Menu
2019-04-04T16:33:03-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Voos concorridos

‘Ou a gente entrava nesse modelo (fatiado) ou assistiríamos a Azul avançar’, diz presidente da Latam sobre Avianca

Jerome Cadier, presidente da Latam no país, negou que tenha entrado na disputa só para atrapalhar os planos da Azul e disse que poderá fazer proposta por mais de uma das 7 partes da Avianca

4 de abril de 2019
6:01 - atualizado às 16:33
Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil
Jerome Cadier, presidente da Latam no Brasil: Gol também entrou na disputa - Imagem: Divulgação

Ao entrar na disputa pelos ativos da Avianca depois da mudança no plano de recuperação judicial da companhia, a Latam poderá fazer proposta por mais de uma das sete partes em que a empresa será dividida. A afirmação é de Jerome Cadier, presidente da Latam no país.

Cadier conversou comigo por telefone ontem à tarde para comentar a decisão de oferecer pelo menos US$ 70 milhões por uma das Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), estruturas criadas para vender as partes da Avianca. A Gol também entrou na disputa com uma proposta semelhante.

As condições para a participação no leilão dos ativos, inclusive o lance mínimo que obrigatoriamente precisa ser feito por uma das unidades, foram elaboradas pelo fundo Elliot, um dos principais credores e interessados em obter o máximo de recursos possíveis pela Avianca.

Foi o fundo quem procurou a Latam para apresentar a proposta alternativa de recuperação da empresa aérea, que detém 11% de participação de mercado no setor aéreo brasileiro, de acordo com a Anac.

"Ou a gente entrava nesse modelo ou assistiríamos a Azul avançar com plano que estava em vigor", disse Cadier.

A Azul lançou no mês passado uma oferta de US$ 105 milhões para ficar com a "parte boa" da Avianca, que detém direitos de uso dos horários de pouso e decolagem nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont, os chamados "slots".

Rivalidade com Azul?

O CEO da Latam negou, porém, que tenha entrado na briga apenas para atrapalhar os planos da rival, e disse que seria difícil justificar a decisão apenas com base em barrar um concorrente.

"São aeroportos super-relevantes para a companhia, e quanto mais opções de voos e horários oferecermos, maior é a rentabilidade do nosso produto", afirmou.

Foi a mudança para o novo formato de venda da Avianca, com a divisão em mais unidades, que permitiu a entrada a Latam, segundo Cadier.

Ele disse que nem a empresa nem provavelmente a Gol teriam condições de fazer uma proposta nos moldes da Azul. Para Cadier, uma aquisição pelo modelo anterior poderia levar a questionamentos do Cade, órgão de defesa da concorrência.

"Seria uma longa discussão, e a companhia não tem tempo", afirmou o presidente da Latam, ao comparar uma companhia aérea a um banco, já que ninguém compra uma passagem com antecedência de uma empresa da qual não se conhece o futuro.

Nesse sentido, ele entende que a mudança na proposta de venda da Avianca é benéfica tanto para os credores como para os consumidores que compraram passagens da companhia e aguardam uma definição do caso.

O presidente da Latam não revelou por qual ou quais pedaços da Avianca pretende dar lance. Além de seis unidades compostas pelos slots nos principais aeroportos do país, um dos pedaços da empresa, com o programa de fidelidade "Amigo", será oferecido separadamente.

Caso a Justiça aprove o novo plano e a Latam saia vencedora do leilão, Cadier diz que a empresa deverá assumir os atuais aviões e funcionários da Avianca que fazem parte da unidade adquirida.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Entrevista

‘Desemprego alto e déficit público nos deixam cautelosos’, diz presidente da Whirlpool

CEO da fabricante das marcas Consul e Brastemp diz estar cauteloso para investir em produção e em relação à sustentabilidade da demanda, por conta de desemprego e da situação fiscal

Mercadores da noite

Bolsa, dólar e juros subindo: qual dos três está mentindo?

Quando a Bolsa, o dólar e as taxas de juros estão subindo ao mesmo tempo, um dos três está mentindo – qual deles será e o que fazer?

Infraestrutura

Novo marco legal para ferrovias vai a votação no Senado na próxima semana

Legislação promete organizar regras do setor e permitir novos formatos para a atração de investimentos privados

Telecomunicações

Operadoras cobram transparência do governo na definição da tecnologia 5G

Teles se dizem preocupadas com as “incertezas” relativas ao processo, depois de governo sinalizar banimento da chinesa Huawei

Recorde

Estrangeiros põem R$ 30 bilhões na bolsa brasileira em novembro

Trata-se de recorde de entrada de recursos estrangeiros em um mês, impulsionado pela migração de recursos para bolsas emergentes; movimento por aqui, porém, pode ser passageiro

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies