UBS: Céu do Brasil está escurecendo quando o assunto é o PIB
Além de revisarem para baixo o Produto Interno Bruto deste ano, os analistas do banco esperam ainda um indicador com expansão mais baixa em 2020

Na véspera da divulgação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB), o banco suíço UBS destacou, em relatório enviado nesta semana a clientes, que espera um crescimento de 0,8% do PIB neste ano, ante a previsão inicial de 1%.
E não foi só isso. Os analistas também revisaram para baixo a expectativa de expansão do indicador no próximo ano que passou de 2,2% para 1,5%. Em sua avaliação, os especialistas disseram que o "céu está escurecendo" no Brasil.
O cenário esperado pelo banco é até mesmo pior do que as estimativas dos economistas para 2020. Nesta segunda-feira (26), o Boletim Focus apontou que os especialistas esperam que a expansão do PIB no próximo ano fique em 2,10%, ante os 2,20% da última semana.
Já para este ano, a expectativa dos economistas do Focus é que o indicador cresça 0,80%, conforme esperam os analistas do UBS.
Os motivos
Entre as razões para o maior pessimismo está o fato de que os níveis de investimento permaneceram extremamente baixos, mesmo depois de terem caído cerca de 30% durante a recessão brasileira, que terminou em 2017.
"Nós não vimos uma recuperação substancial dos investimentos, que é uma das condições necessárias para que o Brasil volte a crescer 2%", destacaram os analistas.
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Os especialistas também pontuaram que nem a redução dos desequilíbrios macroeconômicos nem a aprovação de várias reformas foram suficientes para fazer com que as taxas de crescimento passassem de 1% no país, - níveis que foram vistos no país últimos três anos.
Mas ainda não chegamos no abismo
Apesar das estimativas apontarem para o que seria o quarto ano seguido em que o crescimento do PIB está abaixo de 2%, os analistas disseram não acreditar que o Brasil está enfrentando uma estagnação secular.
Eles pontuaram que não veem uma falta de oportunidades de investimento e nem excesso de poupança no país, que seriam provas de que há uma estagnação de grande porte no país.
Mudança de portfólio
Outro ponto de destaque no relatório é a questão de que o "fim do CDI" pode melhorar bastante as condições financeiras do país. Isso ocorre porque fica mais interessante acessar um financiamento, investir na ampliação de fábricas, assim como buscar investimentos mais rentáveis do que aqueles atrelados ao CDI.
"As taxas de juros cada vez menores estão levando a uma alocação completamente diferenciada de portfólio, fazendo com que haja uma migração dos investimentos de renda fixa de curto prazo para investimentos mais arriscados, como em ações, debêntures e produtos securitizados."
Segundo eles, a mudança de alocação dos investidores locais está permitindo, inclusive, que a bolsa obtenha ganhos, mesmo com vários investidores estrangeiros liquidando posições no país.
Apesar de se mostrarem mais negativos com o cenário brasileiro, os analistas esperam que o dólar fique em R$ 4,00 neste ano e no próximo.
O valor é um pouco mais alto do que previam as estimativas anteriores e que apontavam que a moeda americana ficaria em R$ 3,80 em 2019, e em R$ 3,75 em 2020.
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