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All-IN

Por que Paulo Guedes precisa ter uma longa conversa com Joaquim Levy

Se ministro da Economia assumir mesmo a articulação política com o Congresso não há mais espaço para erro

O presidente do BNDES, Joaquim Levy, e o ministro da Economia Paulo Guedes,
Joaquim Levy e o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado se animou com a notícia dando conta de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai assumir a articulação política com o Congresso em torno da reforma da Previdência. É um legítimo “all-in”, só que as cartas não estão tão claras assim.

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Guedes poderia aproveitar a sexta-feira no Rio de Janeiro e conversar longamente com o agora presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, que já esteve na mesma cadeira de Guedes aqui no quinto andar do Bloco P da Esplanada dos Ministérios e se viu obrigado a ir negociar com o parlamento (escrevo do comitê do Ministério).

Isso aconteceu lá no (des)governo Dilma Rousseff, que andava às turras com o então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que engendrava as famigeradas “pautas-bomba” e dificultava as medidas de ajuste fiscal do então ministro.

Encurtando uma longa história, Levy tentava até sorrir nas reuniões que tinha com deputados e senadores, mas aquele não era o seu ambiente e o que ele costurava de dia, o governo Dilma e seu partido desfaziam à noite. O fim da história todo mundo sabe...

Guardadas todas as diferenças com o momento atual, mas lembrando que, se a história não se repete, ela ao menos rima, a ida de Guedes para o front de batalha político é um movimento com mais riscos que oportunidades.

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O ministro é um homem de ideias, um planejador, excelente formador de equipes, mas não parece ter o perfil para o varejo político, nem a paciência necessária para lidar com parlamentares que acham que o juro composto deveria ser abolido do país.

Além disso, a grande questão é qual o grau de autonomia que foi ou será dado a Guedes para fazer negociações e barganhas em nome de Bolsonaro.

O risco é vermos Paulo Guedes sendo desautorizado pelo presidente. Risco que não existia até esse momento.

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Ao contrário do que lemos e ouvimos em alguns lugares, Guedes nunca pensou em deixar o governo. Ele e o presidente são da turma “não se render, não recuar”.

Bolsonaro está disposto a colocar um fim ao “Presidencialismo de Coalizão” e não vai ceder, por mais que faça gestos de paz e fale que agora o “céu está lindo”.

Note que ele sempre fala em “dialogar”, “conversar” e não vai além disso, pois tem um compromisso com seu eleitorado, além de não o querer jogar dominó no xadrez.

Guedes reconhece que há um problema de comunicação, algo que ele pode, de fato, ajudar a melhorar, mas não está claro qual será seu raio de ação.

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Se a estratégia funcionar e Guedes conseguir encantar o Congresso e explicar a nova política da aliança de centro-direita, veremos uma mudança de paradigma que entra nos livros de história. Se der errado, o governo rifou seu principal ativo, sua “ilha de sensatez”, antes mesmo de completar 100 dias.

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