Fiasco em Davos?
Participação de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial recebeu enxurrada de críticas, mas uma métrica menos subjetiva sugere um resultado diferente

A esperada participação do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, gerou mais notícias e avaliações negativas do que positivas. O discurso de abertura foi criticado, bem como o não comparecimento em entrevista coletiva.
No entanto, proponho uma avaliação por métrica menos subjetiva. Partindo do pressuposto que o mercado é soberano, a participação foi positiva.
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, bateu recordes nominais de pontuação na quarta e quinta-feira, depois de um tombo na terça que pode ser colocado na conta de eventos externos. O dólar também voltou a ser negociado abaixo de R$ 3,80.
Como disse um amigo de larga experiência em mesas de operação e tesourarias, “o mercado bombou”, principalmente depois das falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, na quarta-feira, quando ele "salvou o mercado" ao reafirmar que vai buscar zerar o déficit primário ainda em 2019, fazer uma agressiva agenda de privatizações, e dizer que a reforma da Previdência em estudo pode gerar economia de R$ 700 bilhões a R$ 1,3 trilhão.
Colocando toda a questão de outra forma e seguindo um ensinamento de outro amigo de mercado: "não estou aqui para estar certo, estou aqui para ganhar dinheiro". Podemos elaborar lindas teses sobre a participação brasileira em Davos, mas o que importa é: "isso é sinal de compra ou de venda?"
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O mercado “quer acreditar” e esses eventos refirmam o “voto de confiança” dado desde o período eleitoral na “carta de intenções” apresentada por Bolsonaro, que tem como fiador Paulo Guedes. Aliás, como disse um amigo: “eu votei no Guedes”.
Toda a expectativa desde então está na capacidade de entrega das propostas dessa “carta de refundação” da economia brasileira, que finalmente se pautaria pelos princípios liberais defendidos pelo ministro e seus “Chicago Oldies”.
O dia do “acerto de contas” ou o “teste do pudim”, por assim dizer, está se aproximando. É a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. Eleitos os presidentes da Câmara e do Senado, a expectativa será ainda maior sobre qual será o texto final da reforma da Previdência a ser apresentado.
Creio que mais relevante que isso deverá ser a primeira votação de qualquer outro projeto mais relevante que o governo venha a encaminhar enquanto a Previdência é debatida pelos parlamentares. Entre as 35 prioridades apresentadas para os 100 primeiros dias, o único projeto que poderia “fazer preço” é a autonomia formal do Banco Central (BC).
A semana que começa reserva intensa agenda de indicadores econômicos, mas o foco estará, mesmo na eleição do Congresso no dia 1º de fevereiro. O presidente estará ausente em função de cirurgia a ser realizada na segunda-feira, mas isso não deve reduzir a temperatura de um noticiário político negativo para Bolsonaro e sua família, mas que até agora não bate no mercado.
Como diz Ivan Sant’Anna, colunista do Seu Dinheiro, “mercado que responde bem a notícia ruim é mercado de alta”. Isso tem se mantido verdade, com a estratégia “buy the deep” ou compre as quedas, se mostrando vencedora. Fevereiro vai colocar isso à prova.
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