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Petrobras negocia venda de participações em áreas onde descobriu gás em SE

Como o foco do seu plano de negócios atualmente é o pré-sal, localizado na região Sudeste do País, o investimento em outras áreas, como em Sergipe, está atrelado à adoção de soluções financeiras que não comprometam o orçamento da companhia e também não gerem mais dívida

17 de junho de 2019
15:12
Fachada de prédio da Petrobras, com logo da empresa
Imagem: Shutterstock

A Petrobras colocou à venda participações nas seis áreas de Sergipe onde fez sua maior descoberta desde o pré-sal, em 2006. A empresa quer se desfazer de participações em quatro concessões na região que, juntas, compõem as descobertas. A operação do projeto, no entanto, deve ser mantida pela estatal.

A venda das participações faz parte do programa de desinvestimento da empresa. Como o foco do seu plano de negócios atualmente é o pré-sal, localizado na região Sudeste do País, o investimento em outras áreas, como em Sergipe, está atrelado à adoção de soluções financeiras que não comprometam o orçamento da companhia e também não gerem mais dívida. Por isso a escolha pela venda de participações.

Em maio do ano passado, a empresa divulgou ao mercado, em fato relevante, a inclusão das áreas no seu plano de desinvestimento. Na época, ainda não tinha se posicionado sobre a sua dimensão. O anúncio de que existe em Sergipe um volume de óleo leve, de excelente qualidade, e, principalmente, gás natural em volume relevante, ocorreu apenas neste ano, na divulgação do resultado financeiro do primeiro trimestre.

Segundo o comunicado ao mercado da venda do ativo, estão à venda participações de 35% do BM-SEAL-4, que mantém em sociedade com a indiana ONGC, dona de 25% da concessão; metade do BM-SEAL-4A, do qual é dona sem sócios; de 30% do BM-SEAL-10, no qual também está sozinha; e 20% do BM-SEAL-11, que divide com a IBV (40%), que também possui capital indiano. As descobertas de seis áreas foram feitas no conjunto dessas concessões, que são vizinhas.

Foram encontradas nessas quatro concessões as áreas de Cumbe, Barra, Farfan, Muriú, Moita Bonita e Poço Verde. No plano de negócios para os próximos cinco anos, foi incluída a contratação de um navio-plataforma com capacidade para produzir 100 mil barris por dia na região.

A Petrobras, ao divulgar a inclusão das áreas no seu programa de desinvestimento, informou ainda que deve comunicar a viabilidade comercial da descoberta à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no segundo semestre do ano que vem.

Segundo fontes que participam das negociações, a Petrobras, ao divulgar o interesse de buscar novos sócios, gerou grande interesse no setor, por conta do anúncio das descobertas e também porque a norte-americana ExxonMobil tem demonstrado otimismo com o investimento em áreas adquiridas em leilão ao lado das concessões da Petrobras.

Como esse é um projeto de complexidade geológica, a estatal exige que a futura sócia tenha experiência na área, de acordo com a fonte. Por isso, o esperado é que a venda seja para uma petroleira de grande porte.

"A venda parcial desses ativos será muito boa para atrair parceiros com capacidade financeira e tecnológica e apetite para o gás. Vai acelerar os projetos", avaliou o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Felix.

O presidente da consultoria GasEnergy, Rivaldo Moreira Neto, avalia que essa é uma forma de levantar dinheiro para o desenvolvimento da área, sem onerar o caixa. "É uma garantia de que o investimento vai sair. Quanto mais plural, menor o risco de ser paralisado", acrescentou o especialista.

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