🔴 [NO AR] TOUROS E URSOS: QUEM BRILHOU DENTRO E FORA DA ECONOMIA EM 2025? – CONFIRA OS TOUROS DO ANO

Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Crise nos mercados portenhos

O Ibovespa fechou em queda de 2%. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino

Com a ampla vantagem obtida pela chapa de oposição nas prévias das eleições na Argentina, uma espiral de aversão ao risco tomou conta dos mercados do país vizinho — e esse movimento contaminou os ativos brasileiros.

Victor Aguiar
Victor Aguiar
12 de agosto de 2019
10:24 - atualizado às 10:59
Messi Argentina
Influenciado pelo caos nos mercados argentinos, o Ibovespa despencou aos 101 mil pontos; dólar foi a R$ 3,98 - Imagem: Shutterstock

Tudo na Argentina parece estar carregado em dramaticidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A geografia é cheia de superlativos: picos cobertos de neve, cataratas, formações rochosas exóticas, planícies verdes e montanhas áridas se sucedem ao longo dos 2,78 milhões de quilômetros quadrados do território portenho. Há diversas Argentinas no pedaço de terra que vai de Ushuaia a Jujuy.

A música é igualmente teatral — eu não vou me meter a elencar os tangos mais tristes por não ter tanto conhecimento de causa. E, veja só, até o futebol é melodramático: basta olhar para a figura de Lionel Messi, o herói trágico que conquistou o mundo no Barcelona, mas que nunca conseguiu levar a seleção do país à glória.

É claro que, com um histórico desses, o mercado financeiro da Argentina só poderia ter uma reação dramática à surpresa com a prévia das eleições presidenciais no país: o Merval, principal índice acionário portenho, desabou mais de 35% somente nesta segunda-feira; o dólar decolou em relação ao peso argentino — no fim da tarde, a alta era de cerca de 15%.

E o caos que tomou conta dos mercados do país vizinho acabou contaminando as negociações por aqui: o Ibovespa fechou o pregão em forte queda de 2%, aos 101.915,22 pontos, e o dólar à vista terminou em alta de 1,09%, a R$ 3,9834. E olha que os ativos brasileiros se afastaram do momento de maior estresse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a desabar 2,28%, aos 11.621,22 pontos, enquanto o dólar à vista bateu os R$ 4,0127 (+1,83%) — a maior cotação em termos intradiários desde 29 de maio.

Leia Também

É claro que toda essa aversão ao risco nos mercados brasileiros não foi causada apenas pela Argentina: lá fora, o dia foi de cautela em escala global, em meio à falta de alívio no front da guerra comercial entre EUA e China. Mas, por aqui, o pânico visto nos vizinhos serviu para dar uma pitada extra de cautela às negociações.

Drama no Teatro Colón

Na Argentina, a percepção era a de que a disputa entre o atual presidente, Mauricio Macri, e a chapa de oposição liderada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, estava equilibrada. As pesquisas de intenção de voto não mostravam amplas vantagens para nenhum dos dois lados, embora os mercados mostrassem-se otimistas em relação às chances de Macri — tanto que, na sexta-feira, o Merval subiu quase 8%.

No entanto, o resultado das prévias pegou os agentes financeiros de surpresa: não só Fernández saiu vitorioso dessa fase — ele obteve uma vantagem esmagadora, de cerca de 15 pontos — margem que muitos consideram irreversível até as eleições de fato, marcadas para outubro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E, sem saber ao certo quais as diretrizes econômicas a serem adotadas pelos opositores, houve um movimento muito intenso de fuga dos ativos portenhos ao longo do dia. O dólar, por exemplo, chegou a disparar mais de 30% logo na abertura das negociações: no pior momento do dia, a moeda americana superou o nível de 60 pesos argentinos.

O dólar recou um pouco em relação às máximas, após o banco central da Argentina elevar a taxa de juros do país a 74%, numa tentativa de estancar o sangramento — neste fim de tarde, a alta era menos intensa, de (apenas!) 15%. Já o Merval manteve-se em queda livre e encerrou perto das mínimas.

E os ativos brasileiros acabaram sendo contagiados pelo caos nos mercados argentinos. Há um certo temor quanto aos possíveis desdobramentos da ascensão da oposição à Casa Rosada, mas economistas e analistas ponderam que, por aqui, a baixa acentuada do Ibovespa e a alta do dólar à vista se devem a um movimento de aversão ao risco em bloco.

Victor Cândido, economista-chefe da Journey Capital, pondera que as incertezas em relação ao cenário na Argentina fazem com que os investidores globais assumam uma postura mais defensiva em relação aos mercados emergentes como um todo, e não só em relação aos ativos portenhos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"No ano passado, passamos por um estresse similar com a Argentina e a Turquia", destaca Cândido, lembrando da forte desvalorização cambial verificada nos dois países — ambos emergentes, assim como o Brasil.

Jefferson Luiz Rugik, diretor de câmbio da corretora Correparti, segue linha semelhante. Ele pondera que, por mais que as relações econômicas entre Brasil e Argentina sejam sólidas, a economia do país vizinho é bem menor — o que diminui os temores de um eventual baque a ser gerado para a atividade brasileira.

"Acontece que o Brasil fica na mesma cesta [de ativos] que a Argentina", diz Rugik. "O peso argentino é uma moeda emergente, e essa desvalorização forte de hoje acaba refletindo nas outras moedas com esse perfil".

Guerra cambial?

Além de toda a questão na Argentina, também houve o estresse dos mercados no front da guerra comercial. O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) voltou a desvalorizar o yuan ante o dólar nesta segunda-feira, mantendo elevadas as preocupações dos agentes financeiros quanto a uma guerra cambial entre Pequim e Washington.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em meio ao clima ainda nebuloso entre as duas potências, os mercados mostram-se cada vez mais preocupados em relação a uma desaceleração ainda mais intensa da economia mundial. E, nesse cenário, o Dow Jones (-1,49%), o S&P 500 (-1,23%) e o Nasdaq (-1,20%) também tiveram perdas expressivas.

No mercado de moedas, houve uma fuga coordenada das divisas de países emergentes e exportadores de commodities — o que gerou a desvalorização desses ativos e um fortalecimento do dólar em escala global.

Nesse grupo, estiveram inclusos o peso mexicano, o rublo russo, o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno — além, é claro, do peso argentino. O real, assim, seguiu esse contexto mundial.

Por fim, o mercado de commodities é outro que sentiu o peso da aversão ao risco: o minério de ferro caiu 3,2% no porto chinês de Dalian nesta segunda-feira, enquanto o petróleo — tanto o Brent quanto o WTI — ficou da estabilidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Juros em alta

A curva de juros acompanhou a correção do dólar e fechou em alta, tanto na ponta curta quanto na longa. E isso mesmo após os mais recentes dados de atividade no Brasil mostrarem que a economia local segue fraca, o que abre espaço para novos movimentos de corte na Selic.

Na ponta mais curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 5,38% para 5,40%. No vértice longo, as curvas para janeiro de 2023 avançaram de 6,35% para 6,39%, e as com vencimento em janeiro de 2025 foram de 6,85% para 6,88%.

Por aqui, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou queda de 0,13% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, um indicativo de que a economia local segue fraca.

Além disso, o boletim Focus voltou a apontar queda nas projeções para o PIB em 2019: agora, os economistas esperam um avanço de 0,81% no indicador, ante uma estimativa de 0,82% na semana passada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aéreas sob pressão

As companhias aéreas Gol e Azul apareceram entre os destaques negativos do Ibovespa nesta segunda-feira, pressionadas pela forte alta do dólar. Vale lembrar que o querosene de aviação, uma das principais componentes da linha de custos dessas empresas, depende da cotação da moeda americana e do petróleo.

Nesse contexto, os papéis PN da Gol (GOLL4) caíram 7,20% e tiveram o pior desempenho do índice. Já Azul PN (AZUL4) teve  perdas menos intensas, de 2,11%.

Blue chips caem

Em meio à forte aversão global ao risco, as chamadas blue chips do Ibovespa — ou seja, as ações de grande liquidez e que costumam concentrar a atuação dos investidores estrangeiros — apareceram todas no campo negativo, o que se traduziu em pressão ao índice.

Nesse grupo, os bancos apresentaram um desempenho particularmente ruim, em especial Itaú Unibanco PN (ITUB4), que caiu 4,14%. As ações do Bradesco também recuaram forte: os papéis PN (BBDC4) tiveram perda de 2,09% e os ONs (BBDC3) desvalorizaram 2,34%. Banco do Brasil ON (BBAS3), por sua vez, fecharam com baixa de 3,39%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entre as mineradoras e siderúrgicas, Gerdau PN (GGBR4) recuou 2,71%, CSN ON (CSNA3) caiu 0,89% e Usiminas PNA (USIM5) teve perda de 1,73% — Vale ON (VALE3) terminou com queda de 0,73%. Tais papéis são afetados pela forte baixa no minério de ferro e pelas incertezas ligadas à China, grande consumidor global da commodity e de aço.

Por fim, Petrobras PN (PETR4) e Petrobras ON (PETR3) recuam 2,40% e 2,69%, respectivamente, descolando do petróleo, que ficou perto do zero a zero nesta segunda-feira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
VEJA A LISTA COMPLETA

As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?

31 de dezembro de 2025 - 7:30

Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira

ACABOU O RALI?

Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos

29 de dezembro de 2025 - 18:07

Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano

RESUMO DOS MERCADOS

Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha 

27 de dezembro de 2025 - 9:15

A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro

A MIGRAÇÃO COMEÇOU?

Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP

26 de dezembro de 2025 - 15:05

Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real

ÍNDICE RENOVADO

Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal

26 de dezembro de 2025 - 9:55

Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais

CENÁRIOS ALTERNATIVOS

3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley

25 de dezembro de 2025 - 14:00

O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar

TOUROS E URSOS #253

Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro

24 de dezembro de 2025 - 8:00

Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira

AINDA MAIS PRECIOSOS

Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?

22 de dezembro de 2025 - 12:48

No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%

BOMBOU NO SD

LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

21 de dezembro de 2025 - 17:10

Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana

B DE BILHÃO

R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista

21 de dezembro de 2025 - 16:01

Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias

APÓS UMA DECISÃO JUDICIAL

Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana

21 de dezembro de 2025 - 11:30

O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo

DESTAQUES DA SEMANA

Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques

20 de dezembro de 2025 - 16:34

Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas

OS MAIORES DO ANO

Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking

19 de dezembro de 2025 - 14:28

Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel

MEXENDO NO PORTFÓLIO

De olho na alavancagem, FIIs da TRX negociam venda de nove imóveis por R$ 672 milhões; confira os detalhes da operação

19 de dezembro de 2025 - 11:17

Segundo comunicado divulgado ao mercado, os ativos estão locados para grandes redes do varejo alimentar

MERCADOS

“Candidatura de Tarcísio não é projeto enterrado”: Ibovespa sobe e dólar fecha estável em R$ 5,5237

18 de dezembro de 2025 - 19:21

Declaração do presidente nacional do PP, e um dos líderes do Centrão, senador Ciro Nogueira (PI), ajuda a impulsionar os ganhos da bolsa brasileira nesta quinta-feira (18)

ENTREVISTA

‘Se eleição for à direita, é bolsa a 200 mil pontos para mais’, diz Felipe Miranda, CEO da Empiricus

18 de dezembro de 2025 - 19:00

CEO da Empiricus Research fala em podcast sobre suas perspectivas para a bolsa de valores e potenciais candidatos à presidência para eleições do próximo ano.

OTIMISMO NO RADAR

Onde estão as melhores oportunidades no mercado de FIIs em 2026? Gestores respondem

18 de dezembro de 2025 - 17:41

Segundo um levantamento do BTG Pactual com 41 gestoras de FIIs, a expectativa é que o próximo ano seja ainda melhor para o mercado imobiliário

PROVENTOS E MAIS PROVENTOS

Chuva de dividendos ainda não acabou: mais de R$ 50 bilhões ainda devem pingar na conta em 2025

18 de dezembro de 2025 - 16:30

Mesmo após uma enxurrada de proventos desde outubro, analistas veem espaço para novos anúncios e pagamentos relevantes na bolsa brasileira

ONDA DE PROVENTOS

Corrida contra o imposto: Guararapes (GUAR3) anuncia R$ 1,488 bilhão em dividendos e JCP com venda de Midway Mall

18 de dezembro de 2025 - 9:29

A companhia anunciou que os recursos para o pagamento vêm da venda de sua subsidiária Midway Shopping Center para a Capitânia Capital S.A por R$ 1,61 bilhão

HORA DE COMPRAR

Ação que triplicou na bolsa ainda tem mais para dar? Para o Itaú BBA, sim. Gatilho pode estar próximo

17 de dezembro de 2025 - 17:22

Alta de 200% no ano, sensibilidade aos juros e foco em rentabilidade colocam a Movida (MOVI3) no radar, como aposta agressiva para capturar o início do ciclo de cortes da Selic

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar