Menu
2019-04-16T12:51:54-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Recuperação modesta

Ibovespa fecha em leve alta, aguardando definições em Brasília; dólar cai a R$ 3,86

O Ibovespa perdeu força ao longo da tarde, com o mercado assumindo uma postura cautelosa em relação ao noticiário político

15 de abril de 2019
10:29 - atualizado às 12:51
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa interrompeu sequência de quatro quedas consecutivas - Imagem: Seu Dinheiro

Por volta de 15h, eu telefonei para um analista para questionar a respeito do comportamento dos mercados. Afinal, após uma manhã positiva, o Ibovespa dava sinais de perda de força — e isso mesmo após o índice ter acumulado queda de 4,36% na semana passada.

Nosso diálogo durou apenas alguns minutos. "Eu vejo um mercado mais hesitante e enxergo certa neutralidade, com o pessoal esperando o desfecho. Talvez os impactos sejam sentidos só amanhã", disse o analista, referindo-se à reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, cujo início estava previsto para 16h.

Ele acertou: o Ibovespa passou a última hora do pregão oscilando entre os campos positivo e negativo, fechando o dia em alta de 0,22%, as 93.082,97 pontos. Com isso, o índice interrompeu uma sequência de quatro quedas seguidas.

Cautela persistente

A Petrobras estava na pauta da reunião entre Bolsonaro e Guedes — e, por isso, o encontro entre os dois era tão aguardado pelo mercado. "Os eventos de sexta-feira colocam a autonomia da Petrobras em xeque", diz Pedro Nieman, economista da Toro Investimentos.

A intervenção do governo na política de preços da estatal, com Bolsonaro barrando o reajuste dos preços do diesel em meio às ameaças de nova greve dos caminhoneiros, foi bastante mal recebida pelo mercado: na última sexta-feira, as ações da Petrobras recuaram cerca de 8% e o Ibovespa fechou em queda de 1,98%.

"O mercado aguarda para ver o que vai acontecer na reunião [entre Bolsonaro e Guedes] e se vai ser dito alguma coisa para tentar apaziguar a situação", diz Nieman.

Os papéis da Petrobras chegaram a avançar mais de 2% hoje, recuperando parte das perdas da última sexta-feira, quando a empresa perdeu mais de R$ 30 bilhões em valor de mercado. Segundo Nieman, o desempenho dos papéis no último pregão abriu oportunidades de compra nesta segunda-feira.

No entanto, as incertezas ainda elevadas em relação à estatal trouxeram cautela aos ativos da empresa ao longo da tarde — e a queda de 0,77% do petróleo WTI contribuiu para trazer pressão aos papéis. Ao fim do dia, Petrobras PN subiu 0,27%, enquanto Petrobras ON recuou 0,07%.

Olhos atentos à CCJ

A sessão da comissão de constituição e Justiça (CCJ) da Câmara também mexeu com os ânimos do Ibovespa. A ala governista deu sinais ao longo do dia de que aceitaria a inversão de pauta na CCJ, permitindo que a proposta do Orçamento impositivo fosse analisada antes do debate da reforma da Previdência — o que se confirmou no fim da tarde, após o fechamento do pregão.

Assim, segue a apreensão do mercado em relação ao cronograma de tramitação da reforma, já que atrasos no início das discussões podem jogar a votação da proposta da Previdência na CCJ para a próxima semana.

"O mercado e o Ibovespa dependem da Previdência no médio e longo prazo, mas, no curto, há o ruído da Petrobras — e isso ainda vai demorar para esvaziar", resume Glauco Legat, analista da Necton.

Dólar tem alívio

Já o dólar à vista não foi tão afetado por esse clima de tensão em Brasília: a moeda americana terminou a sessão em queda de 0,52%, a R$ 3,8681 — na semana passada, a divisa acumulou ganho de 0,43% ante o real.

Por aqui, o mercado de câmbio também acompanhou atentamente o cenário político, mas o tom negativo do dólar no mundo abriu espaço para um movimento de alívio — num dia sem maiores drivers no exterior, as bolsas americanas também tiveram leve queda, com destaque para o Dow Jones (-0,1%) e o S&P 500 (-0,06%).

Nesse cenário, a ponta curta da curva de juros acompanhou o alívio visto no dólar: os DIs para janeiro de 202 tiveram baixa de 6,54% para 6,53%, e os DIs para janeiro de 2021 fecharam em queda de 7,14% para 7,09%. Entre as curvas longas, as com vencimento em janeiro de 2023 caíram de 8,27% para 8,22%, e as para janeiro de 2025 foram de 8,81% para 8,73%.

Estatais se recuperam

As ações de estatais também estiveram entre as maiores quedas da última sexta-feira, sofrendo com danos colaterais do noticiário envolvendo a Petrobras — o mercado preferiu assumir uma postura de cautela em relação aos ativos dessas companhias, temendo que o governo também pudesse assumir um viés intervencionista na administração dessas empresas.

Eletrobras ON (+1,56%) e Eletrobras PNB (+0,09%) mantiveram-se em alta nesta segunda-feira, embora tenham perdido força ao longo da tarde — declarações do secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmando que o governo trabalha pela privatização da empresa ainda neste ano, também contribuíram para fortalecer os papéis.

Já Banco do Brasil ON (+0,28%) destoou do restante do setor bancário: Itaú Unibanco PN (-0,06%), Bradesco PN (-0,23%) e units do Santander Brasil (-0,18%) fecharam em queda.

Minério em queda

Na China, o minério de ferro fechou o dia com baixa de 1,09% — e o mau desempenho da commodity, somado ao tom negativo das bolsas americanas, traz pressão ao setor de mineração e siderurgia.

Gerdau PN caiu 1,53%, Usiminas PNA teve perda de 1,2% e Vale ON recuou 0,29%. A exceção é CSN ON (+0,43%) que conseguiu sustentar desempenho levemente positivo hoje.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Ibope e Datafolha

Eleições municipais: quem são os favoritos no 2º turno das principais capitais, segundo as pesquisas

No Rio, Eduardo Paes lidera; favorito em São Paulo é o atual prefeito Bruno Covas. Confira pesquisas também para Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Goiânia

APRENDENDO COM O PROFESSOR BESSEMBINDER

O clube dos 900%: o que você pode aprender com os maiores casos de geração de riqueza da Bolsa americana

Empresas quebrando são mais frequentes que empresas dominando o mundo em algumas décadas. Mas poucos acertos podem rechear a sua carteira e garantir sua aposentadoria precoce.

Entrevista

‘Desemprego alto e déficit público nos deixam cautelosos’, diz presidente da Whirlpool

CEO da fabricante das marcas Consul e Brastemp diz estar cauteloso para investir em produção e em relação à sustentabilidade da demanda, por conta de desemprego e da situação fiscal

Mercadores da noite

Bolsa, dólar e juros subindo: qual dos três está mentindo?

Quando a Bolsa, o dólar e as taxas de juros estão subindo ao mesmo tempo, um dos três está mentindo – qual deles será e o que fazer?

Infraestrutura

Novo marco legal para ferrovias vai a votação no Senado na próxima semana

Legislação promete organizar regras do setor e permitir novos formatos para a atração de investimentos privados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies