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IPCA desacelera em maio e fica em 0,13%, menor resultado para o mês desde 2016

O número foi divulgado nesta sexta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); em abril, índice havia registrado avanço de 0,57%

7 de junho de 2019
9:09 - atualizado às 14:33
mercado / inflação
Imagem: Shutterstock

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,13% maio, ante um avanço de 0,57% em abril. O indicador se refere às famílias com rendimento entre um a 40 salários mínimos.

O número, divulgado nesta sexta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o menor resultado para um mês de maio desde 2006, quando houve avanço de 0,10%. No ano, a taxa acumulada foi de 2,22. Em 12 meses, ficou em 4,66%.

O resultado também veio exatamente no piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast . O teto do intervalo das estimativas ia até 0,33%, o que gerou uma mediana de 0,20%.

Segundo o IBGE, quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados mostraram deflação no último mês. O impacto negativo mais intenso foi de categoria alimentação e bebidas, de -0,56%. O instituto também destaca as altas de habitação, saúde e cuidados pessoais, de 0,98% — influenciado principalmente pela alta na energia elétrica.

Gasolina representa o item de maior impacto

Segundo o IBGE, os combustíveis pesaram mais no bolso das famílias em maio, mas as passagens aéreas mais baratas evitaram uma alta maior no gasto com transportes. O grupo transportes saiu de uma elevação de 0,94% em abril para um aumento de 0,07% em maio.

A gasolina ficou 2,60% mais cara em maio, item de maior impacto individual no IPCA, uma contribuição de 0,11 ponto porcentual. Houve alta no preço em todas as regiões pesquisadas, desde um aumento de 0,50% na Região Metropolitana de Porto Alegre até 7,17% no município de Goiânia.

Por outro lado, as passagens aéreas passaram de uma alta de 5,32% em abril para uma queda de 21,82% em maio, o maior impacto individual negativo no mês, -0,10 ponto porcentual. "Eu olhei a série histórica, é comum queda de passagens aéreas no mês de maio", disse o analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE,  Pedro Kislanov da Costa.

O preço do etanol caiu 0,44% em maio, enquanto o óleo diesel aumentou 2,16%.Os ônibus intermunicipais subiram 0,45%, em função de reajustes em Fortaleza e Salvador. O ônibus urbano aumentou 0,18%, devido a reajustes em Goiânia e Salvador. Já metrô ficou 0,17% mais caro, devido ao reajuste no Rio de Janeiro.

INPC fica em 0,15%

O IBGE também informou hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos.

O índice apresentou variação de 0,15%, ante 0,60% de abril. Foi o menor resultado para um mês de maio desde 2006, quando a taxa foi de 0,13%.

A variação acumulada no ano ficou em 2,44% e o acumulado dos últimos doze meses, em 4,78%, abaixo do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (5,07%). Em maio de 2018, a taxa foi de 0,43%.

Recuperação lenta e gradual

Para o analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov da Costa, ainda não há pressão de demanda sobre a inflação oficial no País. "O consumo das famílias tem uma recuperação lenta, gradual. A desocupação está com patamar bastante elevado, a massa de rendimentos está estável. Tem um cenário ainda de incertezas", lembrou.

"Tem uma desocupação ainda muito forte, endividamento das famílias, tem reposição das funções profissionais via informalidade. Isso não traz segurança para que as famílias possam fazer consumo, então isso acaba segurando um pouco o consumo das famílias", completou Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

"Melhorou um pouco o clima, houve diminuição das chuvas, o que é comum, o outono é mais seco. No caso do feijão, tem a segunda safra agora, o tomate também. Dadas as condições favoráveis no momento da colheita, teve melhora na oferta", justificou Kislanov.

O IPCA só não foi mais baixo porque houve pressão da conta de luz, que ficou mais cara com a entrada em vigor em maio da bandeira tarifária amarela e de reajustes em sete regiões pesquisadas pelo IBGE.

Dentro do IPCA, a inflação de serviços - que tem componente forte da demanda - passou de 0,32% em abril para uma queda de 0,11% em maio. A taxa acumulada em 12 meses pelos serviços saiu de 3,89% para 3,87% no período.

Já a inflação de bens e serviços monitorados pelo governo acelerou de 1,03% em abril para 1,16% em maio. A taxa acumulada em 12 meses pelos itens monitorados arrefeceu de 6,77% para 6,54% no período.

*Com Estadão Conteúdo.

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