assembleias e empurra o problema para a Câmara dos Deputados", afirmou Ramos.

Após rebater a crítica, o deputado foi aplaudido por parlamentares que estavam presentes na coletiva de imprensa.

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Ramos avisou ainda que mesmo a alternativa de prever que Estados e municípios precisam validar sua adesão à reforma por meio de aprovação de lei ordinária nos Legislativos locais tem resistência entre lideranças na Câmara. Segundo ele, muitos defendem a opção "sem porta de entrada e sem porta de saída".

O presidente reconheceu, no entanto, que deputados podem se sensibilizar ao argumento de prefeituras pequenas, que alegam não ter recursos técnicos e financeiros para elaborar uma proposta de reforma local.

*Com Estadão Conteúdo.

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