Menu
2019-04-20T10:58:07-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

O que preocupa gestores de US$ 12 trilhões e uma oportunidade para o Brasil

O país tem que abocanhar trilhão ou menos centenas de bilhões desse dinheiro que está à procura de retornos atrativos

20 de abril de 2019
5:17 - atualizado às 10:58
investimento brasil
Imagem: Shutterstock

Recebi do Instituto Internacional de Finanças (IIF) uma pesquisa feita com grandes investidores institucionais, que seguem preocupados com uma desaceleração na China e efeitos da guerra comercial. No entanto, também é possível verificar uma boa oportunidade para o Brasil, já que eles se mostram dispostos a fazer novos aportes no setor de infraestrutura.

A IIF congrega 450 membros de mais de 70 países, dentre eles há investidores institucionais como fundos de pensão e fundos soberanos, que tomam decisões de investimento com maturação de anos e anos. Eles não são numerosos, mas concentram um volume de recursos relevante. No caso em questão foram ouvidos 17 deles, mas que são responsáveis por mais de US$ 12 trilhões, algo como seis vezes o PIB do Brasil.

Outro resultado interessante da pesquisa é que entre as principais preocupações dessa classe de investidor estão pontos que o Brasil tenta melhorar, justamente para atrair investimentos.

São eles: marco regulatório alinhado às práticas internacionais, um ambiente de negócios mais amigável e um mercado financeiro mais desenvolvido. Além disso, também é demandado um estoque de projetos críveis, o desenvolvimento de mercados secundários e maior proteção aos credores.

Essas demandas todas conversam com o trabalho que vem sendo feito pelos Ministérios da Infraestrutura, Economia e Banco Central (BC).

Na Infraestrutura, os técnicos reavaliam o formato de contratos e, dando sequência a um trabalho iniciado no governo Michel Temer, já conseguem leiloar portos, aeroportos e ferrovias.

Na Economia, o grande desafio é a reforma da Previdência, mas em paralelo estão sendo desenhadas medidas para melhorar o ambiente de negócios, reduzindo burocracias, e diminuir entraves para o funcionamento do mercado.

O BC de Campos Neto tem uma agenda de democratização, que busca ampliar a capacidade do mercado financeiro em prover recursos para o setor produtivo. Diminuir barreiras de entrada e rever custos de regulação são coisas que estão acontecendo.

Um sinal positivo nesse sentido foi a rápida autorização dada pelo governo para que o Banco Inter tenha até 100% de capital estrangeiro. Pedidos como esse chegavam a ficar anos nas gavetas da Casa Civil.

Além disso, o país prepara uma das maiores rodadas de leilão de petróleo do mundo. O bônus de assinatura do excedente do pré-sal será de R$ 106 bilhões, mas há também ganhos posteriores em investimentos e recolhimento de royalties e impostos.

A pesquisa mostra que as agendas de investidor e investido conversam. A grande questão é o “timing”, o quão rápido o Brasil consegue avançar nessa agenda liberal e de abertura econômica.

Estamos vendo que no que depender do Congresso nada será fácil, então o governo e os Ministérios têm de acelerar as ações que não passam pelo campo político. Como já disse Paulo Guedes, o Brasil tem pressa e não se pode ficar esperando apenas a aprovação da Previdência.

O país tem que abocanhar trilhão ou menos centenas de bilhões desse dinheiro que está e estará à procura de retornos atrativos em um mundo de juro baixo e no qual outros competidores emergentes sofrem crises infindáveis ou já estão no fim de ciclo.

Emergentes

A pesquisa também mostra um melhor no apetite dos grandes investidores por ativos de mercados emergentes em comparação com a sondagem anterior, de 2018. O foco está em ativos denominados em moedas fortes, como emissões externas.

Já o apetite por ações e dívida soberana deve ter crescer moderadamente nos próximos 12 meses, mesmo com esses investidores antecipando uma redução na demanda por ativos de países desenvolvimentos (ações e dívida) em função da crescente preocupação com a qualidade do crédito.

Outro tema em voga entre esses investidores são investimentos com foco ambiental, social e de elevada governança (ESG). Segmento que também tem grande potencial por aqui.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

ficou para esta quinta

Para privatizar Eletrobras, governo aceita mais 19 emendas à MP

Por acordo entre os senadores, o texto da MP será votado apenas amanhã, 17, a partir das 10h, e até lá, eles poderão apresentar sugestões de destaques, que podem alterar o teor do parecer

seu dinheiro na sua noite

A Selic subiu mais um pouco – e na próxima reunião tem mais

Esta “Super Quarta” terminou com os bancos centrais brasileiro e americano apertando um pouquinho mais a torneirinha dos juros. A inflação pressiona, aqui e na terra do Tio Sam, e as autoridades monetárias querem mostrar que permanecem vigilantes. O Federal Reserve ainda não elevou propriamente as taxas de juros, que foram mantidas entre zero e […]

Entrevista

Sinais do Copom apontam para Selic a 7% no fim do ano, diz Padovani, do banco BV

Economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani destacou o tom mais ríspido do Banco Central e a indicação de que a Selic continuará em alta

MUDANÇA NOS JUROS

COMPARATIVO: Veja o que mudou no novo comunicado do Copom

Veja o que ficou igual e o que mudou no comunicado da decisão do Copom a respeito da taxa Selic, elevada ao patamar de 4,25% ao ano

Subiu de novo

Como ficam os seus investimentos em renda fixa com a Selic em 4,25% ao ano

Veja como fica o retorno das aplicações conservadoras de renda fixa agora que o Banco Central elevou a Selic mais uma vez

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies