Menu
2019-12-04T17:35:02-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Brasil X EUA

Guedes diz que não há qualquer manipulação no câmbio e que isso é um discurso político de Trump

O ministro classificou a medida do presidente americano como um ato político, tendo em vista as eleições presidenciais dos EUA em 2020

4 de dezembro de 2019
15:44 - atualizado às 17:35
Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Isac Nóbrega/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou como um "equívoco brutal" o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que taxaria o aço e alumínio brasileiro porque o País estaria promovendo uma desvalorização artificial do câmbio.

"Nós só mudamos o nosso mix macroeconômico. Agora, em vez de fiscal frouxo e freio monetário, com câmbio supervalorizado derrubando as exportações, o Brasil caiu numa posição correta", disse em entrevista ao site O Antagonista.

O ministro afirmou que a medida do presidente americano era um ato político, já que as eleições presidenciais norte-americanas ocorrem em 2020. "Acho que é política, eleição chegando. Ele quer dizer para todo mundo que está de olho nos seus eleitores", avaliou.

Guedes se disse surpreso com a medida e afirmou que a ideia não deve ter passado pelos assessores econômicos da Casa Branca. "Eu tinha tido uma excelente conversa com o Secretário de Comércio dos EUA Wilmour Ross, com o diretor do Conselho Econômico Nacional Larry Kudlow numa reunião com CEOs de empresas americanas e brasileiras na semana passada e, de repente, ele Trump deu esse tiro para cima e falou o que falou", destacou o ministro.

Mesmo assim, Guedes admitiu que não ligou para a equipe econômica de Trump para discutir a taxação do aço brasileiro, apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que teria um "canal direto" com o presidente americano e que poderia discutir a medida. "Há coisas que é preciso refletir, deixar amadurecer", afirmou.

Ele também destacou que o Brasil vem promovendo um processo de abertura econômica, com medidas como a elevação da cota de importação de etanol sem tarifas e da importação de trigo dos EUA, e que o interesse do País é de manter este processo.

"Queremos abrir nossa economia independentemente de políticas protecionistas dos outros. Nós acreditamos que há ganho de comércio para nós e quem quiser trabalhar conosco será muito bem vindo - isso vale para os Estados Unidos, que é a maior economia, temos interesse", disse Guedes.

Já ao falar sobre o câmbio e os juros, o ministro voltou a dizer que o País deve permanecer com o real desvalorizado ante ao dólar e com taxas de juros mais baixas por "muitos anos".

"Não estou dizendo que vai a R$ 4,50 ou acima disso, mas o normal agora é que isso fique mais para cima", defendeu o ministro. Para ele, a tendência é que o real se acomode em um patamar de desvalorização mais elevado e não apenas oscile "por causa de especulação política", como foi observado no passado.

Gás natural

O ministro ainda comentou sobre as recentes mudanças no mercado de gás natural. Ele disse que o preço do gás natural no Brasil vai cair ao menos 40% no próximo um ano e meio, gerando um choque de energia barata para sustentar um processo de reindustrialização no País.

Segundo Guedes, o choque "já está encomendado", com atuação do governo em duas frentes: a quebra do monopólio da extração do gás natural pela Petrobras, a partir de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); e uma "articulação complexa" com governadores para que os Estados abram mão do monopólio na distribuição do gás.

Para o ministro, a Petrobras já começou a vender suas subsidiárias e, com o aumento da competição, o preço do gás já estaria caindo. "A Vale já está tentando comprar gás natural a oito, 10, 25, 30 anos", pontuou.

"Nosso problema é esse monopólio. No Brasil, o gás natural custa US$ 12 a US$ 13 por milhão de BTUs, enquanto países que não têm gás natural, como os da Europa ou o Japão, importam da Rússia por US$ 7, quase metade do nosso preço", avaliou o ministro. "Mas esse choque da energia barata está chegando já, já", completou.

Segundo Guedes, o barateamento da energia vai sustentar a recuperação da indústria brasileira, que também deve ser beneficiada pela queda dos juros. "Teremos expansão do consumo, com estímulo para a indústria crescer de novo, retomar a capacidade ociosa e, depois, o investimento", disse.

O ministro ressaltou, ainda, que a ideia parte do mesmo modelo dos Estados Unidos, onde a retomada industrial "foi feita em cima do gás natural barato deles."

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

BALANÇO

Receita bruta da Cia Hering soma R$ 502,9 milhões no 4º trimestre

Segundo a empresa, as vendas mesmas lojas apresentaram queda de 4% na rede Hering. Importante destacar que a rede apresentou nos últimos 7 trimestres crescimento desse indicador

AQUISIÇÃO

BC autoriza que Banco Inter compre 70% de controladora da DLM Invista

Hoje, a DLM possui R$ 4,5 bilhões em ativos sob gestão e é responsável pela gestão fundos de investimento e previdência privada, além de gestão de patrimônio por meio de fundos e carteiras de clientes de alta renda

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Nada além de céus azuis

“Blue days / All of them gone / Nothing but blue skies / from now on” Caro leitor, Os versos da canção otimista de Irving Berlin, composta há quase cem anos, dizem, numa tradução livre, que os dias “azuis” (no sentido de “tristes”, “depressivos”) se foram e que, de agora em diante, não haverá nada […]

Perto dos 119 mil pontos

Ibovespa ganha força na reta final, fecha em alta e crava um novo recorde; dólar sobe a R$ 4,18

Após passar boa parte da sessão flutuando perto do zero a zero, o Ibovespa acordou nos últimos minutos e chegou a uma nova máxima histórica, engatando a terceira alta consecutiva. O dólar à vista, por outro lado, teve um dia mais pressionado e subiu a R$ 4,18

DE OLHO NOS FUNDOS

Patrimônio dos fundos cresce 15,27% e vai a R$ 5 trilhões, diz Economatica

Em dólares, a indústria de fundos se mantém acima de US$ 1 trilhão desde dezembro de 2016.

UM PLANO DE INVESTIMENTOS

Já pensou em se aposentar aos 40 anos e viver de renda?

Esse conteúdo é para quem não está disposto a esperar até os 65 anos para se aposentar

Banco do Brasil zera custódia para investimentos em bolsa

Isenção já está em vigor e vale para os clientes do banco que investem em ações, fundos de índice (ETFs) e fundos imobiliários na bolsa

OLHOS ATENTOS

Bank of America rebaixa e corta preço-alvo das ações de Itaú e Bradesco; papéis caem

O banco cortou o preço-alvo em 12 meses para as ações de ambos. No caso do Itaú, o preço-alvo ficou em R$ 34, com potencial de queda de 3% em relação ao fechamento de sexta-feira (17). Já o Bradesco teve o preço-alvo reduzido para R$39, o que representa uma potencial expansão de 10%

Altas e baixas

Raia Drogasil, bancos e varejistas: os destaques do Ibovespa nesta segunda-feira

As ações da Raia Drogasil aparecem entre as maiores altas do Ibovespa após o Credit Suisse elevar a recomendação e o preço-alvo dos papéis

mais otimismo

FMI aumenta projeção para o PIB do Brasil para 2,2% em 2020

De acordo com o Fundo, a elevação da estimativa do PIB do Brasil para este ano ocorreu sobretudo devido à melhora do sentimento após a aprovação da reforma da Previdência

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements