Dois anos de ‘Joesley Day’: relembre o terremoto que abalou os mercados
Ao gravar conversas comprometedoras com o então presidente Michel Temer, o empresário Joesley Batista fez a sessão de 18 de março de 2017 entrar para a história dos mercados brasileiros
Alguns eventos são tão importantes que deixam uma marca em nossa memória. É como se o cérebro produzisse uma espécie de arquivo sensorial — basta citar esses acontecimentos e pronto: esse canto adormecido é acessado e um flash invade nossa mente.
Por exemplo: eu lembro exatamente o que estava fazendo quando soube dos atentados de 11 de setembro (era terça-feira e eu estava num ônibus). O mesmo fenômeno ocorre quando penso no incêndio na Boate Kiss (era domingo e eu estava na estrada, indo visitar a minha avó).
Pois bem: um desses eventos acabou de completar dois anos. Eu me recordo com clareza do momento em que fiquei sabendo que o empresário Joesley Batista teria gravado conversas particulares com o então presidente Michel Temer — e que o conteúdo desses áudios seria potencialmente destruidor.
Era noite de 17 de maio de 2017, uma quarta-feira. Eu estava jantando com a minha esposa num restaurante no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e o sinal de internet do meu celular estava péssimo. Eu só consegui ler a chamada do blog do Lauro Jardim, o jornalista de O Globo que trouxe o furo de reportagem.
Terminado o jantar, deixamos o local — e uma enxurrada de mensagens tomou conta do meu WhatsApp. Todos os meus grupos, incluindo os que não são formados por jornalistas, estavam comentando a noticia. Era um sinal claro de que o dia seguinte seria... agitado, para dizer o mínimo.
Os números
O Ibovespa vinha tendo um 2017 bastante positivo e acumulava ganho de mais de 12% desde o início do ano, com base nas expectativas do mercado em relação ao governo Temer. Uma proposta de reforma da Previdência estava caminhando no Congresso e parecia não ter maiores obstáculos pela frente.
Leia Também
Mas o terremoto causado pelo "Joesley Day" mudou tudo.
Sem saber exatamente quais seriam as implicações dos áudios entregues à Procuradoria-Geral da República pelo dono da JBS, o mercado entrou em pânico — e o pregão do 18 foi dos mais agitados da história recente.
Para começar, o principal índice da bolsa brasileira chegou a cair mais de 10% logo após a abertura e, com isso, foi acionado o chamado circuit breaker — um mecanismo que interrompe os negócios da bolsa por 30 minutos, para tentar conter a forte queda nos preços dos ativos.
Foi a primeira vez que eu presenciei a ativação desse mecanismo desde que comecei a acompanhar os mercados financeiros como jornalista — e, bom, o primeiro circuit breaker a gente nunca esquece.
O Ibovespa terminou o pregão de 18 de maio de 2017 em queda de 8,8%, aos 61.597 pontos — a maior baixa percentual numa mesma sessão desde outubro de 2008. Os papéis da Eletrobras, do Banco do Brasil e da Petrobras tiveram fecharam o dia com perdas de mais de 15%.

O dólar à vista também foi fortemente no "Joesley Day". A moeda americana fechou em alta de 8,1%, a R$ 3,3868 — com a disparada, as ações de empresas exportadoras foram as únicas a comemorarem na bolsa.
Os papéis da Fibria e da Suzano, por exemplo, tiveram ganhos de mais de 9%. Embraer, Klabin e Vale também fecharam o pregão do dia 18 de maio de 2017 em alta — foram as únicas ações do Ibovespa a terminarem o dia no campo positivo.

Os áudios
Como parte de um acordo de colaboração premiada feito com o Ministério Público, Joesley Batista entregou gravações de conversas comprometedoras com diversas autoridades políticas, incluindo Temer e o então senador Aécio Neves.
Num dos áudios, Joesley disse que estava pagando uma "mesada" a Eduardo Cunha para que os ex-presidente da Câmara permanecesse calado. Em resposta, Temer afirmou ao empresário que ele "tem que manter isso".
Em meio à denúncia bombástica e sem saber o futuro do governo — muitos cogitaram que Temer renunciaria ao cargo, o que não se confirmou —, os mercados foram pegos de surpresa e fizeram um "pouso forçado", reajustando suas expectativas em relação à economia.
E, de fato, tudo mudou a partir daquela data: o apoio popular à gestão Temer, que já não era alto, caiu ainda mais. No Congresso, a base de sustentação do governo ruiu e a proposta de reforma da Previdência, que parecia bem encaminhada, emperrou.
Os paralelos
Passados dois anos do "Joesley Day", o mercado brasileiro encontra-se numa situação parecida: a confiança de que o governo conseguirá aprovar uma proposta de mudança nas regras da aposentadoria levou o Ibovespa às máximas em março de 2019, mas, desde então, um clima de instabilidade tem trazido cautela às negociações.
Essa desconfiança ganhou uma nova camada com as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro — filho do presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações publicadas pela revista Veja nesta semana, o MP apontou indícios de que o senador comprou imóveis para lavar dinheiro.
Somente em maio, o Ibovespa já acumula perdas de cerca de 6%, enquanto o dólar comercial chegou a tocar o nível de R$ 4,11 — o maior patamar desde setembro de 2018.

A possibilidade de um novo escândalo atingir diretamente um presidente da República, somada à inabilidade do governo em articular uma base coesa para a aprovação da reforma da Previdência no Congresso, diminuem a confiança dos mercados — e já provocam um movimento de correção nos ativos.
Afinal, a memória do "Joesley Day" segue fresca na cabeça dos agentes financeiros.
Não é o ferro: preço de minério esquecido dispara e pode impulsionar a ação da Vale (VALE3)
O patinho feio da mineração pode virar cisne? O movimento do níquel que ninguém esperava e que pode aumentar o valor de mercado da Vale
MEI: 4 golpes comuns no início do ano e como proteger seu negócio
Segundo relatos reunidos pela ouvidoria do Sebrae, as fraudes mais frequentes envolvem cobranças falsas e contatos enganosos
Depois do tombo de 99% na B3, Sequoia (SEQL3) troca dívida por ações em novo aumento de capital
Empresa de logística aprovou um aumento de capital via conversão de debêntures, em mais um passo no plano de reestruturação após a derrocada pós-IPO
JP Morgan corta preço-alvo de Axia (AXIA3), Copel (CPLE6) e Auren (AURE3); confira o que esperar para o setor elétrico em 2026
Relatório aponta impacto imediato da geração fraca em 2025, mas projeta alta de 18% nos preços neste ano
O real efeito Ozempic: as ações que podem engordar ou emagrecer com a liberação da patente no Brasil
Com a abertura do mercado de semaglutida, analistas do Itaú BBA veem o GLP-1 como um divisor de águas para o varejo farmacêutico, com um mercado potencial de até R$ 50 bilhões até 2030 e que pressionar empresas de alimentos, bebidas e varejo alimentar
A fabricante Randon (RAPT4) disparou na bolsa depois de fechar um contrato com Arauco e Rumo (RAIL3); veja o que dizem os analistas sobre o acordo
Companhia fecha acordo de R$ 770 milhões para fornecimento de vagões e impulsiona desempenho de suas ações na B3
Dona da Ambev (ABEV3) desembolsa US$ 3 bi para reassumir controle de fábricas de latas nos EUA; veja o que está por trás da estratégia da AB InBev
Dona da Ambev recompra participação em sete fábricas de embalagens metálicas nos Estados Unidos, reforçando presença e mirando crescimento já no primeiro ano
Ações da C&A (CEAB3) derretem quase 18% em dois dias. O que está acontecendo com a varejista?
Empresa teria divulgado números preliminares para analistas, e o fechamento de 2025 ficou aquém do esperado
Shopee testa os limites de até onde pode ir na guerra do e-commerce. Mercado Livre (MELI34) e Amazon vão seguir os passos?
Após um ano de competição agressiva por participação de mercado, a Shopee inicia 2026 testando seu poder de precificação ao elevar taxas para vendedores individuais, em um movimento que sinaliza o início de uma fase mais cautelosa de monetização no e-commerce brasileiro, ainda distante de uma racionalização ampla do setor
Depois de Venezuela, esse outro país pode virar o novo “El Dorado” da Aura Minerals (AURA33)
A mineradora recebeu a licença final de construção e deu início às obras preliminares do Projeto Era Dorada. Como isso pode impulsionar a empresa daqui para frente?
A vez do PicPay: empresa dos irmãos Batista entra com pedido de IPO nos EUA; veja o que está em jogo
Fintech solicita IPO na Nasdaq e pode levantar até US$ 500 milhões, seguindo o movimento de empresas brasileiras como Nubank
GM, Honda e grandes montadoras relatam queda nas vendas nos EUA no fim do ano; saiba o que esperar para 2026
General Motors e concorrentes registram queda nas vendas no fim de 2025, sinalizando desaceleração do mercado automotivo nos EUA em 2026 diante da inflação e preços elevados
Passa vergonha com seu e-mail? Google vai permitir trocar o endereço do Gmail
Mudança, antes considerada impossível, começa a aparecer em páginas de suporte e promete livrar usuários de endereços de e-mail inadequados
Smart Fit (SMFT3) treina pesado e chega a 2 mil unidades; rede planeja expansão para 2026
Rede inaugura unidade de número 2 mil em São Paulo, expande presença internacional e prevê abertura de mais 340 academias neste ano
Como o Banco Master entra em 2026: da corrida por CDBs turbinados à liquidação, investigações e pressão sobre o BC
Instituição bancária que captou bilhões com títulos acima da média do mercado agora é alvo de investigações e deixa investidores à espera do ressarcimento pelo FGC
BTG Pactual (BPAC11) amplia presença nos EUA com conclusão da compra do M.Y. Safra Bank e licença bancária para atuar no país
Aquisição permite ao BTG Pactual captar depósitos e conceder crédito diretamente no mercado norte-americano, ampliando sua atuação além de serviços de investimento
Adeus PETZ3: União Pet, antigas Petz e Cobasi, estreia hoje novo ticker na B3
Os antigos acionistas da Petz passam a deter, em conjunto, 52,6% do capital social da União Pet; eles receberão novos papéis e pagamento em dinheiro
Tesla perde liderança para a BYD após queda nas vendas de veículos elétricos
As vendas da Tesla caíram 9% em 2025 e diminuíram 16% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior
Antiga Cobasi conclui combinação de negócios com a Petz e ganha novo ticker; veja a estreia na B3
A transação foi realizada por meio de reorganização societária que resultou na conversão da Petz em subsidiária integral da União Pet
TCU determina inspeção de documentos do BC sobre a liquidação do Banco Master
A decisão do órgão ocorre em período de recesso da Corte de Contas e após o relator do caso solicitar explicações ao BC
